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A Opel e os 50 anos de bons conceitos

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Em 2013, quando o inovador Opel Monza Concept foi exibido no Salão de Frankfurt, exibiu algumas pistas do que a marca alemã estava sendo preparada para o futuro. Agora, dois anos depois, quando o Salão de Frankfurt deste ano abrir as portas, muitos detalhes que estavam no conceito Monza poderão ser vistos nos carros de produção da marca.

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Eficiência e conectividade são temas de destaque na lista de prioridades para o desenvolvimento das próximas gerações de modelos da Opel. Estes valores estão também expressos de forma clara na evolução do desenho, surgindo agora linhas que colocam mais ênfase na elegância ao invés da aparência “musculosa”.

O Opel Monza Concept era a visão sobre o futuro da Opel. Representava a continuidade na tradição da Opel de mostrar concept cars inovadores no Salão de Frankfurt. Na verdade, a Opel foi o primeiro fabricante europeu a construir um estudo de desenho e a apresentá-lo ao público no evento alemão de 1965.

Entre as marcas europeias, a Opel é o que tem tradição mais longa na apresentação de conceitos em Frankfurt, sempre com ideias inovadoras e futuristas. A marca não teve um novo concept car em cada edição, mas muitos dos carros que apresentou se constituíram em marcos importantes e mostra de novas tendências.

Numa rápida viagem do presente até o passado, vamos relembrar alguns dos estudos mais relevantes que a Opel levou para aquele Salão nos últimos 50 anos.

O primeiro concept car da história do automóvel tem assinatura da General Motors, o grupo que controla a Opel. Na época esses carros eram chamados de dream cars. Em 1938, a área de Design da GM criou o Buick Y-Job, um automóvel que não ia entrar em produção mas que se destinava a mostrar novas ideias de tecnologias e de desenho. Nos anos seguintes, na Europa, só as empresas especialistas em carrocerias é que se iam aventurando a construir e a apresentar formatos mais futuristas.

Em 1965, a Opel tornou-se o primeiro fabricante europeu a demonstrar a sua criatividade com um concept car totalmente concebido nas suas instalações. De nome “Experimental GT”, este conceito concentrou todas as atenções no Salão de Frankfurt daquele ano, por representar um dream car acessível. Três anos mais tarde o conceito evoluiu, tomou forma real e deu origem ao Opel GT.

A Opel foi mais longe quando apresentou o CD em 1969, um esportivo com mecânica do Opel Diplomat. Este conceito foi mais desenvolvido e chegou a ser produzido em pequeno volume.

Os protótipos que a Opel levou para Frankfurt na década de 1960 fizeram tanto sucesso junto ao público, que todas as outras marcas europeias começaram também a apresentar automóveis de conceito.

Na sua primeira fase de concept cars, a Opel colocou o foco em cupês elegantes e emocionantes. Mas a primeira crise do petróleo em 1973, levou o fabricante alemão a concentrar atenção em outros temas, como o consumo de combustível, a aerodinâmica e a eficiência em geral, incluindo segurança e habitáculo.

Isso ficou claro em 1975 com a apresentação do Opel GT2, que atraiu pelas linhas futuristas e portas corrediças. O habitáculo também estava bem à frente do seu tempo, com bancos individuais construídos à base de plástico e espuma moldada. O painel era formado por módulos intercambiáveis, com telas digitais, onde até existia um precário computador de bordo.

O TECH 1 foi um veículo de pesquisa que representou novo passo adiante, tendo sido uma das atrações no Salão de 1981. Com a dianteira e perfil que serviram de inspiração para a primeira geração do Omega lançada cinco anos mais tarde, este protótipo fixou um novo padrão em matéria de aerodinâmica, com Cx de 0,235. O interior revolucionava com instrumentos digitais e comandos electrônicos que controlavam todas as funções do automóvel, menos freios, acelerador e da embreagem.

No início dos anos 1980, especialistas em mercado, desenhistas e engenheiros concentraram esforços em modelos utilitários capazes de oferecer a novos motoristas –especialmente jovens, senhoras e moradores das grandes cidades– acesso à mobilidade individual.

Na edição de 1983, a Opel revelou o conceito Junior. Tinha 3,41 metros de comprimento, o que significava menos 21 centímetros que a primeira geração do Corsa lançada no ano anterior. O Opel Junior pode ser considerado o precursor do atual urbano-chic ADAM. Oferecia, já naquela época, possibilidade de personalização em nível de instrumentos e incluía sistema de navegação completamente visionário. O reflexo disso chegou aos dias atuais, já que o ADAM é o carro urbano de produção com maior capacidade de conectividade.

Na medida que começaram a surgir normas de emissões cada vez mais apertadas (como a Euro 4 de 2005), as áreas de Engenharia Avançada e de Design da Opel mostraram a interpretação da marca sobre um modelo compacto mais amigo do ambiente. O G90 foi mostrado no Salão de Frankfurt de 1999, pesando apenas 750 kg. Graças a um novo conceito de construção de baixo peso, motor de três cilindros de nova geração e Cx de 0,22, este concept car reivindicava emissões de apenas 90 g/km.

Em 2001 a Opel desafiou as convenções dos modelos utilitários ao mostrar o estudo Frogster. Em vez do teto convencional, este automóvel tinha uma “cortina” comandada eletricamente. O conceito modular mostrava também quatro bancos individuais rebatíveis. Com estas características, e graças a comandos simples, os usuários poderiam transformar o Frogster num roadster para dois, num conversível para quatro ou numa pickup.

Na edição seguinte do Salão, dois anos mais tarde, a Opel apresentou um conceito completamente novo com o Insignia Concept. O estudo deu mais do que o nome à nova geração do top de linha lançada em 2008. A linguagem de estilo estreada –um pouco parecida com a do Monza Concept– viria a ter evidentes reflexos nos modelos de produção em série que a Opel criou para os anos seguintes. O conceito Insignia destacava-se pelo desenho elegante, pelos faróis de tecnologia LED e pelas portas traseiras de abertura com mecanismo pantográfico.

Numa busca constante de soluções de motorização cada vez mais eficientes e “amigas” do meio-ambiente, os carros conceito mais recentes da Opel têm se concentrado na temática da mobilidade elétrica.

O Flextreme Concept foi o estudo exibido pela Opel em 2007, imediatamente rotulado como um marco no desenvolvimento do uso da eletricidade, graças à inovadora arquitetura E-Flex. O conceito estava baseado em funcionar sem emissões, com uso de uma bateria de íons de lítio, que garantia 55 km de autonomia. Esgotada a carga, a produção de eletricidade passava para o extensor de autonomia, constituído por um pequeno motor diesel, permitindo ao automóvel percorrer centenas de quilômetros sem parar. O Flextreme Concept previa emissões de 40 g/km, ou inferiores, e consumo de combustível de 65 km/litro. O desenho da dianteira inspirou o Opel Ampera, lançado em 2011 e eleito “Carro do Ano Europeu 2012”.

Na sequência dos conceitos da Opel apresentados no Salão de Frankfurt, uma das etapas mais recentes foi marcada pelo RAK-e, revelado em 2011. O inovador veículo experimental, com construção de baixo peso, demonstrou que a mobilidade elétrica pode estar chegando também ao alcance dos mais jovens (a partir de 16 anos de idade), graças a consumos mínimos de eletricidade e estilo inovador.

A Opel continua a trabalhar em torno de estudos orientados para o futuro. Uma das provas recentes disso é o Monza Concept, que traz para a Opel a idéia de aplicar a mobilidade de maneira simultaneamente individual e compartilhável.


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