Classic Cars

Hanomag D19 Diesel 1939, o devorador de recordes

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No final da década de 1930, os fabricantes alemães produziram vários carros específicos para a busca de recordes de velocidade, tudo para mostrar ao mundo a superioridade das tecnologias do Reich e seu regime nazista. Entre as diversas criações, uma é bem pouco conhecida: o Hanomag D19 Rekordwagen, que tinha por objetivo conquistar vários recordes na categoria de veículos equipados com motor Diesel. 

por Ricardo Caruso

 A Hanomag (Hannoversche Maschinenbau AG) foi fundada em 1835, como construtora de locomotivas à vapor, caminhões, tratores, trens e máquinas. Em 1925 passou a fabricar carros, junto com a Continental, conhecida pelos seus pneus e uma das maiores empresas de Hannover. Foi aí que nasceu o primeiro Hanomag 2/10 PS, um carro voltado para a classe média européia, com desenho simples, e que influenciou diretamente a criação do carro mais famoso da história, o Volkswagen Fusca. Após ser encampada pela Horst-Dieter Esch, acabou falindo em 1984. Em 1989, a Komatsu assumiu o espólio da Hanomag, batizada desde 2002 como Komatsu Hanomag.

O 2/10 PS, que influenciou conceitualmente o Fusca.

Para relembrar um pouco da história desse Hanomag recordista, é necessário nos aprofundarmos um pouco na história do motor Diesel. Desenvolvido no final do século XIX, este motor tem uma boa vantagem em termos de eficiência, mas o seu peso era limitante para a utilização em automóveis. O motor Diesel foi então usado na indústria, nos navios e em alguns trens. Tanto a Mercedes quanto a Peugeot começaram a considerar a aplicação de motor Diesel em automóveis só a partir da década de 1920, e as alemãs Mercedes e Hanomag foram as primeiras a comercializar carros com motores Diesel a partir de 1936, mas na Hanomag a versão Diesel do Rekord foi um fracasso de vendas.

Hanomag rekordwagen (2)

 Para promover a tecnologia Diesel, a Hanomag optou pelo automobilismo e, mais particular, buscando conquistar recordes na categoria de automóveis movidos a aquele combustível. Assim, partindo de um Hanomag Rekord D, utilizando tanto o seu chassi como o motor, a fabricante alemã criou um carro capaz de realmente bater recordes. Para isso, os engenheiros alemães modificaram a mecânica: com o quatro cilindros em linha mantendo a cilindrada em 1900 cm3, a potência foi ligeiramente aumentada para 40 cv, retrabalhando algumas configurações, como as dos injetores.

Hanomag rekordwagen (3)

Assim, para compensar a baixa potência, a Hanomag trabalhou bastante no peso e na aerodinâmica, quando o carro recebeu uma carroceria feita à mão, toda de alumínio. O desenho do carro foi obra de Lazar Schargorodsky, enquanto o especialista em aerodinâmica Paul Jaray foi o responsável por dar vida ao carro, saindo das pranchetas e criando a estrutura e a carroceria. O carro ficou pronto no início de 1939, o que permitiu circular num novo trecho de estrada, perto de Dessau, que tinha uma linha reta de vários quilômetros. Foi exatamente ali, poucos dias antes, que o Mercedes W154 Rekordwagen quebrou vários recordes.

Hanomag rekordwagen (4)

Entre 8 a 9 de fevereiro de 1939, o Hanomag D19 Rekordwagen Diesel completou várias passagens cronometradas, pilotado por Karl Haeberle, engenheiro da marca. O carro registrou o total de quatro recordes:, o dos “cinco km lançados”, com média de 155, 954 km/h; o da “milha lançada”, com média de 155, 450 km/h, e os do quilômetro e da milha partindo do zero, com respectivas médias de 86,87 km/h e 94,481 km/h, números impressionantes para a época, ainda mais em carros a diesel.

Hanomag rekordwagen (5)

Apesar deste sucesso, o Hanomag D19 Rekordwagen Diesel rapidamente caiu no esquecimento. Poucas semanas depois destas façanhas, o regime nazista organizou uma exposição sobre carros alemães que quebraram recordes, durante o Salão de Berlim, e o Hanomag ficou ausente, por causa dos judeus. origem de seus criadores. O carro foi posteriormente destruído durante o bombardeio das instalações da Hanomag em Hanover, mas há quem garanta que foi destruído pelos nazistas, já que façanhas dos judeus não interessavam ao regime. Foi então necessário esperar até a década de 2010 para tirar do esquecimento as façanhas do carro, cuja réplica foi reconstruída a partir de peças originais (imagem abaixo).


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