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IMPALA: UM CASO DE AMOR

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Sucesso da indústria automobilística, o Impala tem histórias que saem das pistas.

Nos anos 60, um rapaz se apaixonou por uma moça. Decidido a namorá-la, o jovem procurava de todas as formas agradá-la e impressioná-la. Depois de muito pensar durante um final de semana inteiro, resolveu raspar do fundo do cofre todas as suas economias, e comprar nada mais nada menos que o ícone da década: um Impala 64 zero quilômetro.

Concessionária representante da Chevrolet em Goiânia.

Como na cidade de Ituiutaba não havia revendas de veículos, ele correu até Goiânia, capital do estado de Goiás, e entrou na primeira concessionária que viu, a Jorlan S.A. representante da Chevrolet. Nem quis ver outros modelos, estava decidido: queria o Chevrolet Impala 1964 com motor de seis cilindros, 230 Turbo-Trift de 140 cv de força.

Impala similar ao que foi comprado para impressionar a garota.

A tática deu certo. Depois de alguns passeios, finalmente tinha o compromisso com sua amada. Mas se não houvesse um pouco de drama, o roteiro não teria graça. O relacionamento não durou muito. A moça resolveu namorar outro rapaz. E a reação do jovem proprietário Hélio Guimarães, muito triste e desiludido, foi de trancafiar o Impala em uma garagem, e, literalmente, lacrar a porta.

Hélio não aparecia nem para dar a partida no carro e fazer o motor funcionar, para evitar problemas mecânicos. Não queria mais saber do Impala, jamais usou o carro, não deixava ninguém vê-lo e nem sequer tocava no assunto. Alguns vizinhos da mesma época, e amigos de Hélio, dizem que ele teve diversas brigas e conquistou vários desafetos, simplesmente por perguntar ou dizer qualquer coisa sobre o carro.

O Chevrolet Impala 1964 permaneceria escondido até hoje, se o senhor Hélio Guimarães não tivesse falecido. Continuou solteiro, trabalhou como agiota e adquiriu diversos imóveis comerciais em Ituiutaba e região. Um pouco antes de falecer, e depois de muitos anos, reconheceu uma filha, de um caso que teve.

Filha única, a menina herdou todos os bens do Sr. Hélio Guimarães. Para concluir o inventário, faltava apenas uma coisa. A moça não pensou duas vezes: mandou “arreganhar” a porta da garagem onde o Impala estava escondido por quase 50 anos.

Depois de uma limpeza, ainda era necessário uma lavagem. Dá para ver a poeira sobre o Impala.
A garagem era tão apertada, que a única forma de retirar o Impala foi arrastando.
Mesmo com a metade do carro fora da garagem, percebe-se que era pouco espaço para um carro de dimensões exageradas.

Quando o veículo chegou do lado de fora, após uma lavagem e uma limpeza geral, as pessoas não acreditavam no estado de conservação.

Bancos originais. Nem as traças tiveram coragem de destruir.

O Impala de 1964 estava impecável, tudo original, desde pneus, vidros e até o extintor. Nas fotos, podemos ver os adesivos originais e placas de identificação do motor 230 Turbo-Thrift seis cilindros de 140 cavalos, original de fábrica.

Adesivos e placas de identificação do motor legíveis.
Impala chegando na sua nova garagem.

Sabiamente, a menina resolveu dar um lar decente ao mito. Pessoas que estavam presentes quando o caminhão plataforma foi entregar o veículo, nos disseram que a nova proprietária não deseja vender o clássico, tendo recusado inclusive uma oferta de mais de 80 mil reais pelo magnífico Chevrolet Impala 64, que aguarda uma revisão para quem sabe voltar a rodar, e prestigiar os belos encontros de automóveis antigos.

Extintor original dos anos 60.

 

Marca registrada do Impala.

 

Nada que uma limpeza e uma lubrificação não resolvam.

 

Repare no tamanho da entrada de ar do carburador.

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