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“Das Auto” ou “Das Picaretagem”? Como a VW fraudou o governo norte-americano

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Como funciona a fraude da Volkswagen? Simples: criar um sistema eletrônico que identifica quando o carro está sendo analisado foi a base da malandragem da marca alemã para enganar os equipa,mentos de testes.

A tecnologia permite quase tudo, mas a Environmental Protection Agency (EPA) norte-americana descobriu como a Volkswagen conseguiu -por meio de um software- contornar os testes de emissões de poluentes dos seus motores diesel.

O comunicado da EPA é claro: usando um software em conjunto com os sensores das rodas e da direção, uma mente brilhante na Volkswagen conseguiu fazer os automóveis equipados com este sistema serem capazes de detectar o momento do teste. “A VW produziu e instalou um software na cadeia eletrônica do módulo central de comando (ECU) destes veículos, que consegue perceber que o mesmo está passando por testes de emissões e não sendo utilizado numa via normal” explicou a agência norte-americana.

O sistema funciona como um interruptor, que permite à ECU saber quando o carro está passando por avaliação, utilizando os sensores das rodas e da direção, dando início à cadeia de ações que conecta todos os sistemas anti-poluição. “O interruptor percebe quando o veículo está em testes nos rolos de dinamômetro ou se roda numa rua, sendo essa sensação baseada nas leituras dos sensores da direção, das rodas –lendo a velocidade das mesmas– a duração do funcionamento ininterrupto do motor e a pressão barométrica. Estes dados permitem identificar o que é um teste ou uma condução em ruas e estrada, tendo inseridos os parâmetros de um teste comum da EPA para a certificação” explica a EPA.

“Detectado o teste de certificação, o interruptor da ECU do motor passava usar um software diferente, que produzia emissões ao qual a VW se referia como ‘Dyno Calibration’ (calibração de dinamômetro), acionando todas as tecnologias anti-poluição. No resto da utilização, a ECU voltava ao mapeamento original (denominado “Road Calibration), reduzindo a eficiência do controle de emissões”, conclui o relatório da EPA. Comenta-se que na verdade a descoberta da fraude se deu depois de uma denúncia anônima de alguém que foi demitido da empresa e não ficou muito satisfeito…

Com o sistema fora da posição “Dyno Calibration” o motor libera entre 10 a 40 vezes mais NOx que os limites impostos pela EPA. Bom lembrar que todos os veículos vendidos nos Estados Unidos têm que ter um certificado de conformidade com as normas ambientais do pais. E para obter esse certificado, um construtor tem que submeter uma lista de sistemas de controles auxiliares de emissões poluentes presentes no modelo em teste. E para a EPA, a definição dos AECD (Auxiliary Emission Control Devices, sistema auxiliar de controle de missões) é “qualquer componente que tenha capacidade sensorial de temperatura, rotação do motor, velocidade do veículo, caixa de câmbio, ou qualquer outro parâmetro cujo propósito seja ativar, modularizar, atrasar ou desativar a operação de qualquer parte do sistema de controle de emissões”. A Volkswagen simplesmente “esqueceu” de declarar este sistema existente na ECU de seus carros…

Ainda segundo a EPA, “devido à existência de sistemas de adulteração de resultados nestes veículos, eles não estão em conformidade com as especificações originais do veículo, descritas nas AECD para efeitos de homologação”. E para a EPA, um sistema de adulteração dos testes de aferição das emissões , “é um AECD que reduz a eficácia do sistema de controle de emissões do qual, razoavelmente, se espera encontrar um veículo normal.  Veículos equipados com estes sistemas não poderão ser certificados”.

Por conta disso, o pesadelo atingiu o Grupo VW, e mais de 11 milhões de unidades estão irregulares. Entretanto, a AECD também já reagiu em comunicado, dizendo que não tem provas que a situação se alastre a outros veículos e marcas. Mas a verdade é que a imagem da marca Volkswagen já está manchada para sempre com este escândalo.

A fraude não atingiu apenas o governo dos Estados Unidos. Fraudar emissões de poluentes significa ainda enganar o consumidor e, pior, trazer prejuízos irreparáveis para o meio ambiente, entre outros. A curiosidade é saber se a marca vai sobreviver a esse escândalo, e se isso acontecer, quais serão as sequelas.


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