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Fórmula 1: o De Tomaso 505/38 1970 e sua triste história

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Para a temporada de 1970 da Fórmula 1, os carros estavam sendo completamente redesenhados, deixando para trás os “charutinhos” e ganhando mais cuidados com a aerodinâmica, de imediato os modelos do ano anterior ficaram obsoletos. Era a chance de quem quisesse começar seus carros do zero, e a De Tomaso foi mais uma das muitas equipes que entraram para o campeonato, mas as coisas não deram tão certo quanto o esperado.

por Ricardo Caruso

Alejandro De Tomaso quis voltar a competir na categoria mais alta do automobilismo, algo que já tinha acontecido antes, mas mais uma vez, por falta de resultados, De Tomaso decidiu focalizar somente nos automóveis de rua.

De Tomaso 505/38, o automóvel que fica na história da Fórmula 1 pelos piores motivos


 
Desde o início o De Tomaso 505/38, que era usado pela equipe de Frank Williams, se mostrou pouco competitivo, não conseguindo terminar ou ser classificado para as quatro primeiras provas da temporada. Não bastasse Além disso, no GP da Holanda a tragédia bateu à porta da equipa, quando o piloto britânico Piers Courage faleceu, na sequência de um acidente devido a um furo de pneus, onde o De Tomaso 505/382 capotou e foi tomado pelas chamas.

De Tomaso Book Review | Classic racing cars, Classic racing, Indy cars

Para o substituir, Williams contratou Brian Redman, que competiu em três provas, e Tim Schenken, que fez o restante da temporada. A aventura dos De Tomaso na Fórmula 1 durou 11 provas, sem nenhuma pole ou vitoria. Ficou para a história o fracasso de uma receita que parecia certa, e de quebra ainda carregou junto uma tragédia.


 
Com o término do Campeonato Mundo de Fórmula 1 de 1970, os resultados não foram nada animadores, com o De Tomaso 505/38 não se classificando bem em nenhum GP; somente terminou dois, em Mônaco e do Canadá, onde ficou a 12 e 11 voltas do vencedor, respectivamente. O único resultado animador, foi na prova extra-campeonato, onde Courage terminou em terceiro no “BRDC International Trophy”, em Silverstone.


 
Tal como os automóveis da época, o De Tomaso 505/38 tinha chassi monocoque feito de alumínio e era equipado com o lendário motor 3.0V8 Ford-Cosworth DFV, com taxa de compressão de 11,5:1 e acoplado a uma caixa de câmbio Hewland DG300 com cinco velocidades.

Piers Courage De Tomaso 505 Presentation 1970 | | The "forgotten" drivers  of F1
Courage, na apresentação da 505/38, em 1970.

Essa dupla (motor-câmbio) era garantia de sucesso, mas isso não aconteceu para os lados da De Tomaso.

A potência era de 430 cv a 10.000 rpm, para o peso total de 589 kg. O motor tem quatro válvulas por cilindro, 32 no total, acionadas por dois comandos de válvulas em cada cabeçote, utiliza sistema de lubrificação por cárter seco e a injeção de combustível Lucas.


 


Durante a temporada de 1970, a equipe utilizou combustíveis Castrol (posteriormente BP), e pneus Dunlop. Ao todo, foram construídos três exemplares, com os últimos dois mais leves que o primeiro, devido ao uso de magnésio na sua construção. Hoje existem os chassis 505-381 e o 505-383.


 
O chassis 505-381 foi o primeiro dos três a ser construído e teve um violento acidente no GP da Espanha, voltando para as oficinas da De Tomaso, onde permaneceu durante três décadas. Foi adquirido por Rick e Rob Hall, da Hall & Hall, em 2006.

Utilizando as peças sobressalentes que vieram com o chassi, aos poucos o carro foi voltando à sua forma inicial. Em 2008 o restauro terminou e o carro voltou a rugir o seu motor no “Goodwood Festival of Speed”. O outro chassi, 505-383, faz parte de uma coleção na Bélgica.


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