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Escândalo VW: chefão da marca foi avisado da fraude em 2014

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A Volkswagen admitiu em comunicado que os primeiros alertas referentes à fraude nas emissões dos seus motores diesel foram dados em 2014, mas que a cúpula diretiva da época, liderada por Martin Winterkorn (foto abaixo), não deu importância ao caso.

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O reconhecimento disso foi feito em comunicado onde aborda, novamente, a questão das emissões em resposta a uma ação judicial interposta na Alemanha contra a marca.

Segundo aquela informação, foi enviada a Winterkorn em maio de 2014 uma nota indicando eventuais situações de manipulação dos testes de emissões poluentes nos Estados Unidos, mas que a mesma “não recebeu inicialmente particular atenção em nível de direção”.

O comunicado não informa, no entanto, se Winterkorn leu o aviso que lhe foi dado naquele momento ou quem a enviou para o chefão da Volkswagen.

Detalhando a fraude

A marca estabelece ainda um pano de fundo cronológico detalhado para este assunto, retornando mesmo ao ponto inicial, em 2005, com a “decisão estratégica da Volkswagen para começar uma grande campanha de venda de modelos diesel nos Estados Unidos para facilitar a expansão desta tecnologia que, na época, era já muito popular na Europa. Para isso, a empresa decidiu desenvolver um novo motor diesel com designação EA 189 (Nota da Redação: o mesmo que equipa a Amarok vendida aqui) que apresentasse alto desempenho e que fosse eficiente em termos de custos de produção”.

Notando que os limites para as emissões nos Estados Unidos “são restritos”, a “um grupo de pessoas –cuja identidade ainda está sendo investigada– em níveis de decisão abaixo da direção de desenvolvimento de motores do grupo” ficou decidida de que forma seriam resolvidos os conflitos entre custos e tempo de desenvolvimento do projeto EA 189 para  adequar tudo às normas dos Estados Unidos: modificar -ou fraudando- o sistema de gestão de software do motor. Com esta alteração de software, “os valores de emissões gerados em bancos de ensaio diferiam substancialmente dos obtidos em condições reais de direção”, pode-se ler no comunicado.

Completando o documento, a Volkswagen adianta que “esta modificação de software egigia uma modificação mais significativa do sistema de gestão do motor, o que a Volkswagen lamenta expressamente”, acrescentando que essa modificação -tipo de estelionato- permitia assim ficar dentro do orçamento delineado pela companhia para o projeto e dispensava a autorização da direção para efetuar o crime.

Na sequência

A Volkswagen recorda que os primeiros dados relativos a esta manipulação de software de emissões foi dado pela agência de supervisão da qualidade do Ar da Califórnia (CARB) após um estudo levado promovido pelo (ICCT) Conselho Internacional para Transportes Limpos em maio de 2014, onde eram apontadas irregularidades nas emissões de NOx em dois modelos diesel Volkswagen. Após uma primeira reunião com a divisão norte-americana da Volkswagen em 2014, a marca acordou a regularização das emissões por meio de um recall que já estaria agendado para dezembro daquele ano.

Em 23 de maio de 2014 foi preparado um primeiro memorando para Martin Winterkorn, na época o chefão da Volkswagen, que foi incluído na sua “extensa lista de emails para ler no fim de semana”. É apontado, depois, que Winterkorn recebeu um segundo memorando em novembro de 2014 com a indicação de que o custo para solucionar a questão dos diesel na América do Norte seria de US$ 22 milhões, tendo depois em julho de 2015 participado de uma reunião em que a questão das emissões foi debatida, “embora não seja claro se o responsável saberia da fraude naquela altura’.

“De acordo com os nossos conhecimentos atuais, o assunto do diesel, tratado como uma de muitas questões relacionadas com os produtos da companhia, não recebeu inicialmente particular atenção em nível da direção da Volkswagen”, lê-se ainda. Apenas mais tarde, após explicações dadas à Administração, se percebeu que os motores diesel tinham instalados softwares de manipulação de emissões poluentes, “proibido pelas leis dos Estados Unidos”.

Este comunicado, emitido agora pela Volkswagen, surge como resposta e defesa a um processo judicial interposto contra a marca por um grupo de acionistas que se queixaram de falhas e de lentidão na comunicação aos investidores das questões relacionadas com este assunto, numa nota de defesa que foi entregue no Tribunal Alemão de Braunschweig, tentando explicar que a direção do Grupo Volkswagen não cometeu qualquer irregularidade nesse capítulo.


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