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CHECKER MARATHON, O TÁXI DE NOVA IORQUE

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Ao pensarmos em Nova Iorque, uma das primeiras imagens que vêm à mente são os táxis amarelinhos. Sem contar, claro, com o Empire State, Central Park, o implodido World Trade Center e Estátua da Liberdade.  Os Yellow Cabs foram usados por anos e anos, frequentaram as telas do cinema e televisão por muitas décadas e povoam até hoje a cabeça dos publicitários. O que poucos sabem é o nome do carro: Checker Marathon produzido de 1955 a 1982.

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Essa história começa em Kalamazoo, Michigan, por volta de 1922, numa fábrica construída para produzir basicamente carros de táxi. A ideia foi do fundador Morris Markin, um empresário-aventureiro russo. A marca nasceu como Checker Cab Manufacturing e depois mudou Checker Motors Corporation.

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O Checker Marathon parece um carro dos anos 1950. E é. Foi lançado em 1955, e permaneceu em produção praticamente sem mudanças por quase 40 anos. O avantajado sedã de quatro portas se celebrizou na cor amarela com faixa lateral quadriculada. Tudo era voltado para o conforto dos ocupantes, com as portas traseiras abrindo em ângulo de 90 graus e banco traseiro com bom espaço para três ocupantes.

CLÁSSICO

Feito na clássica configuração de motor e câmbio na frente e tração atrás, usava motor Chevrolet 3.800 de seis cilindros em linha (velho conhecido dos brasileiros), com comando de válvulas no bloco, 142 cv de potência máxima e taxa de compressão de 8,5:1, alimentado por um carburador Rochester.

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Para o câmbio, existia o manual de três marchas manual ou automático (também de três velocidades), os dois com a alavanca na coluna de direção. As rodas eram de aço, aro 15, com pneus 8,20 x 15. A suspensão também era clássica, com molas helicoidais na frente e traseira com eixo rígido e feixes de molas semi-elípticas. Tudo bem macio e confortável, como apreciam os americanos.

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Os freios também estavam dentro do padrão da época, com disco na frente e a tambor atrás. O tanque tinha 88 litros de capacidade (para gasolina) e era um beberrão: fazia pouco mais de 5 km/litro na cidade.

MOTOR CHEVROLET

O seis cilindros não era o único motor disponível. Outra opção era o também Chevrolet 350V8 (5.733 cm3) de 198 cv e carburador de corpo duplo Rochester, mais rápido e que chegava fácil aos 170 km/h. Velocidade e desempenho não eram as propostas iniciais do carro. Seu compromisso mesmo era desfilar por Nova Iorque com conforto e ostentando placas de publicidade no teto.

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Curioso era a frente e pára-lamas, integrados numa peça só. O “Yellow Cab” Checker Marathon tinha 5,43 metros de comprimento e pesava pouco mais de 1600. O desenho era de um carro do começo dos anos  1950, só que sem maiores ousadias e com vários cromados: pára-choques, calotas, grade, emblemas, molduras dos faróis etc.

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Em 1959 a empresa tentou produzir uma versão para ser vendida ao público não taxista, a Custom Limousine. O que diferenciava o carro familiar do modelo profissional eram as cores disponíveis além do amarelo e a possibilidade de o teto ser pintado de outra cor, diferente da carroceria. Não chamou muita atenção e poucos Custom Limousine fora vendidos.

LIMUSINE

Nos anos 1960, a Checker lançou um outro modelo, que fez sucesso na sua área de atuação. “Não é um carro alongado, e sim uma limusine construída para esta finalidade”, dizia a publicidade da Checker. Era o Aerobus, versão alongada do Marathon, que podia levar até 12 passageiros, além do motorista e eventual acompanhante no banco da frente. Era um monstrengo que pesava 2.500 kg e tinha 7,2 m de comprimento na versão mais longa. Mesmo com motor 5.2V8 (5.210 cm3) e 218 cv de potência, não passava dos 130 km/h. Era disponível em seis ou oito portas.

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A wagon Checker Station era ainda mais interessante, com seu enorme bagageiro no teto. Saiu de linha em 1974 e, sabe-se lá porque, voltou em 1976.

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Por conta da legislação, em 1974 o Checker ganhou discretos sinais de modernidade: enormes pára-choques de alumínio, exigência da legislação para suportar impactos de até 8 km/h. O pára-choque original, com suas garras cromadas, era mais estiloso. Os limpadores de pára-brisa também mudaram, e passaram a ser com movimento convencional (antes tinham os braços opostos).

O FIM

Tamanha excentricidade vendia bem? Dentro do possível sim, pois atuava num nicho de mercado. O volume de fabricação anual era bom, oscilando entre 3.000 e 5.000 unidades. Em 1982 o sedã saiu de linha, fazendo desaparecer o exemplo claro da robustez dos carros dos anos 1950. Foi feito praticamente sem mudanças durante toda sua trajetória e se tornou objeto cult e de coleção.

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O Checker Marathon foi o exemplo único de um carro norte-americano que resistiu ao tanto tempo sem mudanças. Aos poucos ele foi sumindo das ruas da cidade, e o último que ainda trabalhava foi aposentado 1998. A exigência de mais segurança abriu espaço para os Chevrolet Caprice e o Ford Crown Victoria, preferidos também pela polícia. Só que nem de longe ostentavam o estilo e charme de um autêntico modelo dos anos 1950.


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