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Chrysler Imperial D`Elegance 1958, o verdadeiro “influencer”

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Quando a marca de luxo Imperial foi desmembrada como uma divisão separada da Chrysler em 1955, a empresa enfrentou a tarefa de diferencia-la do resto dos produtos da corporação, com estilo e características especiais. Isso foi um desafio, claro, mas os estúdios de desenho da Chrysler e o vice-presidente de estilo Virgil Exner abordaram o assunto de maneira radical, com o Imperial de 1958. Na época de sua criação, não se parecia com nada que era oferecido na linha de modelos da Chrysler. O nome Imperial era usado desde 1926, como modelo de luxo da Chrysler.

O Chrysler Imperial foi um modelo projetado por Virgil Exner e aclamado pela marca como “O melhor carro que a América já produziu”. Claro que era uma afirmação muito exagerada, considerando algumas obras-primas sobre rodas produzidas pela Packard, Cadillac, Cord, Pierce Arrow e Duesemberg, entre inúmeras outras. Foi o primeiro veículo Chrysler a ter o pára-brisa envolvente, e foi a interpretação da marca para um automóvel de luxo. Produzidos em número limitado, apenas 11.430 exemplares foram fabricados em 1955.

Nessa balada, veio o conceito Chrysler Imperial D’Elegance, um exercício de estilo desenhado em 1958 pelo mesmo Exner, e sua passagem por esse mundo permaneceu como um carro-conceito, sem ter entrado em produção. Se fosse hoje, seria rotulado como algo próximo de “influencer” (só que para o bem), pois muitas das novidades de estilo apresentadas acabaram sendo usadas em outras linhas da empresa, como Valiant e Imperial. O perfil inclinado do porta-malas, por exemplo, foi incorporado ao Valiant 1960, e o vinco na lateral do carro seria mais tarde usada pelo Valiant, mas posicionado para outra direção.

O nome d’Elegance já havia sido usado em um “carro dos sonhos” da Chrysler anterior, de 1952, projeto Ghia que se parecia com um Karmann-Ghia gigante, um grand cupê de dois lugares, sem nenhuma conexão aparente entre eles, exceto o nome.

O d’Elegance 1958 também foi construído para a Chrysler pela Ghia, na Itália, a um custo relatado de US$ 15.000 (o equivalente a US$ 150 mil hoje), uma fortuna para a época. Mas embora tenha sido construído sobre um chassi Imperial de produção, era estritamente uma maquete, não funcional, incapaz de ser dirigido. A maioria das fotos disponíveis mostram o belo conceito parado, posando para fotos no pátio da área de estilo da Chrysler, em Highland Park, Michigan.

As aletas da traseira, faróis escamoteáveis, lanternas traseiras elevadas e painel foram -com algumas alterações- influências para os Imperial de 1961 a 1963. As luzes traseiras fizeram parte da linha de modelos Dodge de 1962. Outros elementos de desenho foram usados ​​pelo Lebaron, Custom e no Imperial.

O conceito Imperial d’Elegance foi uma combinação de visão de futuro e aproveitamento de elementos de desenho populares mas inatingíveis na época. Ele tinha pára-brisa envolvente, rodas traseiras cobertas e barbatanas traseiras, que eram detalhes chamativos no final dos anos 1950. As maçanetas niveladas com a carroceria, o volante retangular e os faróis ocultos foram algumas das novas ideias de desenho apresentadas à comunidade automotiva.

Dizem que Exner nunca ficou satisfeito com este carro, mas ele está repleto de temas de desenho embrionários que ele usou de forma modificada em carros de produção poucos anos depois: as lanternas traseiras (sem as barbatanas acima) apareceram no Dodge 62 e a sobrancelhas e o formato do capô vieram no Imperial 1960.

É difícil ver nessas fotos, mas as maçanetas das portas são muito incomuns ainda hoje; os botões estão posicionados bem no meio das linhas de corte das aberturas das portas. Como funcionavam, como eram fixados para não prenderem e qual era o sentido estético? Ninguém sabe.

Imperial, como marca, teve idas e vindas. Depois de ser transformado em uma divisão da empresa (1955–75), desapareceu e voltou em 1981, sendo sepultada dois anos depois. O Imperial teve uma distinção incomum em 1981 e 1982, pois foi oferecido com uma edição especial com o nome de uma celebridade. Era o Imperial fs,  um raro exemplo na história automotiva, pois foi um dos poucos carros de produção regular com o nome de uma pessoa famosa.

Esta edição limitada do Imperial estava disponível apenas na pintura Glacier Blue Crystal -a publicidade da Chrysler afirmava que combinava com a cor dos olhos de Sinatra- e tinha um emblema externo especial “fs” (em letras minúsculas mesmo), com uma plaqueta no porta-luvas proclamando “Frank Sinatra Signature Edition”.

O proprietário recebia 16 fitas cassete de títulos de Sinatra, acomodadas em um estojo de couro Mark Cross especialmente feito para isso, que era armazenado em um espaço especial no console, abaixo do painel. Exatos 148 carros da edição fs de 1981 e 279 de 1982 foram fabricados e custavam US$ 1.078 acima do preço normal.

Um honroso final de carreira para o carro que queria ser o “Cadillac da Chrysler”…

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