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Golden Sahara II 1954: a Rainha do Deserto

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O Golden Sahara foi apresentado ao público no Petersen Motorama, em Los Angeles, em 1954. Criou um impacto enorme no público, pelas suas formas únicas, absolutamente espaciais. Após ser utilizado em vários filmes, o Golden Sahara permaneceu na obscuridade, desaparecido por 50 anos.

O carro que serviu de base ao Golden Sahara foi um Lincoln Capri 1953, que pertencia ao famoso customizador de automóveis Chris Barris, da Barris Kustoms (de George Barris). Barris, ao transportar um carro batido de amigo no teto do seu automóvel, teve a ideia de o transformar num projeto único e inovador, tudo porque o teto -claro- ficou severamente danificado.

O projeto foi financiado por Jim Skonzakes, um cliente de Barris, mais conhecido por Jim Street. Nenhum dos dois previa a sensação que a criação deles iria gerar. Com eles ajudando na construção do Golden Sahara, estava também Bill de Carr e a Carson Top Shop, de Glen Hauser, para cuidar do interior.

O Lincoln foi completamente desmontado, e ambos começaram do zero a construir o automóvel, misturando o desenho inspirado na Era Espacial, com detalhes em ouro de 24 quilates no lugar dos cromados, teto tipo targa de vidro, lanternas de Kaiser e interior branco.

Vários itens de luxo da época estavam presentes no automóvel, como um frigobar, rádio de alta qualidade, gravador e televisão na console. Ao todo, foram gastos US$ 25 mil na época, algo como US$ 250 mil hoje. Além disso, o carro fica na história por ter sido o primeiro automóvel pintado numa cor opalescente.

Em 1956, Jim elevou as coisas para outro nível, ao transformar a sua criação no Golden Sahara II, com mais tecnologia e com a ajuda da Delphos Machine and Tool. Entre vários elementos novos, destaca-se a direção eletrônica com vários níveis, com o motorista podendo mesmo retirar o volante e coluna de direção, controles de acelerador; freios e volante inspirados na aviação com uma alavanca; funcionamento remoto do automóvel e funcionalidades autônomas, como abertura automática das portas, resposta a comandos verbais e sensores nos para-choques da frente para ativar a frenagem automática. A pintura passou a ser branca que, segundo consta, teria sido produzida a partir de escamas de peixe. Tudo isto ficou nos US$ 75.000 em 1956, passando do meio milhão de dolares nos valores de hoje, mais concretamente US$ 660 mil!

O Golden Sahara se tornou sensação por onde quer que passasse, seja nos vários Salões que percorreu pelos Estados Unidos, seja no filme de 1960, “Cinderfella”. Mas, no final dos anos 1960, o Golden Sahara II simplesmente desapareceu do mapa. Segundo constava na época, o automóvel estava na garagem de Jim, que ocasionalmente saía com ele à noite, quando sumiu; outros diziam que teria sido desmantelado. Só após a sua morte, em dezembro de 2017, é que se ficou sabend da sua presença na coleção de Jim.

Após mais de cinco décadas em local incerto, o Golden Sahara II foi levado a leilão, em maio de 2018, num evento em Indianapolis, que também vendeu outros automóveis da coleção de Jim Street. O seu estado não era dos melhores, com algumas peças faltando e outras coladas, e a própria pintura estava deteriorrada. Mesmo assim, acabou sendo vendido por US$ 385 mil.

A licitação mais alto acabou vindo da “The Klairmont Kollection”, sendo que, na altura, ainda estavam na dúvida se o iriam restaurar ou preservar na forma que estava. No entanto, acabaram por seguir o primeiro caminho e restaurar por completo o Golden Sahara II, trazendo de volta a glória que tinha em 1956, incluindo com pneus iluminados da Goodyear. O automóvel restaurado, FOI apresentado no Salão de Genebra de 2019, no estande da Goodyear (fotos acima).


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