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Adamastor Furia é o primeiro superesportivo português

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Um carro português para enfrentar alguns dos superesportivos mais rápidos do planeta. Este é o aguardado Adamastor Furia, modelo de nome estranho (que explicamos mais adiante), motor Ford Performance 3.5V6 biturbo e cerca de US$ 2 milhões de preço final. Resumindo: Portugal conseguiu algo que o Brasil até hoje mal tentou: produzir um superesportivo.

por Ricardo Caruso

Valeu a pena esperar: o Adamastor Furia, primeiro superesportivo português, foi finalmente apresentado. O modelo surgiu, por enquanto, apenas na sua versão de rua ( a Road), mas será acompanhada brevemente pela versão de pista (Race). O Furia distancia-se do protótipo P003RL, que já mostramos antes. Se o protótipo antecipava um esportivo, o Furia subiu de patamar.

A Adamastor abandonou o projeto original, reorganizou a sua estrutura e também decidiu reposicionar-se na indústria, passando a ser um fabricante orientado para os superesportivos de baixo volume. Foi anunciada a produção de apenas 60 unidades do Furia, no ritmo de 25 carros por ano. A capacidade instalada de produção é essa, de 25 automóveis por ano, além do fornecimento de peças de reposição e substituição. A empresa afirmou ainda que a Adamastor vai sempre produzir séries limitadas a 60 unidades dos seus modelos.

Agora uma pequena dose de cultura inútil. Adamastor não é o nome do criador do carro. É o nome mitológico, atribuído a um dos gigantes, filhos de Gaia, que se rebelaram contra Zeus. Fulminados por este, ficaram dispersos e reduzidos a passar seus dias em ilhas e promontórios. Adamastor é assim um gigante da mitologia greco-romana, citado por Camões em “Os Lusíadas” e por Fernando Pessoa no poema “O Monstrengo”. Representa na obra-prima de Camões as forças da natureza contra Vasco da Gama (o navegador, não o sorumbático time carioca) que, sob forma de tempestade, tentava barrar quem dobrasse o Cabo da Boa esperança e entrasse no Oceano Índico, o domínio de Adamastor.

Resultado de um investimento de US$ 18,5 milhões, o Adamastor Furia vai ser produzido em Perafita, Portugal, e o plano de negócios da empresa prevê entregar já em 2025 dois carros de rua e outros dois em versão de competição.

A versão do Furia de rua apresentada destaca-se por usar uma estrutura monobloco integralmente construído em fibra de carbono. A elevada rigidez estrutural e leveza do chassi foram as maiores preocupações da equipe de desenvolvimento do Furia que, apesar de tudo, acabou por fazer da aerodinâmica o destaque central de todo o projeto. Segundo a empresa, este foi um daqueles casos em que “a função definiu a forma”, com o processo de desenho sendo “integralmente liderado pelo responsável pela parte aerodinâmica”. A otimização aerodinâmica foi efetuada por meio de simulação CFD (dinâmica computacional de fluídos).

Adamastor Furia difusor de ar

O fundo bem trabalhado do carro com efeito “venturi” é um dos principais geradores de downforce, permitindo abrir mão de outros apêndices aerodinâmicos, como spoilers, e todas as superfícies aerodinâmicas são feitas de fibra de carbono. O resultado de todo este trabalho não deixa dúvidas: para o Furia Road, a marca declara 1000 kg de downforce a 250 km/h, enquanto a versão Race eleva isso para 1800 kg na mesma velocidade, muito mais que o seu peso.

Estes valores de downforce superam, sempre de acordo com a Adamastor, os monopostos de Fórmula 3 e Fórmula 2 das temporadas de 2021, bem como alguns modelos da categoria de LMP2 da Endurance. Isto mesmo sem ter uma asa traseira de grandes dimensões. Já em termos de Cx (coeficiente de penetração aerodinãmica), a Adamastor garante que o Furia consegue ser melhor que um carro de Fórmula 1 da temporada de 2021.

Adamastor Furia

Para dar vida a todo esse cuidado com a aerodinâmica, a Adamastor equipou co carro com um motor 3.5V6 biturbo fornecido pela Ford Performance. Ainda não foram divulgados os números números exatos, mas são previstos mais de 650 cv de potência máxima e mais de 57 mkgf de torque máximo.

Não são números impressionantes, como de alguns outros supercarros, mas a Adamastor anuncia apenas 1100 kg de peso para a versão Race, o que deixa a relação peso/potência muito interessante: 1,69 kg/cv.

Adamastor Furia

Já foram divulgados alguns números de aceleração: ele faz de zero a 100 km/h em 3,5s e de zero a 200 km/h em 10,2s, ao mesmo tempo que anuncia uma velocidade máxima superior a 300 km/h. Preparado para usar gasolina comum e combustíveis sintéticos, o Adamastor Furia usa sistema de frenagem com discos de 378 mm e pinças de seis pistões na frente e discos de 356 mm e pinças de quatro pistões atrás. Quanto às suspensões, ele usa triângulos duplos e mola helicoidal sobre amortecedor, que permite diversos ajustes, para que seja possível tirar o máximo proveito deste modelo, seja em ruas e estradas ou em circuitos.

E O PREÇO?

Além do belo projeto, também o preço é impressionante: o Furia custa na Europa US$ 1,7 milhões, antes dos impostos, o que eleva o valor final do modelo para perto dos US$ 2,2 milhões. É esse o preço a se pagar pelo primeiro superdesportivo português, que a Adamastor espera colocar no cenário mundial e fazer frente aos principais concorrentes da indústria, que a empresa aponta. Isto porque Ricardo Quintas não tem medo de sonhar alto e de apontar os principais rivais do Furia: a Aston Martin e o seu Valkyrie, e também marcas como a Pagani, Koenigsegg e Rimac, sem esquecer outras como a Mercedes-Benz, Audi, Porsche e Ferrari na categoria dos supercarros.

Quanto ao futuro, as possibilidades são grandes, com exceção de um modelo 100% elétrico. Pelo menos é isso que diz Ricardo Quintas, chefão da Adamastor: “É óbvio que há muitos automóveis elétricos impressionantes, mas falta a eles alguma coisa. Falta o ‘rugido’. Sem isso, é só um carro muito rápido e de visual agressivo”.


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