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Étoile Filante: a “Estrela Cadente” da Renault

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O Renault Étoile Filante, em português “Estrela Cadente”, foi a única tentativa da Renault de criar um automóvel equipado com uma turbina a gás, bem como de bater um recorde de velocidade para este tipo de automóveis.


 
Em 1954, o construtor francês de turbinas aeronáuticas, a Turbomeca, propôs à Renault a produção de um automóvel movido com uma turbina a gás, de modo a exibir os benefícios da tecnologia e também para bater o recorde de velocidade na categoria.

A Renault criou o automóvel, que foi testado em túnel de vento, entre 1954 e 1955, equipado com uma turbina Turbomeca Turmo 1, de 270 cv, atingidos às 28.000 rpm. A caixa de câmbio velocidades era uma Transfluide, a mesma que equipou o Renault Frégate, com redutor de 28.000 para 2.500 rpm. O combustível utilizado era querosene, o mesmo usado na aviação, e tinha a particularidade de não ter praticamente nenhuma vibração, graças à velocidade de rotação das turbinas.
 
O projeto foi confiado a três homens, Fernand Picard, diretor de projetos; Albert Lory, fabricante de motores, e Jean Hébert, engenheiro e piloto. A carroceria foi feita de poliéster laminado, com formas inspiradas nos aviões, para ter um Coeficente de Penetração Aerodinâmica (Cx) de apenas 0.18, montada num chassis tubular em cromo-molibdênio.

No deserto de sal. Recorde dura até hoje.

A apresentação à imprensa aconteceu em 1956, no Circuito de Monthléry. Em seguida, Jean Hébert e a Renault Team foram até o deserto de sal de Bonneville,em Utah, nos Estados Unidos, para fazer os testes de velocidade, sendo que posteriormente o carro foi exigido a fundo em Monza.

Finalmente restaurado.



Quando voltaram a Bonneville, já com o segundo chassis, dia 4 de Setembro de 1956, a “Estrela Cadente” atingiu a velocidade de 306,9 km/h ao fim de 1 km e 308,85 km/h, ao fim de 5 km, alcançando assim o recorde mundial para automóveis movidos a turbinas a gás, com peso inferior a 1000 kg, recorde esse que continua ate hoje por ser superado.

Na volta em sentido contrário, o carro ainda atingiu 322 km/h, mas esta velocidade não pode ser homologada. No dia seguinte ia haver mais algumas tentativas, para alcançar maior velocidade, mas houve uma avaria nas turbinas e isso não foi possível. Estas provas de velocidade ajudaram também a aumentar as vendas do novo modelo da Renault nos Estados Unidos, o nosso conhecido Dauphine.



Posteriormente, o Étoile Filante compareceu a vários Salões de Automóveis mundo afora. No início dos anos 1960, com o fim da era dos automóveis movidos a turbinas, a Renault desistiu de fazer um segundo automóvel, e o seu recorde foi esquecido. Segundo consta, foram produzidos dois exemplares, um para testes e outro para o recorde. O primeiro protótipo tem uma cobertura em vidro, sendo que essa solução desapareceu no segundo exemplar.

Renault Etoile Filante (1956) | l'automobile ancienne



Do ponto de vista técnico é um projeto muito interessante, já que era possível estudar o comportamento do automóvel em velocidades elevadas, assim como o efeito das asas na traseira e dos freios, já que era impossível usar o freio-motor.



Nos anos 1990, a Renault decidiu restaurar o carro, com a ideia de colocá-lo para correr novamente. A marca desmontou por completo a “Estrela Cadente”, na sua fábrica de Billancourt, em Paris, repintando o chassi e reparando o motor. Depois de restaurado, foi novamente posto para andar e participou de diversos eventos, pela primeira vez desde 1956. Está atualmente bem guardado na “Historical Cars Collection” da Renault.



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