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Curiosidade: o Fiat Regata ES 1982 já usava sistema Start/Stop

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O sistema Start/Stop, que desliga e religa os motores em trânsito mais pesado, começaram a se popularizar poucos anos atrás. Mas foi mostrado pela primeira vez pela Fiat, com o Regata ES, no distante ano de 1982, que pode ser considerado o pai do Tempra.

 A Fiat está entre as marcas que mais contribuíram para desenvolvimento do motor de combustão. Para alguns pode ser uma afirmação exagerada, mas para quem segue a história da indústria automotiva, não é uma teoria tão arriscada. Dois exemplos disso são o desenvolvimento do sistema common-rail, que tirou os motores Diesel da pré história automotiva, e mais recentemente o sistema MultiAir, onde também foi pioneira.

A história que AUTO&TÉCNICA traz hoje nos leva a 1982, e conta como foi a invenção do primeiro sistema Start/Stop da história do automóvel. Para iso, é importante esquecer os carros mais atuais, repletos de eletrônica. O primeiro carro da história a utilizar em escala um sistema Start/Stop foi o Fiat Regata ES (de Energy Saving).
 
Isso faz tanto tempo que o Reino Unido dava início à Guerra das Malvinas, declarando guerra à Argentina; a Sony lançava o primeiro leitor de CDs: Michael Jackson chegava ao topo com o álbum Thriller; Elvis havia morrido há cinco anos;  a Itália surpreendeu e foi campeã mundial de futebol pela terceira vez; Keke Rosberg foi campeão na Fórmula 1; morreu Gilles Villeneuve; a novela “Brilhante” fazia sucesso e o Brasil estava em plena ditadura militar.
 
 
Na Itália, ao mesmo tempo em que milhões de italianos comemoravam os gol de Paolo Rossi, uma outra equipe trabalhava duro, composta por engenheiros da Fiat liderados por Mauro Palitto, na época responsável pela engenharia da marca, e colocavam no mercado o primeiro carro da história equipado com sistema Start?Stop.

A Fiat decidiu batizar este sistema de Citymatic.

Mauro Palitto explicou como surgiu a ideia do Start/Stop: interromper o funcionamento do motor a cada imobilização do automóvel, para economizar combustível e poluir menos. E tudo foi uma questão de tempo. Palitto decidiu equipar um protótipo da Fiat com um cronômetro com o objetivo de saber, numa viagem de 15 km em trânsito urbano, quanto tempo o carro passava imobilizado.

Os resultados impressionaram: a cada 35 minutos, o carro passava 12 minutos imobilizado com o motor ligado. Por outras palavras: o motor estava desperdiçando energia e, consequentemente, combustível. Gastando dinheiro e poluindo de maneira desnecessária. Com esses números em mão, os engenheiros da Fiat decidiram desenvolver um sistema que, de forma automática, desligasse o motor sempre que o seu funcionamento não fosse necessário.

 

A Fiat calculou que, com este sistema, podia conseguir economia de pelo menos 7% em ciclo urbano. Mas havia um fator complicante para a aplicação desta tecnologia: seriam os motores de partida convencionais capazes de aguentar as exigências de um sistema destes? Projetados para aguentar cerca de 25.000 partidas a frio, foi calculado que, com o sistema Citymatic, os motores de arranque partida tivessem que aguentar pelo menos quatro vezes mais, ou seja,  100.000 ciclos de utilização.

Para checar isso, o “ingegnere” Palitto colocou em teste 10 protótipos, que eram desligados durante 10 segundos, voltavam a ligar durante 20 segundos, e assim sucessivamente, 24 horas por dia durante cinco semanas.

Para surpresa de todos os engenheiros, após abrirem os motores de partida, descobriram que estavam como novos. Um dos motivos para essa durabilidade dizia respeito ao ajuste do comando eletro-eletrônico do sistema Citymatic, que a 180 rpm desconectava o motor de partida e deixava a compressão do motor fazer o resto.

Com isto, o custo de desenvolvimento do sistema Start/Stop do Fiat Regata ES foi quase nenhum. Apenas horas de trabalho dos engenheiros da Fiat. No entanto, foram necessárias algumas alterações no motor, como reduzir a taxa de taxa de compressão, o que fez a potência do motor 1.3 de quatro cilindro baixar para os 65 cv. O resultado foi o esperado: economia real de 7% em ciclo urbano.

Como acontece hoje, também naquela época havia desconfiança quanto à confiabilidade do sistema Start/Stop. A rede de concessionários da Fiat duvidava do sistema. E os clientes também. Resultado? Estar certo antes de tempo também é estar errado… O sistema Citymatic equipou poucos carros entre 1983 e 1986. Voltou para a gaveta e tivemos de esperar até 1999 para voltar a ver um sistema Start/Stop em outro carro de produção: o Volkswagen Lupo 1.2 TDI 3L.

O Regata saiu de linha em 1990, substituído pelo nosso velho conhecido Tempra.


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