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Coisas que não combinam: Rolls-Royce e Paris-Dakar

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O piloto francês Thierry de Montcorgé, após um jantar com amigos regado a altas doses etílicas no final de 1980, apostou que conseguiria fazer o rali Paris-Dakar ao volante de um Rolls-Royce e chegar ao final. E faltavam apenas dois meses para a largada.

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O carro em questão era um Rolls-Royce Corniche, nome original do modelo inglês, luxuoso modelo, com um motor 6.8V8 e caixa de câmbio automática de três velocidades. Seria a configuração ideal para enfrentar o Paris-Dakar? Não mesmo…

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O “Jules”, como foi batizado, não competiu com motor Rolls-Royce. O motor usado no clássico foi substituído um Chevy “small block” 350V8, de 5.700 cm3 com respeitáveis 335 cv de potência máxima. A caixa de câmbio também foi trocada, por uma manual de quatro velocidades cedida por um Toyota Land Cruiser. O chassi original foi trocado por outro tubular, e a carroceria reproduzida em fibra de vidro.

Suspensões mais altas, “santoantonio”, bancos especiais e enormes pneus off road completaram o kit do piloto, que esperava ter bom desempenho e assim ganhar a aposta. Foi adicionado ainda um enorme tanque de gasolina, de 330 litros. Com o tanque cheio, o Rolls-Royce Jules pesava cerca de 1300 kg, relativamente pouco para os componentes extras que levou a bordo.

A escolha do nome do modelo foi simples: o principal patrocinador deste projeto era o estilista Christian Dior que, por sinal, tinha acabado de lançar uma linha de perfumes apelidada de “Jules” e foi esse o nome que acabou batizando o pobre Rolls-Royce, que jamais pensou enfrentar dias tão duros em sua existência.

Tudo correu surpreendente bem. Até metade da prova, o Jules mantinha a 13ª posição na classificação geral. Tudo estava indo bem demais, não fosse um problema no sistema de direção ter atrasado o piloto francês, que acabou desclassificado da competição. Trata-se de um defeito até simples de reparar, mas não no meio do deserto, debaixo de Sol de 50 graus. Dos 170 carros inscritos no rali Paris-Dakar de 1981, apenas 40 cruzaram a chegada, e o Rolls-Royce Jules foi um deles.

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O Rolls-Royce Jules não voltou a competir, mas era frequentemente requisitado para participar de encontros e mostras de automóveis. Acabou esquecido por anos, e depois de ser restaurado, este inglês com história fora do comum foi colocado à venda há dois anos por US$ 220 mil, mas até hoje não encontrou nova garagem.


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