Mercedes Zender 280TE: a pré-história do tuning

O tuning é dos poucos movimentos da cultura automotiva que faz muita gente torcer o nariz. E com razão, diante das aberrações que surgem de tempos em tempos. Mas esta wagon Mercedes-Benz 280TE (carroceria W123) preparada pela Zender é um exemplo de que o tuning raras vezes dá certo. Mesmo quase 40 anos atrás…

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Estamos em 1980. O mundo tinha acabado de sair da ressaca da crise do petróleo estreada em 1973 e já caminhava em busca de um período de expansão econômica. Isso o “mundo”, porque no Brasil era a mesma história de sempre.

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Com a economia mundial em franca expansão, o tuning começou a dar os primeiros passos consistentes como atividade organizada e lucrativa. O tuning em carros de alto desempenho já era comum, mas nos carros do dia-a-dia nem tanto.

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O exemplo mostramos é praticamente um fóssil da pré-história do tuning moderno, pois o tuning mesmo é quase tão antigo quanto a história do automóvel. Estamos falando da Mercedes-Benz 280TE preparada alemã pela Zender, criada em 1969.

O objetivo desta empresa sempre foi oferecer em seus carros a habitabilidade de uma wagon, o conforto de um sedã de luxo e o desempenho de um esportivo. Tudo junto e misturado.

O exterior do Zender 280TE era pouco discreto para a época. As modificações ficavam limitadas aos para-choques mais esportivos, rodas especiais BBS, suspensão rebaixada e outros detalhes. O resultado final foi um visual mais esportivo e moderno, menos clássico.

O exagero que o tuning apresentou depois deve ter começado no interior do Zender 280TE, que foi todo forrado em camurça azul, dos bancos ao painel, sem esquecer o teto. Até o piso do carro recebeu acabamento em carpete azul.

Os bancos originais foram substituídos por dois Recaro. O volante também deu lugar a um mais esportivo. Mas os destaques nem eram estes itens. Os sistemas de som de alta qualidade e os telefones móveis eram dos equipamentos que mais sucesso faziam nos anos 1980, por serem exóticos, futuristas e raros. Tendo isso a Zender levou em consideração ao reformular todo o console da wagon para acomodar um sistema de som sofisticado Uher HiFi Stereo.

Como se este festival de som e cores não fosse suficiente, a Zonder trocou o porta-luvas por uma mini-geladeira.

Como sempre acontece, um projeto de tuning só fica completo com algumas alterações mecânicas. Neste aspecto a Zender recorreu aos serviços de uma preparadora que estava em crescimento acelerado. Tinha cerca de 40 funcionários e se chamava AMG.

Graças aos componentes da AMG, este Zender 280TE era capaz de oferecer 215 cv de potência máxima. O resultado era um modelo que primava pela diferença e pelo preço: 100.000 marcos alemães.

Para comparar, a mesma Mercedes-Benz original custava na época 30.000 marcos alemães. Ou seja, com o dinheiro do Zender 280TE dava para comprar três modelos normais e ainda sobrava um trocado. Mas esse era o preço a ser pago pela exclusividade.

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