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ACREDITE, O IMPALA É QUASE SESSENTÃO

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Primeiro Impala: 1958.

Quem viveu a infância nos anos 1960 deve ter em sua memória não só a Jovem Guarda, o drops Dulcora (“a delícia que o paladar adora”), o bonequinho Mug do Wilson Simonal, a Cerejinha ou a Copa de 62 no Chile. Com certeza vai lembrar de um dos automóveis mais desejados pelos pais de família mais conservadores: o Chevrolet Impala. Grande, belo, imponente, sinônimo de riqueza, foi um dos modelos mais populares por aqui a reunir todos esses atributos, apesar das marcas americanas de maior prestígio como Cadillac, Oldsmobile ou Plymouth. Isso sem falar nos fabricantes europeus.

Acredite, o Impala está fazendo 56 anos. O primeiro Impala a sair da linha de montagem ainda não era considerado um modelo específico de automóvel, mas sim a versão de acabamento mais requintado da linha Chevrolet 1958, posto até então ocupado pelos não menos importantes e imponentes Bel Air. Depois do trinômio 55-56-57 da Chevrolet, época em que a marca ultrapassou a Ford em vendas e prestígio, graças à introdução do seu primeiro motor V8, em 1959 a linha ganharia peso, literalmente falando. Os Chevrolet “full-size” nesse ano ficaram maiores, mais largos e mais baixos, sendo que o top de linha passou a se chamar Impala, e apenas com carrocerias de duas portas, cupê ou conversível. A característica mais representativa dessa versão, em 1958, eram as lanternas triplas na traseira, em oposição às duplas das outras versões. É para onde olhamos hoje, para distinguir rapidamente um Bel Air de um Impala; Bel Air tem duas lanternas de cada lado, e o Impala três.

1959
1959

Em 1959 toda a linha Chevrolet mudou muito, e radicalmente. O carro era quase um zoológico. Além do próprio nome, tinha pára-lamas traseiros do tipo “asa de morcego”, lanternas traseiras “olhos de gato” e um estranho “rabo de peixe” horizontal chamado de “flat-top deck” (convés de porta-aviões). E isso o tornou um ícone do design automotivo. Muitos consideram o 1959 o Impala mais bonito de todos os tempos.

ZOOLÓGICO?

No ano seguinte, a alteração mais significativa no Chevrolet Impala foi a perda das lanternas traseiras “olhos de gato”, voltando às redondas tradicionais –ainda triplas no Impala e duplas no restante da linha. Mas o “flat-top deck” permaneceu. Foi apenas em 1961 que o Impala começou a ficar com a cara dos anos 1960: linhas mais retas, sem exageros, um design mais limpo. Como influência da popular Stock Cars (hoje Nascar), que utilizava modelos originais nas provas, no meio do ano surgiu o Impala SS, sigla de Super Sport, mas que muitos atribuem a Separated Seats, ou bancos separados. Realmente o Impala SS tinha dois bancos dianteiros, ao invés de um inteiriço, e o seletor de marchas no chão. Mas o pacote SS era mesmo de desempenho, já que essas versões saiam de fábrica com motores V8 de 5.700 cm3 ou 6.700 cm3, com potências que variavam de 305 a 350 cv. O Impala SS é considerado o primeiro muscle car da história. Uma versão especial chamada Turbo-Fire 409, com coletor de alumínio, quadrijet Carter, taxa de compressão de 11,25:1 e 360 cv de potência foi produzida na mísera quantidade de apenas 142 unidades.

1960
1960

Em 1962 o pacote SS passou a ser oferecido apenas no Impala, e não mais no Bel Air, o que tornou o modelo top de linha ainda mais popular. Foi em 1963, no entanto, que o mais potente motor já produzido para o Impala foi oferecido, um 427V8 com dois quadrijets e 430 cv. Nos dias de hoje, essa versão do Impala SS vale a bagatela de US$ 200 mil.

O último dos Chevrolet Impala considerados clássicos foi produzido em 1964, com linhas muito próximas às do 63, apenas mais retas. Em 1965 sua carroceria foi totalmente remodelada, tornando-se um fastback. Não tinha mais a esportividade das versões anteriores, e o “pacote” SS passaria a ser mais estético do que de desempenho. Mesmo assim, nesse ano o modelo bateu seu recorde de produção, vendendo mais de um milhão de unidades. Em 1967, com o surgimento do Caprice, mais equipado, o Impala perdeu o posto de top de linha e iniciou sua decadência. Perdeu a identificação mais notória -as seis lanternas traseiras- e o Caprice passou a ser considerado um autêntico modelo de luxo.

MOTORZÃO

O Chevrolet Impala entrou nos anos 70 com as características visuais de praticamente todos os modelos americanos, o seja, grande, espaçoso e confortável. Em 1970, último ano das livres emissões de poluentes, o maior motor do Impala, um 454V8 (7,5 litros) e 390 cv, marcou o fim dos muscle cars. E já não era uma versão SS. A partir daí, o Impala foi mudando ano a ano, sempre empurrado pelos ventos do mercado, sem grandes surpresas. Em 1972 ele bateu a casa dos 10 milhões de unidades produzidas.

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1966

Nos anos 80, já com a crise do petróleo influenciando todos os projetos de automóveis, o Impala ficou menor, mais leve e mais estreito, deixando de ser produzido em 1985. No seu lugar ficava apenas o Caprice, que foi completamente redesenhado em 1991. Essa carroceria se tornou muito popular como carro de polícia. Mas em 1994 o Caprice ganhou uma versão muito especial, chamada propositalmente de Impala SS. Era todo preto, sem cromados, de aparência muito agressiva. Tinha o motor 350V8 LT-1 do Corvette, e câmbio manual de seis velocidades. Em 1996 tanto o Caprice quanto o Impala foram descontinuados, terminando a saga dos Chevrolet Impala de tração traseira.

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1974

 Os recentes Chevrolet Impala, como o apresentado no Salão de Detroit de 1999, já eram outro carro, com motor V6, tração dianteira e dimensões compactas. De Impala, mesmo, apenas o nome; não tinha nem mesmo as lanternas triplas na traseira. Em 2006 novamente o Impala foi totalmente redesenhado e agora, em 2008, o Chevrolet Impala ganha uma edição especial, que comemora os 50 anos de sua criação. Essa versão, comercializada apenas nas cores preta e vermelha, tem motor 3.5V6 de 211 cv, com opção para combustível E85 (mistura de 85% de metanol e 15% de gasolina disponível nos Estados Unidos). O Impala hoje é produzido nas versões LT e LTZ, com motores 2.5 Ecotec e 3.6V6.

1999
1999

Nesses 56 anos, foram produzidos mais de 20 milhões de Impala. Um carro que entrou para a história, como os Beatles, os Festivais da Record, a franja do Ronnie Von, a Grapette ou comprar roupas na Garbo e na Ducal…

2014
2014

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