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Do Chevrolet Corvair até hoje, a história dos motores turbo

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O problema é que se aplicava a alimentação forçada, com turbo ou blower, em motores não projetados para isso, e as quebras eram inevitáveis. Os motores hoje são concebidos para a sobrealimentação, com todos os reforços necessários. 

Antes devemos entender como funciona um turbo, o que é seu uso e o que obtemos graças a ele. O principal objetivo deste sistema é queimar o combustível de forma mais eficiente para alcançar uma maior explosão, graças ao qual obteremos números de torque e potência maiores, aproveitando os gases de escapamento do mesmo motor. Ao introduzir o ar pressurizado dentro da câmara de combustão, percebemos que toda a energia que foi antes perdida pelo escapamento, foi usada de forma mais efetiva, além de diminuir as emissões.

Um turbo é dividido em dois corpos, um deles é o corpo associado com o escapamento e outro corpo na admissão. O primeiro é feito de ferro fundido porque terá que suportar temperaturas muito altas, que podem ultrapassar os 600ºC . Uma turbina comunica ambas as peças, e os gases de escapamento fluem por ela, fazendo com que se mova em alta velocidade. Por outro lado, a turbina fornece o ar e traz para o motor uma sobrepressão Isso gerará aumento de potência e torque .

Uma vez que melhor entendemos o funcionamento do turbo, devemos lembrar que o seu inventor foi o suíço  Alfred Büchi , que em 1903 começou a experimentar um sistema muito primitivo de turboalimentação, mas que daria as bases para os motores turbo de hoje.

Em 1905, ele registrou uma patente, onde explicava que os motores de combustão interna perderam dois terços da sua energia sob a forma de calor por meio do tubo de escapamento. Sua missão era resolver esse problema, e com sua invenção tão rudimentar, ele apontou os princípios de uma tecnologia praticamente igual àqueles que temos hoje.

Anos depois, após ter conseguido resolver uma série de erros na fase inicial, ele voltou a patentear um sistema melhorado em 1915 e, em 1925, seu sucesso foi alcançado quando ele conseguiu aplicar um turbocompressor em um motor a diesel. Aqui encontramos uma das chaves deste sistema, que é a sua grande eficiência quando associado a um motor diesel. 

Outro marco na história dos motores turbo veio com o revolucionário Chevrolet Corvair, que foi lançado no mercado norte-americano em 1962, o primeiro carro de grande série a incorporar essa tecnologia.

E por que se tornou mais popular no diesel? O turbo faz com que mais ar entre no cilindro, comprimindo-o sob o mesmo deslocamento e velocidade do motor (rpm). Além disso, as pressões atingidas no final do curso de compressão e especialmente no curso de expansão são muito maiores (40-55 bar) do que nos motores a gasolina (15-25 bar).

Nomeado no início como “The Porsche of the Poor” )algo como “O Porsche dos Pobres”) por sua semelhança mecânica com a Porsche 356, o Corvair era um veículo com características muito atraentes para seu tempo. Inicialmente equipado com um motor boxer de seis cilindros, depois o  Corvair Monza Spyder  recebeu um motor turbo srrefecido a ar.

   
 Dos 80 cv iniciais (aspirado), o Corvair foi para 150 cvde potência e 28 mkgf de torque, entre 3.200 rpm e 3.400 rpm, o que o tornou um carro rápido e mais potente. No entanto, a falta de uma válvula de alívio da pressão forçou algumas mudanças no motor. Logo depois, um novo motor, também turbo, batizado de “Turbo Rocket”, baseado em um 3.5V8 e desenvolvido pela  Oldsmobile, também aterrissaria no mercado.  
 
Com o tempo, surgiram vários problemas e quebras, que o condenaram ao desaparecimento, dada a sua baixa confiabilidade .

Embora este primeiro passo na indústria automobilística não tenha sido bem sucedido e a Oldsmobile tenha oferecido gratuitamente a alteração nos motores para que voltassem ao sistema tradicional, anos mais tarde, surgiram novos modelos que também apostaram na sobrealimentação. O BMW 2002 Turbo foi um deles. Lançado no mercado em 1973, foi de curta duração por conta de muitos problemas, uma vez que o sistema de turbo e o consumo de combustível não falavam a mesma língua. Tudo mudou com a chegada do Porsche 911 Turbo , que em 1974 se tornou o carro de produção mais rápido do mundo.

O turbo não tinha grande prestígio na indústria automotiva, mas após o compromisso da Porsche com este sistema em 1974, alcançou o marco comercial essencial para o sucesso dos motores turbo no futuro.

Apenas alguns anos depois, em 1978 viria o Saab 99 Turbo, outro clássico que, graças ao turbo, aumentou sua potência em até 44%, o que permitiu números como 145 cv a 5000 rpm e 37% a mais de torque, saltando para 23 mkgf. Um carro que surpreendeu na época por sua excelente combinação de conforto e desempenho. 

Mas se existiu um carro que mudou profundamente a história dos motores turbo foi o Mercedes 300SD, outra a prova de que a combinação de turbo e motores a diesel é perfeita. Uma vez que o ciclo de combustão de um motor diesel depende da alta compressão e eficiência do motor, ficou claro que os turbodiesel teriam excelente futuro pela frente.

Foi então que a Maserati chegou e perguntou: “Por que ficar emparar em um turbo se podemos colocar dois”? Com esta pergunta vieram os motores twin-turbo, e o primeiro veículo a ser assim equipado foi a Maserati Biturbo. A teoria dizia que o uso de dois turbos em paralelo reduziria o “atraso” de resposta do turbo, mas na prática isso nem sempre acontecia, embora permitiu números de potência e torque muito maiores. 

A mesmo Porsche apresentou anos depois com o Porsche 959, que é considerado um dos precursores dos supercarros modernos.

O Porsche 959 foi inicialmente desenvolvido como um carro de pista do Grupo B, mas nunca participou disso. Graças ao seu motor turbo e sua aerodinâmica revolucionária, obteve números como surpreendentes de desempenho, com no mínimo 450 cv de potência graças ao uso de dois turbocompressores KKK em paralelo. Seu desempenho parecia ser de outro planeta, e foi o carro mais rápido do mundo durante bom tempo, superado apenas pela Ferrari F40 e seus 530 cv.

Agora, temos que nos perguntar: para onde vão os motores turbo? O futuro da turboalimentação passa, é claro, pela eletrificação, conhecida como “turbocompressores eletrônicos”, que promete uma grande revolução no futuro não muito distante. E enquanto os turbocompressores que conhecemos hoje convertem os gases de escapamento em ar comprimido para alimentar o motor, os turbocompressores elétricos -ou mesmo eletrônicos- desviariam da energia elétrica gerada para um condensador. 

Isso armazenaria a energia de forma muito semelhante ao KERS na Fórmula 1, e funcionaria alimentando o compressor quando o turbo não estiver disponível nas melhores rotações.

 


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