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CHERY CELER 1.5: HORA DE REVER CONCEITOS.

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Se você é mais um daqueles que tem verdadeira ojeriza por carros chineses, está na hora de rever alguns conceitos. Os chineses estão aprendendo rapidamente a deixar de copiar carros alheios e estão começando a produzir modelos de qualidade, que em curto tempo poderão incomodar marcas tradicionais. Exemplo disso é o Chery Celer, que avaliamos durantes 10 dias.

Toda essa evolução tem lógica. A China é hoje o maior mercado de automóveis, e a maioria das montadoras lá instaladas não tem muita tradição na indústria mundial. Tudo é mais ou menos novo. Assim, o que resta é seguir a receita que as fabricantes japonesas fizeram nos anos 1970-1980 e as sul-coreanas nos anos 1990-2000: invadir os outros mercados com algum diferencial.

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No caso específico da Chery, jovem ainda, fundada em 1997 na cidade de Wuhu, a proposta é oferecer um bom e equipado carro a preços razoáveis. O Celer que avaliamos é prova disso. Este hatch compacto –que a partir de abril de 2014 será o primeiro carro brasileiro da marca- ganhou da fábrica essa estratégia: um carro bom e barato. Normal entre as empresas chinesas que estão desembarcando por aqui, e que fazem isso sistematicamente em mercados onde precisam enfrentar concorrentes já bem estabelecidos.

PELADO?

No Brasil e em outros países, em geral os carros básicos, “de entrada”,  são oferecidos bastante depenados, sem maiores atrativos além do volante e quatro rodas (de aço, claro). É aí que o Celer e outros chineses atacam: a marca equipou o modelo com vários equipamentos de série, onde itens de segurança e conforto são opcionais nos rivais. A Chery fez certinho a lição de casa, oferecendo o difícil “bom e barato”, que já deu certo com japoneses e coreanos, e agora começa a alavancar as vendas dos chineses em muitos mercados.

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O modelo que AUTO&TÉCNICA avaliou é o hatch 1.5 (tem ainda o sedã), trazido da China na mesma faixa de preços de modelos conhecidos no mercado nacional, como os Volkswagen Gol e Voyage e Fiat Palio e Siena, sem contar novidades como Hyundai HB20 e HB20S e Chevrolet Onix e Prisma. Quanto custa? Uma pechincha. O Celer hatch sai por R$ 35.990 (R$ 36.990 o sedã), e para comparar, o Gol 1.0 básico sai por R$ 27.900, mas com os opcionais airbag, ar-condicionado e direção hidráulica, o preço do VW salta para R$ 33.724. O Hyundai HB20 1.0 traz de fábrica os três equipamentos, ao preço de R$ 32.900. Pois o Celer tem, além desses componentes, vidros/travas/espelhos elétrico, som (CD Player com MP3 e entrada USB), ajuste de inclinação do volante, computador de bordo, freios ABS e um econômico e eficiente motor 1.5, entre outrs. Além de não andar por aí “peladão”, não precisa padecer acelerando um motorzinho 1.0.

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Desenvolvida sobre uma plataforma toda nova, o Celer atual– o primeiro é de 2008– é na verdade o primeiro projeto global da marca. O desenho foi encomendado ao estúdio italiano Torino Design, e por isso o carro é atraente. Tem a linha de cintura alta, vidros laterais estreitos e vincos que transmitem a sensação de robustez; dianteira e traseira receberam desenhos bastante felizes. Os desenhistas utilizaram alguns componentes que são de série– para melhorar ainda mais o visual do carrinho, como faróis auxiliares, rodas de liga leve aro 15 e spoiler traseiro.

MOTOR 1.5

O motor é outra boa surpresa. Trata-se de um quatro cilindros 1.5 (1.496 cm3 exatos) flex –tecnologia desenvolvida pela Delphi, de Piracicaba (SP) para ser usada no motor chinês– com 108 cv de potência máxima a 6.000 rpm, e torque máximo de 15 mkgf a partir de 3.000 rpm.  O diâmetro e curso são de 77,4 mm x 79,5 mm, o que privilegia o torque em baixas rotações; a taxa de compressão é de 10,5:1.

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A transmissão é manual de cinco velocidades, com engates suaves e precisos. Com isso tudo, o Celer chega aos 160 km/h de velocidade máxima quando abastecido com etanol. A suspensão dianteira é tipo McPherson, com mola helicoidal e amortecedor telescópico de dupla ação, enquanto a traseira é semi-independente, com braço oscilante longitudinal. A calibragem é um pouquinho dura, mas a estabilidade surpreende. Os pneus usados são 185/60, enquanto os freios usam discos ventilados na dianteira, com ABS e EBD. No modelo avaliado o pedal estava mais baixo do que o desejado.

INTERIOR

E se por fora o desenho italiano do Chery Celer causou boa impressão, por dentro isso se repetiu. Não que haja luxo em abundância, mas o acabamento é correto, bem feito, clean. Os materiais utilizados nos revestimentos internos, apesar de simples, não aparentam má qualidade, com as cores internas sóbrias, dentro do gosto do brasileiro.

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O projeto interno não é ousado, mas é atual e não decepciona diante dos concorrentes existentes no mercado.  O volante tem bom diâmetro, boa pega e não interefere no acesso aos instrumentos. A Chery adotou uma solução que agrada: ao invés de instrumentos com grafismos rebuscados e confusos, o Celer tem os mostradores limpos e simples, iluminados em vermelho: nível de combustível, velocímetro, contagiros e temperatura da água, além de computador de bordo de poucas informações (apenas hora, hodômetro parcial e consumo instantâneo, faltou autonomia). E o consumo instantâneo é informado em litros por 100 km, fora do padrão do Brasil que é em km/litro.

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Os plásticos do painel são duros, mas com encaixes corretos. O sistema de som tem rádio CD Player com entrada USB, na verdade mini-USB, e por isso para usar alguns equipamentos é preciso cabo extra.

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O conforto é bom, pois o Celer acomoda bem quatro pessoas. Um quinto ocupante conta com cinto de segurança abdminal no centro do assento traseiro, mas sem apoio de cabeça. O porta-malas tem 380 litros de capacidade, bom para um hatch desse porte; o Onix tem 280 litros, o HB20, 300 litros, e o Toyota Etios, 270 litros. Porta-objetos estão disponíveis em boa quantidade, e garrafinhas só são acomodadas nas portas traseiras ou junto ao console, pois nas portas dianteiras não há espaço.

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O Celer hatch tem 4,13 metros de comprimento, 1,68 m de largura, 1,49 m de altura e 2,52 m de entre-eixos. Pesa 1200 quilos.

CONCLUSÃO

Antecipando a produção nacional, que será iniciada no ano que vem em Jacareí, SP, o Celer está chegando ao Brasil por meio de importação direta da Chery. A unidade paulista terá papel importante na expansão global da marca, pois essa fábrica será a primeira a funcionar em regime completo de produção, enquanto em outros países opera em CKD, e terá capacidade para produzir 150 mil unidades/ano. A idéia da Chery com o Celer é de comercializar seis mil unidades neste ano, ficando o hatch com 80% do mix.

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Por tudo isso, chegou mesmo a hora de rever alguns conceitos quando se trata de carros chineses de marcas sérias, como as que estão se instalando por aqui (Chery, JAC e Lifan). Uma boa injeção nos estagnados nacionais, afinal, traz de série ar-condicionado; vidros e travas elétricas; vidros verdes; direção hidráulica; travamento das portas a distância; airbags frontais; freios ABS com EBD; faróis de neblina dianteiros e luz de neblina traseira; som com rádio/CD/MP3/USB; vidros traseiros elétricos; rodas de liga-leve aro 15; ajustes de altura do banco de motorista, de altura do farol e de inclinação do volante; pára-choques e espelhos na cor da carroceria; bancos traseiros rebatíveis e computador de bordo.

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Definitivamente, é o fim do carro peladão. Pelo preço, relação custo/benefício e equipamentos, é um carro a ser considerado.

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