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Escândalo VW II: a estreita ligação da Volkswagen com a ditadura

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Definitivamente, 2015 é o ano a ser esquecido pela Volkswagen. Depois de ter tomado o primeiro lugar mundial entre as montadoras, veio o escândalo da fraude nos testes de emissões de poluentes dos seus motores diesel, prejuízo e, agora, a empresa é a primeira no Brasil a negociar na justiça uma reparação por ter financiado e participado de maneira ativa da repressão à oposição política e ao movimento operário durante o período da ditadura militar.

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Manfred Grieger, diretor do departamento de Comunicação Histórica do Grupo Volkswagen na matriz do Grupo, esteve no Brasil recentemente a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e afirmou que a empresa busca um acordo com o órgão, que baseia sua ação nas investigações feitas pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Ao participar do encontro no MPF, ocorrido em São Paulo no dia 14 de outubro, tinha como objetivo entrar em contato com vítimas da ditadura militar brasileira e buscar mais informações sobre o relacionamento da Volkswagen do Brasil com os órgãos de repressão da época.

Desde 2014 Grieger está recolhendo informações e documentos sobre as acusações de apoio da montadora ao regime militar. A questão é que nesse comportamento a Volkswagen não foi a única montadora a colaborar com os crimes da ditadura.

Nas mãos do MPF estão inúmeros documentos reunidos por 10 centrais sindicais, associações, pesquisadores e ex-operários da Volkswagen perseguidos pelo regime militar. Estes documentos foram entregues aos procuradores em setembro. Eles pediam -por meio de uma representação- a abertura de inquérito civil público a fim de apurar “o quanto objetivamente contribuiu a Volkswagen do Brasil para as violações de direitos humanos relatadas na representação”.

Os sindicalistas querem ainda que o MPF apure o grau de participação dos dirigentes da empresa em cada violação, em especial “aos crimes de tortura perpetrados no interior de suas plantas industriais” e a “colaboração com os órgãos de segurança estatal, unidades militares e organizações sindicais patronais”. Por fim, o grupo pediu que fossem investigados “benefícios obtidos pela empresa em razão da cumplicidade com o regime”.

Entre os documentos apresentados pelos sindicalistas estão detalhadas, por exemplo, a doações que a montadora fez de equipamentos para a repressão -como vários Fusca- para o Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército. Há documentos da empresa com o carimbo do Departamento de Segurança Industrial que foram enviados ao Dops (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo com detalhes sobre a atuação de operários, descritos como subversivos, em manifestações e greves.

Existem ainda cópias de pelo menos 200 “boletins de ocorrência” feitos pela segurança da empresa e enviados ao Dops. Neles constam relatos de operários surpreendidos pela Polícia Militar fazendo piquetes que, ao invés de serem levados à delegacia, eram conduzidos pela Polícia Militar para o interior da fábrica da empresa em São Bernardo do Campo, SP, para serem identificados e interrogados. Há relatos de espancamento e torturas de operários ligados a partidos comunistas ocorridos dentro das instalações da Volkswagen.

Da Alemanha também veio para o encontro Joerg Kother, representante da Comissão Internacional dos Trabalhadores da Volkswagen.


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