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COLUNA ALTA RODA: FERNANDO CALMON

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Alta Roda aborda temas de variado interesse na área automobilística: comportamento, mercado, avaliações de veículos, segredos, técnica, segurança, legislação, tecnologia e economia. A coluna semanal é reproduzida em 95 jornais, revistas e sites brasileiros. Está dimensionada com 5.000 caracteres e é editada nas 52 semanas do ano. Alta Roda começou a ser publicada em 1º de maio 1999. Firmou-se como referência no jornalismo especializado por sua independência e análises objetivas.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 95 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

 

DIFERENTE REALIDADE

 O atropelamento fatal de uma ciclista na Avenida Paulista, via simbólica da maior cidade do País, levou a uma comoção. Não apenas pela violência, mas pela cobertura dos meios de comunicação. Depois de gesticular após levar uma fechada, a moça se desequilibrou e caiu praticamente sob as rodas de um ônibus que trafegava em sua faixa dentro da velocidade permitida. Testemunhas afirmam que outro ônibus (este fora de sua faixa) teria esbarrado na ciclista e seria o causador, de fato, do acidente. Também há quem aponte um automóvel como o primeiro a fechar a vítima.

Análise menos emocional indica ser muito perigosa a convivência entre veículos de propulsão humana e os demais numa avenida de trânsito pesado e sem ciclovia. Além da diferença de velocidade – motocicletas, por exemplo, acompanham o fluxo –, a visibilidade restrita de uma bicicleta por parte dos motoristas é evidente. Então, por mais que se deseje incentivar esse
meio de transporte alternativo, talvez se precisem estudar melhor os riscos envolvidos. Campanhas de conscientização apresentam resultados lentos. Ausência de ciclovias ou ciclofaixas desaconselham a liberação sem restrições ao tráfego de bikes, em qualquer dia e horário, em vias problemáticas.

Segurança em estradas é outro tema que merece bastante atenção. Um dos melhores estudos recentes foi apresentado, no final do ano passado, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Fundação Dom Cabral. A entidade mineira destacou o pesquisador Paulo Resende para
coordenar o trabalho com objetivo de analisar acidentes no Brasil, suas características e enfoque nas condições de tráfego.

Um trabalho de fôlego, com mais de 80 referências bibliográficas, estatísticas e de pesquisa, incluindo autores independentes, consultores, órgãos governamentais e não governamentais, do
Brasil e do exterior. Entre as citações está a de J. L. Guasch (Banco Mundial): “A infraestrutura, e em particular as rodovias, são importantes elementos ligados à produtividade, aos custos e à competitividade da economia. Quando um país possui sistema de transportes ineficiente, há um alto custo a ser pago e se torna um entrave ao desenvolvimento da nação.”

O relatório aponta a diferente realidade no Brasil. O governo não consegue oferecer infraestrutura eficiente, é incapaz de fazer investimentos necessários para melhoria e manutenção de serviços
essenciais ao bom funcionamento das rodovias.

Entre 2005 e 2009, acidentes com mortos aumentaram em 33% quando comparadas estradas ruins e em boas condições. Nos dois extremos – condições péssimas e ótimas – a diferença de mortos foi de 81%. Entre rodovias públicas e concedidas (com pedágio e boa manutenção), acidentes fatais foram 62% superiores nas primeiras do que nas segundas. Porém, se constatou aumento em acidentes sem vítimas e com feridos nas rodovias de melhor qualidade pelo excesso de confiança dos motoristas.

Ao analisar 25.000 quilômetros de estradas, o conjunto de falhas humanas chega a responder por 90% dos acidentes. Principal conclusão do estudo é que não basta melhorar as estradas, quando a sociedade não está preparada para lidar com o trânsito e sua complexidade.

RODA VIVA

Resultado de vendas de veículos no mercado interno, nos dois primeiros meses do ano, foi ligeiramente inferior ao mesmo período de 2011. Só no final do primeiro trimestre, se poderão analisar as tendências, retirando fatores sazonais. No ano passado, Carnaval foi em março e
este ano, em fevereiro. Comparação fica distorcida em termos de dias úteis.

Range Rover Evoque (versão de topo, duas portas, R$ 258.000) destaca o estilo audacioso. Interior moderno, completo e bem acabado, motor 2-litros (turbo) de 240 cv e bom câmbio automático, além do pacote de gerenciamento da tração 4×4, formam belo conjunto. Difícil administrar forma e função: má visibilidade traseira e enormes espelhos externos atrapalham uso urbano.

Tração apenas nas rodas dianteiras não é marca registrada da Jeep. Mas o Compass chegou para atender quem se liga apenas no visual, posição elevada ao dirigir e ângulos razoáveis de ataque, saída e rampa no fora-de-estrada leve. Nível de equipamentos adequado entre R$ 99.900 e R$
139.900 (já com IPI alto). Porta-malas de apenas 328 litros é um ponto fraco.

Semáforos de trânsito poderão ser, no futuro, coisa do passado. Universidade do Texas criou um programa que administra hora exata e espaço de cada veículo para que se cruzem sem parar e
sem o menor risco de colisão. Por enquanto, está em nível de simulação em laboratório. Depende de todos os carros utilizaram esses “pilotos automáticos” interativos.

Correção: novo motor diesel da Chevrolet S10, voltado ao torque elevado, é de origem italiana, da empresa VM Motori, que o desenvolveu em conjunto com a marca americana. VM é controlada 50% pela GM e, agora, 50% pela Fiat. Esse motor é fabricado no Brasil pela MWM, sob exclusividade,
em Canoas (RS).

MULTIMÍDIA DE PONTA

Os sistemas de informações e entretenimento a bordo dos automóveis vieram para ficar e tendem a oferecer os mesmos recursos ou até mais em relação aos produtos do momento: celulares inteligentes, navegação por GPS e internet, tabletes e computadores portáteis.

Um dos primeiros recursos que deram mais funcionalidade aos celulares foi o sistema de conexão sem fio Bluetooth. Começaram timidamente, mas dependiam de equipamentos de áudio compatíveis. Apenas autorrádios muito caros eram disponíveis. A Visteon começou em 2005, com
sua fábrica de Manaus, a oferecer Bluetooth e outros tipos de conexão (USB e tocadores digitais). Sua previsão é de que até 2015 todos os seus autorrádios ofereçam recursos desse tipo (hoje não passa de 40%).

A conectividade e os comandos por voz, além de facilitar a vida de motoristas e acompanhantes, permitem interação superior e diminuem os riscos de distração ao volante. As arquiteturas elétrico-eletrônicas dos carros atuais são bastante robustas e permitem autonomia e desempenho notáveis, se comparados aos equipamentos portáteis.

Recentemente, em San Diego (EUA), a Cadillac apresentou o sistema mais avançado em novos recursos, que batizou de CUE. Agora, pela primeira vez, simplicidade e conveniência, já oferecidas em aparelhos de uso comum, podem estar também nos automóveis. Aliás, quem lida com botões ou comando direto na tela dará boas vindas a estas facilidades inéditas nos painéis de veículos:

  • Gestos de mão: basta deslizar os dedos pela tela de oito polegadas de alta definição que novos ícones vão surgindo. Não chega a ser um comando por movimentação a distância, como os de consoles de jogos e de alguns computadores.
  • Movimentos de pinça: dedos polegar e indicador aumentam e diminuem o tamanho de ícones, a exemplo de telas de celulares e tabletes.
  • Reconhecimento por tato: igual às telas capacitivas que permitem ter a sensação de estar apertando um botão em resposta ao comando.
  • Reconhecimento natural de voz: permite ativar a procura de funções sem obedecer a combinações complicadas de uso.

Os engenheiros do fabricante e do fornecedor exploraram as vantagens dos painéis de um automóvel moderno. Podem receber recursos sem as limitações de alto consumo que drenariam rapidamente as baterias dos dispositivos portáteis. A tela possui resolução de cor de 24 bits e brilho de alta intensidade: duas vezes maior que um tablete ou em sistemas de navegação convencionais e cinco vezes mais brilhante em relação a um computador portátil. Ao contrário das telas comuns, essa foi testada e aprovada em temperaturas de até 40° C negativos.

A Cadillac ainda não anunciou quanto custará todo esse aparato de última geração, que inclui um processador de três núcleos (chip) com capacidade 3,5 vezes superior às atuais centrais multimídia
de bordo. Mas chegará em abril de 2012 no novo sedã de topo, XTS, e também estará no estreante ATS, o menor modelo da marca, em meados do próximo ano.

Outros fabricantes já se associaram a grandes nomes da informática para transferir aos automóveis, de forma rápida, as novas conquistas da chamada eletrônica de consumo.

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fernando@calmon.jor.br
www.twitter.com/fernandocalmon


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