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BLOG DOS CARUSO – CHINESES: ALTOS E (MUITOS) BAIXOS

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Chery S-18: falha no pedal do freio.

Chery e JAC brigam carro a carro no mercado brasileiro, e ambas vivem momentos tranquilos, entremeados de situações de pânico. Na verdade, até que me provem o contrário, pânico tem que sentir quem se arrisca a comprar hoje um carro chinês. Por exemplo, a Chery do Brasil convocou no final de janeiro recall de todas as unidades do recém-lançado S-18, o primeiro carro flex de uma marca chinesa atuando no País. A montadora informou que foi detectado problema no pedal do freio (o pedal “entorta”), e a culpa foi creditada a um erro cometido pelo fornecedor do componente, lá na China. Isso não importa, pois é ela que vende o carro no Brasil e por isso assume todas as responsabilidades perante o mercado e o consumidor.

Segundo a Chery, “por equívoco, foram produzidas e entregues as peças sem a alteração determinada pela engenharia, com reforço na haste do pedal e nova fixação em ‘L’”. Até os carros que estavam direcionados a testes das revistas especializadas ficaram no meio do caminho. Alguns literalmente.

A marca chinesa também coloca parte da culpa no anúncio de aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos importados, em setembro do ano passado. Explico: o aumento próximo fez com que a Chery na China acelerasse a fabricação dos carros que seriam remetidos para cá, para aproveitar a alíquota menor. Claro que a pressa é inimiga da perfeição, e ainda de acordo com a marca chinesa, “somente após os primeiros modelos desembarcarem é que foi detectado o defeito no componente”. A Chery  informa que vai trocar o pedal do freio de todas as unidades que estão no Brasil, vendidas ou esperando comercialização.

Assim, as vendas do S-18 foram teoricamente interrompidas até que o problema seja solucionado. Pelos números de emplacamento, menos de 20 modelos estavam licenciados, e o restante ainda está nas concessionárias. O Chery S-18 foi lançado na primeira semana de janeiro com a aura de ser o primeiro “chinês flex” no Brasil. Não quer dizer muito, diante da situação do álcool combustível no Brasil. Completo, o hatch 1.3 (de 91 cv) custa R$ 31.990.

LADA?

Problemas em carros chineses ainda são constantes e comuns: suspensões que deformam, pedais que entortam, calotas que não suportam o calor dos freios, carros com vontade própria que não andam em linha reta, falta de peças… Alguns fazem os velhos Lada parecerem com Cadillac. Qualquer dúvida, dê uma busca no YouTube ou no site da ADAC e veja o que acontece com vários carros chineses em crash tests.

Mas nem tudo é ruim na Chery, e na verdade 2011 foi um ano muito bom –pelo menos para a marca- aqui no Brasil. Comparando com 2010, a montadora triplicou seu volume de vendas. Os emplacamentos saíram de 7.008 para 21.682 unidades, e só o QQ –com sua suspensão estranha- ficou com 46% desse crescimento, com 9.923 emplacamentos. Preço baixo é a resposta para o sucesso do carrinho. E só. Por qual outra razão alguém em sã consciência e com as faculdades mentais rigorosamente em dia gastaria suas economias num modelo sino? Com isso, a chinesa ganhou duas posições no ranking de emplacamentos da Fenabrave, assumindo a 15ª colocação no Brasil. Contando só as associadas da Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos), a Chery manteve o terceiro lugar, com 0,63% do mercado nacional. Hoje ela vende aqui o Tiggo, o Cielo hatch e sedã, o Face e o QQ. Os chineses vão melhorar um dia, como já o fizeram japoneses e coreanos. Um dia.

Já a concorrente da Chery, a JAC, vive uma espécie de inferno astral. Rumores de que a chinesa JAC Motors já estaria começando a fechar concessionárias por conta do aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), estão se confirmando. Por exemplo, a concessionária da avenida Morumbi, bairro nobre de São Paulo (SP), nossa vizinha, desapareceu do site da empresa e do mapa também.

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A JAC Motors queria vender 35.000 carros em 2011, mas vendeu 23.728. Para isso, gastou milhões com o cachê de Fausto Silva e mais outros tantos milhões em publicidade, talvez mal dirigida. A Chery vendeu cerca de 2.000 carros a menos e não usou nenhum global como garoto-propaganda. Sinal claro de que a estratégia da JAC furou, já que (sem trocadilho), a sorumbática figura do ex-gordão Faustão é considerada chata e desgastada por boa parte do mercado. Se fosse o personagem certo, os planos da importadora teriam dado certo, e os 35.000 carros previstos teriam sido vendidos. Resta copiar a estratégia da Chery, que é… nenhuma! Alguns publicitários e marketeiros vão ter de descer do alto de seus tronos e rasgar os diplomas. Compare, por exemplo, com Émerson Fittipaldi “vendendo” o Omega no ano passado. Percebeu?

Se em menos de um ano, uma ou mais concessionárias JAC estão fechando as portas, é claro que a marca vai explicar que isso faz parte do ajuste, que outras vão abrir etc. Erro de planejamento, então. Há quase um ano, com investimento de R$ 380 milhões, foram abertas 50 revendas de uma só vez. A imagen popularesca do Fasutão pode ter até funcionado numa faixa menos abonada de consumidores –a do J3-, mas para o público do J6, é forçar demais. Ainda mais com a apresentadora Ana Maria Braga dizendo ao apresentar o J6 em seu programa: “Tá pensando que esse carro é pouca porcaria?”.

O próximo lançamento da JAC, previsto para março, é o sedã médio J5, que está em exposição em concessionárias da marca. O preço começa em R$ 53.900, com pintura sólida. Entre os itens de série, direção hidráulica, condicionador de ar digital, airbag duplo, ABS, vidro elétrico nas quatro portas, CD Player com USB, volante revestido de couro com regulagem de altura, sensor de estacionamento e faróis auxiliares. Depois do Faustão e Ana Maria Braga, talvez a Hebe ou o Bozo estejam escalados. Por enquanto, carro caro e garoto-propaganda errado.

JAC J5: chega a partir de R$ 53.900.

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