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EMERSON FITTIPALDI – LOTUS 72D: A PERFEIÇÃO

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Há 40 anos, no dia 10 de setembro de 1972, Emerson Fittipaldi entrou para a história. Mas não sozinho. Foi a bordo de um dos mais belos e eficientes carros da história da Fórmula 1, a Lotus 72D da equipe John Player Special.

 O 72D dava sequência aos conceitos de aerodinámica da carrocería em forma em cunha que Colin Chapman lançou com o Lotus 72 em 1970, o carro que matou Jochen Rindt. A Lotus 72D chegou à perfeição nas mãos de Emerson Fittipaldi, e permitiu que ele fosse o primeiro piloto brasileiro a conquistar o título de Campeão do Mundo de Formula 1 em 1972. Foi o campeão mais novo da categoría, marca que só foi quebrada em 2005 pelo espanhol Fernando Alonso. Fittipaldi ainda foi vice em 1973, campeão em 1974 e vice em 1975.

A Lotus 72D tinha o bico bastante baixo e plano, os radiadores montados nas laterais, carrocería com perfil afilado e generoso aerofólio na traseira. Na prática, tinha boa velocidade em retas e maior estabilidade em curvas. Esta carroceria deu à Lotus 20 vitórias, com os modelos 72C (cinco vezes), 72D (sete) e 72E (oito). O Lotus 72D também inovou ao ser um dos primeiro carros a utilizar a entrada de ar para o motor, suspensão por barras de torção e freios a disco dianteiros internos.

OUTRO ESTILO

Para o campeonato de 1972, Emerson Fittipaldi preferiu usar técnica de pilotagem menos agressiva, o que aliado à confiabilidade do Lotus 72D e ao seu talento, resultou no título de Campeão do Mundo. Foi em 1972 ainda que a Lotus recebeu o patrocínio dos cigarros John Player Special, fundamental para a evolução do carro e estruturação da equipe.

O genial Colin Chapman encontrou com a John Player, a Lotus 72D e Emerson Fittipaldi a motivação que tinha perdido com a morte de Jochen Rindt em 1970. Emerson era o primeiro piloto e o australiano Dave Walker o segundo, uma imposição do patrocinador, que quería aumentar suas vendas na aterra dos cangurus. Sem problema, pois Emerson receberia todas as atenções da Lotus.

Fora toda a fórmula do sucesso montada, aquele ano ficou facilitado devido a algumas quebras de suspensão da Tyrrell e a uma úlcera que abateu o escocês Jackie Stewart e o incomodou em diversas provas, impedindo ele de participar do GP da Bélgica. A dupla Stewart-Tyrrell era o adversario a ser batido.

COMO FOI

O campeonato de 1972 começou com uma vitória de Jackie Stewart e sua Tyrrell no GP da Argentina. Emerson Fittipaldi não terminou aquela prova. No GP da África do Sul, Emerson ficou em segundo lugar, com a vitória do neozelandês Dennis Hulme (da McLaren). No terceiro GP da temporada, a história começou a mudar, quando Emerson e a Lotus conquistaram a primeira vitória do ano, a segunda da carreira de Fittipaldi.

No GP do Mónaco, debaixo de um temporal, quem ganhou foi o francês Jean Pierre Beltoise, da BRM. Foi a única vitória do piloto –cunhado de François Cevert- e também a última vitória da BRM na Fórmula 1. Emerson foi ao pódio em terceiro lugar, resultado excelente. Era o líder do campeonato, enquanto Stewart somava dois abandonos, uma vitória e um quarto lugar.

 No GP da Bélgica, Emerso venceu mais uma vez, e Stewart ficou de fora por causa da úlcera (que segundo as más línguas, tinha nome e sobrenome: Emerson Fittipaldi). Nos GP da França e Grã-Bretanha, os dois primeiros classificados foram os dois, apenas invertendo as posições: na França, Stewart venceu Fittipaldi, enquanto na Grã-Bretanha, Fittipaldi derrotou Stewart.

FOGO!

No GP da Alemanha, no longo circuito de Nurburgring, o belga Jacky Ickx venceu, dando à Ferrari a única vitória nos anos de 1972 e 1973. Fittipaldi não terminou a prova, pois um vazamento de óleo do câmbio provocou incêndio na traseira da Lotus, enquanto Stewart saiu da pista na penúltima volta, quando estava em terceiro.

Nos GP seguintes, Áustria e Itália, Fittipaldi conseguiu mais duas vitórias e garantiu o título mundial em Monza, há exatos 40 anos, quando ainda faltavam duas corridas para o fim do campeonato. Stewart não pontuou nestas duas provas. No Canada e nos Estados Unidos, com o campeonato já decidido, Stewart conseguiu mais duas vitórias para a Tyrrell, e Emerson não pontuou.

Emerson Fittipaldi venceu seu primeiro o campeonato com 61 pontos (cinco vitórias) e Stewart foi segundo com 45 pontos (quatro vitórias); Emerson fez ainda três poles e não marcou nenhuma melhor volta. A Lotus conquistou o título de construtores com 61 pontos (cinco vitórias). Os pilotos do Lotus 72D em 1972 foram: Emerson Fittipaldi, Dave Walker, Dave Charlton, Tony Trimmer e Reine Wisell.

O CAMPEÃO

Emerson x Stewart: vida fácil?

Diferente da Fórmula 1 de hoje, onde qualidade é muito menos importante que dinheiro, o título de Emerson Fittipaldi ganha ares heróicos ao lembrarmos que ele teve que enfrentar adversarios do nível de Jackie Stewart, Ronnie Peterson, François Cevert, Jacky Ickx, Denny Hulme, Jean Pierre Beltoise, Clay Regazzoni, Graham Hill, Peter Revson, Mike Hailwood,  Chris Amon, Mario Andretti e mais uma dúzia de outros talentos. Por isso, todos os aplausos são poucos para nosso campeão.


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