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Há 40 anos: como a Renault levou o turbo à Fórmula 1

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No ano passado, a Fórmula 1 apresentou novo regulamento, encerrando um período de oito anos em que imperou a configuração de motores 2.4V8 aspirados. Desde o primeiro GP de 2014, os carros de Fórmula 1 estão obrigados a usar motor sobrealimentado por turbocompressor com cilindrada máxima de 1.600 cm3. Nestes pequenos motores estão associados sistemas de recuperação de energia que aumentam drasticamente a potência, reutilizando a energia dissipada nos gases de escapamento e nos freios. Um grande avanço técnico, mas que desequilibrou a categoria, por conta da supremacia dos carros da Mercdes-Benz.

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Mas é importante saber que a história dos motores turbo na categoria começou em 1977, verdadeira epopéia enfrentada pela Renault. A história começou em 1975, quando a marca francesa, associada à petrolífera Elf, encomendou à subsidiária Renault-Gordini a construção de dois motores 1.5V6 turbo para testes em competição. Era fevereiro de 1975 e, nove meses depois, em 18 de novembro, os dois motores, batizados de “33T”, rodavam pela primeira vez em pista, no circuito de Paul Ricard, instalados num protótipo Alpine-Renault. A Renault, por outro lado, reorganizava sua área de competição, nomeando diretor o piloto Gerard Larrousse e deslocando o departamento de Fórmula 1 para Viry-Chatillon, sede das oficinas do mago dos motores que foi Amédée Gordini, dando origem, pouco depois, à Renault Sport.

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No dia 23 de março de 1976, ainda em segredo, o protótipo de um carro de Fórmula 1 -o  Renault A500- rodou em Clermont-Ferrand, na pista de testes da Michelin, já com uma versão mais evoluída do pequeno V6 Turbo e, no final do ano, a equipe Renault-Elf decidiu oficializar a existência desse protótipo, apresentando-o publicamente com o nome de “RS 01” para o carro (RS de Renault Sport) e de Renault Gordini V6 1500 Turbo para o motor. Só em 10 de maio de 1977, em plena Champs Elisee, no Pub Renault, a equipe Renault Elf iniciou a apresentação aos jornalistas da versão final do RS 01, dois dias depois do GP da Espanha, disputado em Jarama.

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Os jornalistas puderam visitar o departamento de Fórmula 1 da Renault, em Viry-Chatillon, vendo tudo o que havia para ser visto, exceto o novo carro de Fórmula 1 e o seu motor, que seriam apresentados mesmo na manhã seguinte. As reações à decisão da Renault de tentar a solução “1500 turbo”, prevista no regulamento, quando todos os outros construtores utilizavam o clássico “3.0 atmosférico”, foram as mais diversas, mas todas concordavam num ponto: a hipotética falta de competitividade de um pequeno motor turbo.

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E os primeiros tempos em testes oficiais pareciam dar razão aos mais céticos. A estréia no Mundial de Fórmula 1 aconteceu dia 16 de julho em Silverstone, no GP da Inglaterra. Jean-Pierre Jabouille não foi além do 21º lugar no gri de largada, depois de enfrentar incontáveis e naturais problemas mecânicos. Na corrida, desistiu na 17ª volta com a turbina quebrada. No resto da temporada, mais três desistências, culminando numa não classificação no último GP do ano, no Canadá. O bom humor dos que apostavam contra, em especial as equipes inglesas, apelidou os carros da Renault de “Yellow Teapot” (algo como chaleira amarela de chá), devido às suas sempre fumegantes desistências. A temporada seguinte foi um pouquinho melhor: em 14 corridas, terminou 4, obtendo os primeiros pontos nos Estados Unidos com um muito celebrado quarto lugar.

Galeria de fotos: os primeiros testes do A500

Pode dizer-se que 1979 foi o ano da virada para a equipe Renault-Elf. Já com dois carros e dois pilotos (Fean Pierre Jabouille e Rene Arnoux) o RS 01 obteve seis pole positions, duas voltas mais rápidas e quatro pódios, entre eles a tão sonhada vitória, justamente em Dijon-Prénois, no GP da França, em primeiro de julho. A equipe francesa dominou o final de semana, com a obtenção dos dois primeiros lugares no grid, a vitória incontestável de Jabouille e só não obteve a “dobradinha”, porque Gilles Villeneuve, numa Ferrari, tomou o segundo lugar de Arnoux, depois da mais épica batalha da história da categoria.

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A trajetória do motor turbo durou até 1986, dividida em duas fases. A primeira, sob controle da equipe Renault-Elf, prolongou-se até 1983, durante a qual obteve 15 vitórias, sendo nove para Alain Prost, quatro para René Arnoux e suas para Jean-Pierre Jabouille. Naquele ano, a administração da Renault decidiu cortar custos e colocou fim na aventura da empresa na Fórmula 1. Só não deu fim no motor 1500 turbo, continuando o seu desenvolvimento e fornecendo-o à Lotus por mais duas temporadas, durante as quais foram obtidas mais cinco vitórias, a principal delas em 1985, no GP de Portugal, com a inesquecível primeira vitória de uma então promessa chamada Ayrton Senna.

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