Chinesa Great Wall já chegou, vai investir R$ 10 bi e planeja 10 modelos eletrificados

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A chinesa Great Wall é muito clara sobres suas projeções de expansão internacional, e para alcançar maior participação no mercado global, é necessário abrir novas instalações que sejam capazes de fornecer veículos adaptados aos diferentes mercados. Na Europa, a empresa pretendia se instalar em Barcelona, na Espanha, ​​aproveitando a infraestrutura da Nissan, mas as negociações não deram certo e a empresa, que tem uma linha cada vez mais interessante de veículos comercializados sob diversas marcas, desembarcou no Brasil. Mais precisamente em Iracemápolis, Interior de São Paulo, ocupando a antiga fábrica da Mercedes-Benz.

por Marcos Cesar Silva

Com a despedida de Barcelona confirmada, a Great Wall Motors -também conhecida pela sigla GWM, é a maior fabricante privada de veículos da China, fundada em 1984 e sediada na cidade de Baoding- anunciou que fará forte investimento no Brasil para produzir pelo menos 100 mil unidades por ano de veículos com tecnologia de ponta e atender a região da América Latina.

GWM Haval

Os cerca de R$ 10 bilhões serão investidos no Brasil para construir e adaptar instalações, que produzirão até 10 modelos diferentes de quatro das suas marcas. O trabalho direto será dado a mais de 2000 pessoas e a marca pretende enfocar a eletrificação, com modelos híbridos e elétricos. A Great Wall trará as marcas Haval, direcionada aos SUVs; Tank, de off-road e SUVs mais luxuosos; Poer, de picapes e ORA, de modelos elétricos e que produz o interessante Punk Cat, espécie de “tributo” ao Fusca (imagem abaixo). Os 10 modelos previstos serão lançados nos próximos três anos, o primeiro até o final deste ano, ainda importado; a primeira picape está marcada para 2023.

ORA Fusca eletrico chines (2)
GWM ORA Punk Cat

Ainda no ano passado, a Great Wall anunciou a aquisição da fábrica de Iracemápolis (SP), que antes pertencia à Mercedes-Benz. Agora em 2022, a empresa apresentou as instalações e começou a detalhar seus planos para o mercado brasileiro, incluindo previsão de produção e modelos em pauta.

Durante a apresentação, a Great Wall confirmou que os SUVs que serão produzidos no Brasil usarão a plataforma modular LMN, que atende tanto veículos híbridos quanto 100% elétricos, além de modelos movidos por célula de combustível. Todos terão o sistema CFF, de serviços conectados. Além de 5G, o sistema permite atualizações remotas, uso de condução autônoma, comandos de voz e uso de inteligência artificial.

No modelos com a plataforma LMN, os híbridos usarão motor 1.5 turbo como extensor de autonomia, em conjunto com motores elétricos e baterias de até 45 kWh de capacidade. As potências combinadas ficam entre 220 cv e 430 cv, com torque entre 42 mkgf e 78 mkgf.

2022 GWM Tank 300 - YouTube
GWM Tank 300

A Great Wall explicou que os modelos com essa plataforma terão consumo entre 75 km/litro e pouco mais de 200 km/litro. Os híbridos, utilizando carregadores rápidos, podem recarregar 80% da sua capacidade em 30 minutos. A autonomia 100% elétrica destes modelos chegará a 200 km.

Nos veículos 100% elétricos com a plataforma LMN, a Great Wall afirmou que os modelos ainda estão em desenvolvimento e não foram divulgados nem na China. Adiantou apenas que utilizarão baterias com até 85 kWh de capacidade sem aplicação de cobalto. Serão cinco as opções de potência, variando de 60 cv nos modelos mais simples e que podem ir a até 270 cv.

Antes de se tornar fabricante aqui no Brasil, a Great Wall vai comercializar modelos importados, vindos da China. A empresa confirmou que todos os veículos serão 100% elétricos ou eletrificados. Isso inclui híbridos com até 200 km de autonomia no modo 100% elétrico. A empresa terá foco nos SUVs e picapes, inicialmente todos com algum recurso de condução autônoma de série.

Destaques da POER da GWM (PRNewsfoto/GWM)
GWM Poer

A Great Wall está adaptando a linha de montagem de Iracemápolis ao seu padrão de produção, enquanto desenvolve uma rede local de fornecedores e revendedores. A capacidade atual da fábrica é de 20.000 veículos/ano, devendo subir para 100.000 carros/ano em até cinco anos; no início, o índice de nacionalização deverá ficar em torno de 60%.

Os objetivos são audaciosos, e para conquistar seu espaço, a marca investirá R$ 4 bilhões até 2025. Entre 2026 e 2035, serão feitos investimentos de mais R$ 6 bilhões. Na primeira fase, a empresa promete gerar 2.000 empregos diretos e quer faturar R$ 30 bilhões em três anos. Os investimentos incluem um centro de pesquisa e desenvolvimento de fornecedores. Ambiciosa, até o final de 2022 e inicio9 de 2023, a Great Wall quer ter 130 concessionárias em 112 cidades, atendendo 100% do território nacional.

Segundo a Great Wall, a operação nacional da empresa deverá ser a maior do mundo fora da China. A marca tem planos para exportar os veículos fabricados no Brasil para os países vizinhos envolvidos no Mercosul, e também outras regiões da América do Sul.

Resumindo: se você tem alguma restrição para com os veículos chineses, elétricos e/ou autônomos, é bom começar a rever antigos conceitos. Os chineses estão chegando com força, qualidade, muito dinheiro e tecnologia, prontos para encarar a nova fase da indústria automotiva não só brasileira, mas também mundial.


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