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A Fissore chega aos 100 anos, sem nada para comemorar

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No Brasil, pouco se ouviu falar da Fissore, a não ser como o modelo fabricado pela Vemag nos anos 1960, com mecânica DKW. Mas a Fissore é mais do que isso, um estúdio de desenho que chegou aos 100 anos. Criada no final de 1919, encerrou as atividades em 1984.

O VEMAG Fissore, modelo exclusivo para o Brasil. Curiosamente, o desenho de seu painel foi aproveitado na VW Brasília.

A Itália foi o lugar onde existiram mais “carrozzerias, empresas independentes que se dedicavam a desenhar, desenvolver e produzir automóveis, na maioria protótipos e modelos de baixa produção, na maioria das vezes usando mecânica alheia. Os grandes nomes neste segmento eram a Pininfarina, Bertone, Ghia ou Zagato, só para lembrar algumas, mas existiam muitas outras além dessas, menores e, por isso, menos conhecidas.

Uma dessas pequenas empresas de carroceria era a Carrozzeria Fissore, instalada em Savigliano, perto de Turim, fundada entre na virada de 1919 para 1920, pelos quatro irmãos Fissore: Antonio, Bernardo, Giovanni e Costanzo. No começo, o foco era a produção de pequenas carroças, passando, posteriormente para reparos de automóveis e caminhões.

DKW 1100 Coupé, clamorosamente inspirado no Ford Thunderbird.

Em 1936, Bernardo começou a construir carrocerias especiais para automóveis, veículos do serviço funerário e para os correios, além de pequenos ônibus. Com a chegada da Segunda Guerra Mundial toda a pequena produção foi voltada para a fabricação de veículos militares.

Com o final da Guerra, as carrocerias especiais para automóveis voltaram a ser o foco da empresa. Em 1947 apareceu a wagon derivada do Fiat 1100, denominada Giardinetta e, posteriormente, a Roberta. Em 1953, foi apresentado o cupê Fiat 1100TV, desenhado por Mario Revelli. Durante os anos 1960, vários foram os automóveis produzidos pela Fissore, com base em chassis e mecânicas da Fiat, empregando cerca de 200 pessoas.

Fiat Multipla, a primeira minivan produzida em larga escala.

A Fissore começou a sonhar grande, desenhando carrocerias para outras marcas, e teve como seus primeiros clientes a DKW, TVR e De Tomaso. Em 1969, a Fissore foi contratada pela Monteverdi, para a produção dos automóveis High Speed, mas as encomendas de 100 automóveis por ano, nunca se materializaram, até o aparecimento dos fora de estrada Monteverdi Safari e Sahara, quando a produção aumentou e a Fissore abandonou os seus métodos artesanais, em favor de algo mais industrial.

A Monteverdi ajudou financeiramente a Fissore, adquirindo participações na empresa, até que assumiu todo o controle, no final dos anos 1970. Quando a Monteverdi fechou as portas, em 1984, a Carrozzeria Fissore teve o mesmo destino, pouco tempo depois. Mas não desapareceu de imediato.

Fiat Marinella, para usar na beira da praia.

Em 1976, foi fundada a Rayton Fissore, pela filha de Bernardo Fissore, Fernanda, e o seu marido, Giulio Malvino. Eles escolheram criar a sua própria empresa, ao invés de continuar a empresa do pai de Fernanda. Desta empresa surgiu o elegante Magnum, espécie de SUV daqueles tempos, apresentado em 1985, que foi vendido nos Estados Unidos com o nome Laforza.

Apesar de produzido até 2003 nos Estados Unidos, estes automóveis são bastante raros. Além destes trabalhos, em 1986 e 1987 foram apresentadas duas wagons com base no Alfa Romeo 75, desenvolvidas pela Rayton Fissore, a Alfa Romeo 75 Turbo Wagon e a 2.0 Sportwagon. No total, apenas sete ou oito unidades foram produzidas para a Alfa Romeo, mas a produção não foi além disso.

Um dos dois OSCA 1600 GT conversíveis produzidos.


Voltando para a Carrozzeria Fissore, esta produziu vários automóveis com base em modelos Fiat. Em 1953 iniciou a modesta produção do Fiat 1100 TV Fissore Coupé. Produziu uma versão especial com base no Fiat 600 Multipla, a Sabrina e uma versão desta para uso nas zonas de praia, a Marinella. Com base no Fiat Nuova 500, a Fissore produziu o Mongho 650, um cupê desenhado por Alessandro Sessano e com motor preparado pela Giannini.

Para disputar mercado com modelos como o Citroën Mehari ou Renault Rodeo, a Fissore produziu o 127 Scout, com base no Fiat 127. Produziu ainda outro veículo nos mesmos moldes, o Poker, com base no menor Fiat 126. Nos últimos anos como “carrozzeria” independente, a Fissore competiu na briga pela produção do Fiat Ritmo conversível, mas o projeto acabou sendo entregue para a Bertone.

Monteverdi High Speed.


Mas não foi só de modelos Fiat que viveu a Fissore. Após perderem o controle da marca Maserati, os irmãos Fissore fundaram a O.S.C.A. e, em 1962, a Fissore produziu em poucas unidades o OSCA 1600 GT, fabricando 22 cupês e dois conversíveis. Além deste modelo, também foi produzido o OSCA 1500 Coupe, com base no Fiat 1500.

No início dos anos 1960, o Brasil aparece na história da empresa. A Fissore teve estreita cooperação com a DKW e Auto Union, resultando em três modelos da autoria da Fissore, produzidos no Brasil pela VEMAG: Belcar, Vemaguet e Fissore. Produzido de 1958 a 1967, o redesenhado DKW-VEMAG Belcar tinha por base o DKW 3=6 alemão, com o modelo wagon batizado de Vemaguet. Entre 1964 e 1967 foi produzido o VEMAG Fissore. Além destes foram produzidos alguns cupês e conversíveis com base no Auto Union 1000 SP, rebatizado de Auto Union 1000 SE Coupé.

De Tomaso Vallelunga.

Ainda nessa época, em 1964 a Fissore ficou encarregue do desenho do De Tomaso Vallelunga, mas no fim a sua produção foi entregue à Ghia, pois esta era mpresa era de propriedade de Alejandro de Tomaso.

Sem dúvida, a parceria mais importante para a Carrozzeria Fissore foi com a Monteverdi, o que salvou a empresa nos anos 1970. Inicialmente, Peter Monteverdi pediu à Frua (outro estúdio italiano) a montagem dos seus automóveis High Speed, mas esta não tinha capacidade para tanto e Peter encarregou a Fissore dessa empreitada.

Monteverdi Safari, com jeitão de Land Rover.

Os chassis eram produzidos em Basel, na Suíça, e enviados para Itália, onde eram montadas as carrocerias. Depois eram reenviadas para a Suíça, onde eram montadas as mecânicas. Depois de algum tempo, a Fissore ficou encarregada da produção das carrocerias do Monteverdi Safari e Sahara, e produziu um novo protótipo, o Monteverdi 2.8 Turbo. Além destes modelos civis, a Fissore também criou alguns protótipos de veículos militares para a Monteverdi, em 1979, mas nunca entraram em produção.

Outros pequenos trabalhos incluem a produção do primeiro TVR Trident, e posteriormente o projeto do Trident foi vendido a um funcionário da TVR, e assim nasceu o Trident Clipper. Para a Fissore, Trevor Fiore desenhou uma proposta para o substituto do Alpine A110, que evoluiu para o Alpine A310.

Rayton Fissore Magnum, nos Estados Unidos vendido como Laforza. Fim de linha para a marca.

Foi ainda a Fissore a primeira empresa a produzir o Range Rover com quatro portas e vendidos, sob encomenda, na rede oficial da marca britânica, a partir de 1980. A Fissore produziu um protótipo de quatro portas conversível com base no Opel Diplomat B. Um cupê esportivo com base no Autobianchi A112, batizado de Otas, também foi desenhado pela Fissore.

Em 1961 foi produzido um cupê para a Cisitalia, o DF85. Em 1963 enviou para a Volvo a sua proposta de produção do 1800 GT, mas que não foi aceita. Em 1964 produziu três exemplares do Elva GT160, em 1982, com base num Saab 900 Turbo; e a Fissore produziu um protótipo cupê, o Saab Viking, mas que não entrou em produção.

Raridade: wagon Alfa Romeo 75 Turbo.



Esta é a história, bastante resumida, da Carrozzeria Fissore, uma empresa que comemora agora o seu centenário, sem nada para celebrar além de boas lembranças.

Carrocerias Fissore – Wikipédia, a enciclopédia livre



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