DE CARRO POR AÍ, com ROBERTO NASSER

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 DE CARRO POR AÍ, com Roberto Nasser

PREFEITOS, CORRAM

És prefeito de cidade no Sudeste, Sul ? Tens interesse em implantar fábrica de automóveis em seu município ? Acha que será bom para todos, incluindo para as próximas eleições ? Então, prezado alcaide, corra.

A Mercedes-Benz iniciou tabular dados para escolher local para sua próxima usina, e produzir a nova família Classe A. Foca na região Sudeste e Sul considerando logística, facilidades de transporte, rapidez para instalação – mas, naturalmente, considera incentivos.

Rio de Janeiro não quer perder a vez de ampliar o polo automobilístico de Resende e Porto Real e acena, sugerindo se instale ao lado da fábrica da Nissan, em implantação. O governo de Minas, onde em Juiz de Fora está a antiga fábrica do Classe A e agora de caminhões, idem, sugerindo Montes Claros. Mas a Mercedes não quer ir para o norte, preferindo menor distância de portos.

Fosse eu prefeito de Joinville, SC, exumaria a proposta feita há década e meia, quando a cidade estava cotadíssima para receber a fábrica, perdendo-a, na mesa de decisão, para os mineiros. Alemães da Mercedes estão cismadíssimos com a decisão da BMW, seu competidor frontal em automóveis, em instalar-se em Araquari, onde o governo federal prometeu fazer aeroporto intermodal, para passageiros e carga, e estrada direta ao porto de São Francisco do Sul.

Não será apenas uma fábrica, mas a fábrica de automóveis Mercedes na América Latina. Considere-se o presidente mundial, de mandato renovado para retomar a liderança em vendas de automóveis, e o novo presidente local, um homem de automóveis, ex diretor mundial de marketing do setor. Não virá a passeio, nem para encerrar carreira.

Assim, prefeitos, aviem-se, pois decisão em máximos três meses.

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Mercedes-Benz Classe A procura local para fábrica.

 

O Touro, cinquentão, filho da raiva

A Lamborghini comemora nesta semana 50 anos como fabricante de automóveis de grande performance. Italiana, indústria de trocadores de calor e fabricava pequeno trator, o Carioca. Dizem as lendas de época, que Ferrucio Lamborghini, número 1 do negócio, bem sucedido, proprietário de Ferraris, teria procurado Enzo idem, outro industrial, com o mesmo perfil, self made man e igualmente cabeça dura, para reclamar de alguns pontos do carro e sugerir mudanças. Não foi bem recebido, e Ferrari ter-lhe-ia dito que, se não gostasse, construísse um carro a seu gosto.

Lamborghini não gostou, e foi à contestação. Reuniu o de melhor em projetistas de motores, chassis e carrocerias, sugeriu a logo como sendo um touro espanhol Miura, capaz de acabar com cavalinhos empinando na porta de Ferrari e Porsche.

O primeiro modelo foi o 350GT, logo substituído pelo 400.

Cresceu bastante, fez variável curiosíssima de veículo todo terreno. Nos primeiros quarenta anos, a média de 250 unidades/ano, marcando-se em especial pelo talhe vigoroso das linhas e as marcantes portas articuladas a 90 graus do Countach. Há anos se meteu em problemas financeiros por desídia com a base do negócio, os tratores, dedicando-se aos automóveis e seu mundo charmoso.

Há tempos a Volkswagen a adquiriu através da Audi, manteve a engenharia, a criatividade, mas botou ordem no produto e na construção. É o melhor dos mundos automobilísticos: desenho italiano, construção alemã.

Para comemorar o aniversário, evento de porte: 350 unidades da marca, numa fila de 4,4 km, percorrem 1.200 km na Itália, de Milão a Sant’Agata Bolognese, onde fica a fábrica, reunindo amplo leque. Do pioneiro 350GT ao Calà, protótipo de 1995, e o Veneno, recém lançado e festivo em exclusivas três unidades.

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O touro espanhol, símbolo da Lamborghini: annti-cavalinhos…

 

13 de maio, o Dia do Automóvel

Poucos sabem, mas o 13 de maio além de marcar o fim da escravatura, também assinala o Dia do Automóvel, data séria e formal, como define o Decreto 24.224, de 11 de maio de 1934.

Razão é a inauguração, à data e em 1926, da primeira estrada pavimentada no Brasil, ligando a Raiz da Serra, proximidades de Xerém, Duque de Caxias, a Petrópolis, RJ. O ato, assinado por Getúlio Vargas, ditador, pegava carona em iniciativa alheia. A estrada pavimentava a ligação da baixada a Petrópolis através da serra. Dita a Cidade Imperial, pois lá o Imperador Pedro II tinha casa de veraneio e  de ausências às intrigas da Corte.  Era, então, local chique, distinguido para veraneio e fuga do calor carioca.

A estrada, copiando as estadunidenses, não utilizava asfalto – que o país não produzia -, mas placas de concreto – cujo cimento o país também importava, era iniciativa do Automóvel Clube do Brasil, sociedade montada para reunir e promover o uso dos veículos automotores, então misto de símbolo de poder com equipamento de locomoção.

O Rio de Janeiro era a Capital Federal, tinha poder, e o exerceu sobre Washington Luíz, paulista, presidente, cujo lema, à época do país sem ligações rodoviárias, vinha sendo o vitorioso “Governar é construir estadas.”

Com frota de quase 20 mil veículos – 3/4 de automóveis e o restante de caminhões -, para que o carioca de posses fosse a Petrópolis, ou vencia os lamaçais da Baixada Fluminense, as valas e as crateras da Serra, ou apelava para a incoerência da praticidade: colocava o automóvel numa prancha da Estrada de Ferro Leopoldina – também pioneira -, usava o vagão Pullman e fazia a viagem de trem.

A imprensa desancou o governo que apoiou o investimento dos sócios do Automóvel Club e a estrada foi feita.

A data vinha sendo comemorada, quando instituída durante o “IV Congresso Nacional de Estradas de Rodagem”, realizado no Rio de Janeiro na última semana de 1926, e o Chefe do Governo Provisório dos Estados Unidos do Brasil, nome para explicar o estado ditatorial, aproveitou a oportunidade e instituiu a data, como “Dia do Automóvel e da Estrada de Rodagem”. Com o tempo sobrou apenas para o automóvel. As mazelas da construção e desconstrução, os escândalos do setor não merecem festa.

Rio-Petropolis: construção pelos sócios do Automóvel Club.
Rio-Petropolis: construção pelos sócios do Automóvel Club.

 

Roda-a-Roda

Chegou – A Ford anunciou outro motor da família turbinada EcoBoost. É 1.5 quatro cilindros, todo em alumínio, 16 válvulas com variador de abertura, injeção direta e turbo. Produção na Ásia. Migrará para o Brasil na dependência de projetos de exportação, ou por exigências legais de baixas emissões.

Padrão – A Polícia de Dubai incorporou outro veículo apto a perseguições no país de elevada renda e capacidade aquisitiva: Aston Martin One-77 – apenas este numeral produzido. Motor V12, 7.3 litro, 750 cv de potência.

Falta – Na frota há Lamborghini Aventator, Ferrari FF – tração quatro rodas, Bentley Continental GT, Mercedes-Benz SLS AMG. Próximo ? Imagine Bugatti Veyron … Coisa proporcional à renda.

Canhão – A Audi inicia vender localmente o que chama de “veloz perua”, a Avant RS4. R indica disposição extra, S a tração nas 4 rodas. A combinação, motor V8 4.2, injeção direta, 420 cv, turbo, câmbio de duas embreagens e sete velocidades, acelera de 0 a 100 km/h em 4,7s. R$ 438,7 mil.

O que é, o que é ? – Ante falta de agenda ou de interesse da presidente Dilma ir à pedra fundamental ou festividade no canteiro de obras da fábrica Fiat em Goiana, Pe, Sergio Marchionne, presidente mundial veio a ela.

Para o que ? – Coisa contida, levou papel espartano, informando turbinar investimentos no Brasil: R$ 15B entre 2013 e 2016.

O que ? – Sem declarar produtos, franciscano comunicado sequer informou a decisão de fazer fábrica de colheitadeiras em Montes Claros, nordeste de Minas.

Diz, inovará; desenvolverá novos produtos e tecnologias; melhorará processos; expandirá a capacidade produtiva; construirá novas linhas de produção.

Quem ? – Do encontro também nada surgiu em resposta a versões sobre a aposentadoria de Cledorvino Belini, no. 1 da empresa para América Latina. Diz-se, quer emprego mais calmo, tipo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, onde corre uma de suas invenções, o Inovar Auto. Substituiria o ministro Fernando Pimentel se candidato ao governo de Minas.

Mineirês – Curiosamente, seu projetado substituto, Vilmar Fistarol, estava na reunião com Marchione e Belini. Autoridade, mas presença tematicamente graciosa, e nada a ver com o encontro – ele comanda as compras mundiais. Coisa de Minas, onde tudo pode acontecer, inclusive nada …

Grande – Segmento no Brasil considerado de veículos grandes, o do Ford Fusion retornou à liderança. Vendeu 924 unidades em abril, 61,3% da classe. Equilíbrio entre o motor 2.0 turbo e o 2.5 flex, separados por R$ 7 mil. Consumidor pouco entende do riscado. O Turbo deveria ter enorme vantagem.

Mudança- Fiat Freemont muda em junho. Transmissão automática com 6 velocidades. Nada muda e muda tudo. As duas marchas adicionais melhoram substancialmente o prazer em dirigir.

Dançamos – A indefinição do governo brasileiro quanto ao programa Inovar Auto foi razão citada pela Audi para optar pelo México para sua fábrica latino americana, onde declarou ter encontrado clima ideal, relata o bom sítio Autofato.com.br.

Situação – A decisão considerou os temores dos índices atuais, inflação sem gestão, balança comercial deficitária, mas o principal parece inconsistência em planejamento, o excesso de palpites e a ausência de densidade em planos e projetos para o futuro. No México a Audi quer fazer 150 mil unidades anuais.

Mercado – Curiosidades do mercado argentino. Vendas de abril mostraram líderes Peugeot 207 e Renault Clio, modelos antigos desbancaram outro mais antigo, o Chevrolet Classic. Única novidade, Ford EcoSport, 4º. em vendas.

Alfa – Para cutucar alfistas brasileiros, sem acesso à marca, informa-se, os hermanos compraram 70 Alfa Romeo entre MiTo e Giulietta no mês passado.

Varejo – Na arrancada de promoções buscando incumprida projeção de vendas, nova campanha de varejo, “Todas em Uma Chevrolet”, o ator Rodrigo Faro chama atenções para os 10 novos modelos lançados em ano e meio. Criada pela agência Salles Chemistri, da rede Publicis.

P’ra valer – Hoje maior montadora de caminhões na América Latina, a MAN implanta Parque de Fornecedores para facilitar processos e aumentar capacidade industrial. Meritor e Suspensys estão em 10.000 m2 nas instalações da MAN, e Maxion, Master e Rassini irão até o fim do ano.

Processo – A MAN comprou a VW Caminhões, que em Resende, RJ, implantou sistema prático de montagem de veículos, o Consórcio Modular. Por ele o fornecedor se instala na fábrica do cliente e agrega seus componentes ao produto. Quer produzir 100 mil unidades/ano.

Ao quadrado – Em Curitiba, Pr, a segunda concessionária brasileira para vender produtos AMG. É dos melhores mercados nacionais para artigos caros. AMG é o braço esportivo-performático da Mercedes-Benz, melhoradora da disposição dos carros da marca. Mercedes AMG é o charme do charme.

E agora ? – Dentre as irresponsabilidades acobertadas da administração pública está o fim do autódromo do Rio de Janeiro. Seccionado, mutilado, inutilizado, foi tomado pelo Estado para fazer alguma arena esportiva para as Copas. Copa é palavra mágica.

Solução – A enorme área na valorizada Barra da Tijuca e arredores, foi  trocada por campo suburbano, do Exército. Agora descobriram, é local de exercício de fogo de guerra, contém incontável número de bombas não detonadas, classificado como de risco máximo de explosão.

E ? – É um perigo angolano enclavado no Rio de Janeiro. Militares calculam 18 anos de riscos para limpar a área, e ninguém falou em devolver o autódromo antigo, em terreno doado por particular para o específico fim. A propósito, o projeto do governo carioca, sem trocadilho, é uma bomba.

Escola – Indicação entre 35 mil universitários de todo o país, o Hyundai HB 20 foi escolhido o “Carro Universitário do Ano”. Antes foram Peugeot 206, VW Fox, GM Agile e Fiat Novo Palio.

Ó DúvidaTens Ferrari com alguns anos de uso, quilometragem mínima, e não sabe o que fazer para não ser apagado em charme e atração pela compra de modelos mais novos por seus amigos e turma ? Leve-a a Pebble Beach.

Clareando – Não para estar exposto no super concurso de hiper elegância, pois aí brasileiros nunca expuseram. Mas há quebra galho latino: Concorso Italiano, um dos eventos do fim de semana na festiva península de Monterey, Ca, EUA.

Fácil – O Concorso, aberto a carros italianos é, dir-se-ia, meia boca, mezza bocca, e aceita-os até 2004. Você inscreve o seu automóvel, embarca-o em avião da Delta ou Korean Airlines, pousa em Los Angeles, pega a Route One e bordeja a costa californiana, fazendo charme com a brasileira placa de licença.

Charme – Para dar mais sustança à aventura, inscreva-o para ser julgado. Júri profissional, regras das associações Ferrari, o relatório custa apenas US$ 35. À volta, entre dizer que seu Ferrari esteve em Pebble Beach – mesmo tenha sido no estacionamento – e charutos, conhaques, e o desconhecimento da turma, você pode, descuidada e como quem nada quer, deixar o papel sobre a mesa. A prova do charme. A fim ? www.concorso.com

GenteEduardo Hiroshi, 35, jornalista, foi-se. OOOO Profissional de qualidade, editava o suplemento Máquinas do paulistano jornal Agora, com larga experiência em assessorias de imprensa. OOOO Invulgar capacidade analítica e surpreendente competência para fazer graça, mesmo sendo contido, comportado e nissei. OOOO Decidiu ir-se antes do combinado. OOOO

O Senhor Volkswagen

Wolfgang Sauer assumiu a presidência da Volkswagen do Brasil em 1973. Vinha da Bosch e deveria se dedicar ao futuro da empresa. Sucedia a Fritz Schultz-Wenk, implantador da marca; Rudolf Leiding, promovido a presidente mundial, e Werner Schmidt, de breve passagem, eleito diretor na matriz.

Tinha então 37 anos. Simpático, objetivo, articulado, a missão era manter liderança, crescimento e lucros. Recebeu o lançamento do Passat, acertou as inconsistências da primeira série, esticou a vida dos produtos com motor refrigerado por ar, incluindo fazer o Variant II, inexistente no mundo.

Corajoso, bancou criar nova família automobilística para o Brasil, inexistente no mundo, a do Gol. Projeto local e líder por décadas, garantidor de bons resultados para a montadora e sua rede. É o primeiro projeto exclusivo no país.

Fez negócios interessantes. Entrou num ônibus, cruzou o deserto e exportou Passats 4 portas para o Iraque, pagos em petróleo à Petrobrás. Depois, quando o mercado dos EUA se decepcionou com o Yugo, levou o Voyage aos estadunidenses. É o único carro brasileiro para lá exportado em larga escala. Aqui não teve êxito para fazer o jipe VW 181.

Era interlocutor confiável, assim visto pelo governo como referência no setor. Juntou VW e Ford na Autolatina, e conduziu a empresa até 1993.

Foi-se recente e subitamente, em pleno gás e novos negócios, como a construção de fábrica de semi condutores para o grupo de Eike Batista. Dias antes havia lançado livro sobre sua história e com o título da matéria.

Sauer, o senhor Volkswagen.
Sauer, o senhor Volkswagen.

 

 

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