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Elétricos: Toyota investe em transporte compartilhado na França

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Não no Brasil, que insiste em ignorar o assunto, acreditando na imposição que etanol é a solução para os combustíveis alternativos e rodízio resolve a questão do trânsito. Mas no Primeiro Mundo existem muitos projetos em relação ao futuro dos transportes públicos, sobre a criação das cidades inteligentes e outras inovações desenvolvidas, para tornar as cidades e os transportes urbanos mais agradáveis e fáceis de utilizar nos próximos anos. No entanto ainda são poucos os exemplos concretos disso, mas existem. Quando a volta às aulas se iniciar, logo após o período de férias de verão europeu, este sonho vai tornar-se realidade, na cidade de Grenoble, na França, e também na área periférica à cidade, fazendo dos Alpes Franceses a região pioneira no transporte do futuro.

Em outubro de 2014, 70 veículos Toyota i-ROAD e COMS, ultra-compactos elétricos, apoiados por 30 postos de carregamento,  vão entrar em serviço por um período de três anos, graças à parceria entre Grenoble e a sua área metropolitana, a Companhia de Energia Francesa (EDF), a Citélib (operadora de postos de carregamento locais) e os veículos japoneses da Toyota.

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Ligando as infraestruturas existentes da rede de transportes públicos, a um novo sistema de compartilhamento de carros, vai complementar o Citélib, o atual serviço de uso comunitário de carros de Grenoble, permitindo aos habituais usuários utilizar um veículo elétrico compacto (EV) num determinado ponto e deixá-lo em outro local. Este projeto tem também como objetivo promover a interligação entre os transportes públicos e um novo tipo de transporte pessoal, recorrendo a veículos de pequenas dimensões, bem compactos, que permitem ocupar menos espaço em comparação com um veículo normal. Assim, permite que os usuários possam rodar os quilómetros inicias e/ou finais, com maior flexibilidade e economia de tempo, contribuindo também para a redução do congestionamento do tráfego e melhora da qualidade do ar no centro das cidades.

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Recentes tendências sociais do comportamento dos consumidores deixam claro que a mobilidade sustentável é um dos itens que vai ser implementado nas novas áreas urbanas. A única questão é saber a qual velocidade este mercado se desenvolverá”? Pesquisas mostram que o trajeto médio na Europa demora entre 40 a 50 minutos. As pessoas usam cada vez mais os transportes públicos, mas a maioria ainda têm que caminhar cerca de 15 minutos para chegar ao destino. As novas tecnologias, combinadas com as soluções de inovação dos transportes, vão permitir maior flexibilidade de mobilidade nos transportes urbanos, e, sem dúvida torna-se o ponto de partida para as futuras cidades inteligentes.

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Imagine a seguinte situação, retratada na Europa, mas que poderia acontecer em São Paulo ou no Rio de Janeiro: segunda-feira de manhã. Você sai do seu apartamento situado na periferia de Grenoble às 7:25 para ir trabalhar. Ainda com algum sono, pega um bonde (sim, lá o sistema de bondes funciona e muito bem), que consome 20 minutos de viagem. Depois, deixa o bonde e espera pelo ônibus  cerca de cinco minutos. E 10 minutos depois, o ônibus o deixa a cinco minutos do seu escritório. São 8:05. Está outra vez atrasado para a reunião das 8:00 e não teve tempo para o café. Muitas vezes, para conseguir maior flexibilidade de horários, recorre ao automóvel. Dirige pela cidade, mas isso significa que tem de acordar mais cedo, por volta das 7:15, sem a garantia de chegar a tempo, por conta do trânsito congestionado e por ter de encontrar um lugar para estacionar.

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Esta história é familiar? Com o sistema adotado em Grenoble, ficam eliminados o stress, a ansiedade e os atrasos. Durante a sua viagem de bonde, utilizando o smartphone e por meio de aplicativo específico, verifica quais os i-ROADs estão disponíveis até ao seu destino. Com poucos clics é possível reservar o carro e fazer o pagamento. Por meio de outro aplicativo, pode também saber como está o tráfego e os horários dos transportes públicos antes de sair de casa, para assim poder planejar melhor o percurso de cada dia. Assim que termina a viagem de bonde, basta apresentar seu smartphone no posto de carregamento para liberar o seu i-ROAD.

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Em seis minutos faz a sua viagem até ao posto de carregamento mais próximo do seu escritório, a dois minutos de distância. São 7:53, ainda com tempo de tomar o seu café e chegar a tempo da reunião das 8:00. Conseguiu economizar 30% do tempo da sua viagem. Se precisar de ir a outro locar nessa manhã, não há qualquer problema. Existem cerca de 30 postos de carregamento em Grenoble, uma rede densa o suficiente para ficar o mais próximo possível do seu destino.

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Ao reunir as respectivas obrigações de cada parceiro, o projeto de Grenoble proporciona serviço inovador, que permite a avaliação integral do potencial desta nova forma de mobilidade, em contexto real. “A comunidade de Grenoble e da zona metropolitana dos Alpes tem sido sempre muito receptiva a projetos arrojados e inovadores” explica Christophe Ferrari, presidente da Grenoble-Alpes Métropole. “Em termos de escala a área é perfeitamente adequada para este tipo de teste, e, Grenoble é uma cidade que se adapta facilmente às novas tecnologias. A própria parceria entre o município, a Toyota, a EDF e a Citélib é também uma inovação na França”, acrescentou. “É, sem dúvida, uma excelente oportunidade para testar este tipo de solução na nossa comunidade. Ao longo de três anos e de forma exclusiva na Europa, esta vai ser uma nova forma de mobilidade que não é só totalmente inédita, mas também é econômica e ecológica. Acredito que este inovador sistema de mobilidade tem de ser transposto para outras cidades para o benefício de todos os cidadãos”.

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A dimensão deste projeto integrado e bastante complexo era impossível de realizar sem as parcerias e a colaboração de várias entidades, sendo a chave para o sucesso o conhecimento e experiencia em cada uma das áreas, incluindo também o poder local e as comunidades. A EDF contribuiu com cerca de 30 postos de carregamento no âmbito do projeto, mas também com a sua experiência em mais de meio século na mobilidade elétrica, tanto no armazenamento da energia em baterias, como na gestão de infraestruturas de carregamento. A EDF tem como objetivo acompanhar os clientes públicos e privados na transição para meios de transporte mais sustentáveis, que façam menos ruído e sem qualquer emissão de CO2. Christina Missirian, diretora da EDF Commerce Rhone-Alpes Auvergne, afirmou: “Para se tornar a cidade do futuro, Grenoble tem de ser atraente economicamente e proporcionar bom nível de vida. A mobilidade elétrica oferece esses objetivos, permitindo ser um complemento real e eficaz a outros tipos de transporte. Assim, conseguimos oferecer uma fusão entre os transportes tradicionais com os transportes inovadores.”.

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A Sodetrel, subsidiária da EDF, disponibiliza sua experiência considerável a este projeto na gestão das infraestruturas de carregamento de veículos elétricos e dos PHEVs, assim como na gestão comercial dos serviços de carregamento e a partilhamento dos veículos para os setores públicos e privados. A Toyota vai participar disponibilizando os 70 veículos elétricos que vão ser utilizados no projeto: o Toyota COMS (veículo de um lugar, quatro rodas e um pequeno porta-malas) e o Toyota i-ROAD (dois lugares, três rodas e tecnologia Active Lean). Este último introduz uma nova e divertida forma de conduzir. Extremamente compacto, combina a agilidade de uma moto ou scooter, com o conforto e estabilidade de um automóvel.

São necessários quatro Toyota i-ROADs para ocupar o lugar de um carro convencional. A Toyota também está desenvolvendo um sistema de gestão de dados que vai permitir a visualização e reserva dos veículos. Integrado com o sistema de transportes públicos de Grenoble, permite ao usuário planejar sua rota utilizando os diferentes meios de transporte, por meio do smartphone. O  sistema Citélib by Ha:mo é da Toyota. O aplicativo “Ha:mo” (abreviação de mobilidade harmoniosa) é o primeiro projeto desse tipo fora do Japão. “Este conceito encaixa perfeitamente na nossa visão de mobilidade futura, que está baseada em quatro pilares: segurança, conforto, facilidade de uso e ecologia”, comentou Michel Gardel, vice-presidente da Toyota Motor Europa. “O Ha:mo foi projetada para reduzir o stress causado pelos engarrafamentos, horas de rush e procura de um lugar de estacionamento. Também permite a redução significativa das emissões de CO2, que causam a má qualidade do ar nos centros das cidades”, acrescentou.

A Citélib foi escolhida pelo seu passado no compartilhamento de carros na região, contando com mais de 10 anos de experiência. “No topo da nossa oferta de veículos, de dois a nove lugares, o Citélib by Ha:mo vai preencher uma lacuna importante para as viagens de curta distância, permitindo que os nossos clientes se desloquem num veículo que pegam em determinado local e deixam noutro.”, explica Martin Lesage, diretor geral da Citélib. “Temos assistido o aumento anual de 30% na adesão ao sistema de partilha de veiculos em Grenoble, e a disponibilização deste serviço atrai 50% dos consumidores privados e 50% públicos. Este sistema contribui significativamente para o desenvolvimento da atividade econômica em toda a região metropolitana e também tem contribução importante na ligação dos vários polos universitários com os centros de pesquisa e das empresas locais”.

Grenoble tem sido uma cidade inovadora. O famoso “Presqu’île” -parque de ciência e tecnologia- é o centro de muitas instituições e de empresas européias de prestígio, como o CEAou a ST Microelectronics. O slogan deste parque é “concretizar o que imaginamos para a cidade do amanhã”. A universidade tem mais de 60.000 alunos, num dos pólos mais modernos da França. Em 1987, Grenoble foi a segunda cidade francesa, depois de Nantes, a reintroduzir os bondes elétricos. Em 2013, 78 milhões de pessoas utilizaram a rede local de transportes públicos. Hoje, a quinta linha de metrô de superfície está começando a operar. Outros meios de transporte ecológicos também têm um lugar importante no sistema de transportes da cidade, como as 5.000 bicicletas “Metrovélo” e os mais de 320 quilômetros de ciclovias.

Os habitantes da comunidade metropolitana de Grenoble já podem fazer um pré-registo na Citélib by Ha:mo. Ao serem os primeiros a se registar ao longo do verão, vão receber créditos para usar o serviço no futuro, quando se tornar operacional, já no próximo mês de outubro.

 Enquanto isso, no Brasil…

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