Os 10 caminhos da Volkswagen para dominar o mercado

O Grupo Volkswagen está se posicionando de maneira radical e pioneira, perante o novo cenário da indústria automotiva que está se aproximando. É inevitável que o mundo do automóvel passe por profundas transformações, ditadas principalmente pelas exigências ambientais e tecnológicas. A forma de “ver” o carro está mudando de forma rápida, e só as fabricantes que conseguirem entender o momento irão sobreviver no futuro. E o futuro está logo aí.

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A Volkswagen está adotando uma série de medidas e estratégias para enfrentar essas mudanças, e não havendo nenhum tropeço grande nesse roteiro, irá despontar como uma empresa de ponta, ainda maior do que é hoje. São 10 medidas que demonstram claramente isso. Claro que algum respingo disso deve acontecer no Brasil. Acompanhe:

1 – Uma nova visão: a estratégia “Transform 2025+”

Exemplo desta proposta de mudar e se adequar é a estratégia “Transform 2025+”, anunciada pela Volkswagen no final de 2016. É um novo foco em reorganização interna, mas acima de tudo aposta forte na realidade da mobilidade elétrica e da conectividade. “A partir de 2020 iremos lançar a nossa maior ofensiva na mobilidade elétrica. Como fabricante de volume, não estamos preocupados com produtos de nicho, mas sim para o que rege o mercado. Em 2025 queremos vender um milhão de carros elétricos por ano e sermos o líder nesta área. Os nossos carros elétricos serão a nova imagem de marca da Volkswagen”, explica Herbert Diess, chefão do Grupo.

Outro desafio do Transform 2025+ é a digitalização, razão pela qual a Volkswagen está desenvolvendo sua própria plataforma, que permitirá reforçar a proximidade com os clientes e, por outro lado, criar novos modelos de negócio por meio de uma outra série de serviços. Em 2025, a marca espera ter 80 milhões de usuários ativos de seus aplicativos, e estima que este ecossistema digital possa ser responsável por um volume de negócios anual de US$ 1 bilhão em produtos relacionados com mobilidade compartilhada.

2 – A base tecnológica: Plataforma MEB

O Grupo Volkswagen não quer limitar-se a produzir versões elétricas de modelos já existentes. O seu futuro passa pelo lançamento de carros genuinamente elétricos e para isso foi criada uma plataforma totalmente nova e dedicada. Chama-se MEB (Modularer Elektrobaukasten, ou, em inglês, Modular Electric Drive Kit) e já foi apresentada nos concepts I.D. Trata-se de um passo fundamental para atingir os objetivos do grupo neste tipo de mobilidade (a marca de 1 milhão de carros elétricos por ano), que só será possível com respostas claras às expetativas dos usuários, em especial quanto à autonomia. Era necessário para isso desenvolver soluções tecnologias específicas e uma plataforma inteiramente nova, razão pela qual o grupo alemão criou esta base inédita.

A MEB destaca-se pela arquitetura concebida em torno das baterias de alto rendimento, que são colocadas ao longo do piso, e para acomodar motores compactos. Com a distância entre- eixos aumentada e as rodas junto às extremidades da carroceria, é libertado um espaço sem precedentes para o habitáculo, ao mesmo tempo que se torna possível a colocação de tecnologia que permita autonomias em torno dos 600 km. A disposição das baterias e dos motores junto ao piso proporciona também centro de gravidade baixo, com evidentes reflexos no comportamento dinâmico. A sua modularidade é já uma realidade: depois de ter sido mostrada no I.D. Concept, proposta de familiar médio, foi usada também numa versão longa -MEB XL– para I.D. Buzz, monovolume de maiores dimensões apresentado no reente Salão de Detroit.

3 – A transformação: Condução autônoma

 

A aposta nos carros autônomos é um dos pilares estratégicos do Grupo Volkswagen e um dos pontos fundamentais da profunda transformação que está acontecendo. A criação, em novembro de 2015, do cargo de Chief Digital Officer, é sinal da prioridade atribuída a este assunto. Johann Jungwirth trabalha direto com o chefão Matthias Müller, e é a base do trabalho em torno da digitalização e condução autónoma. É o próprio quem explica que a tecnologia que permite carros totalmente autónomos está a ser desenvolvida em ritmo acelerado, de tal forma que “dentro de três a cinco anos poderemos atingir os níveis quatro e cinco”.

O nível de desenvolvimento dos carros autônomos é dividido tecnicamente por cinco estágios: “Atualmente estamos no nível 2 –tecnologias de assistência de segurança, capacidade de acelerar e frear ou estacionar autonomamente– e o motorista ainda que controlar tudo o que se passa. Só no nível 4 podemos falar em condução autônoma, e é no nível 5 que desaparecem volante e pedais. Para chegar a este estágio, precisamos desenvolver ainda mais os sensores, bem como o poder de computação, que terá de ser 20 a 30 vezes mais potente que o que existe hoje em dia”.

4 – Novas possibilidades: o desenho “open space”

 

Os carros elétricos vão abrir muito mais desafios do que se pode pensar. Numa indústria que sempre viveu da capacidade de forçar escolhas emocionais, a motorização elétrica coloca o desafio da diferenciação de marca. Michael Mauer, diretor de design do Grupo Volkswagen, explica: “Alguns dos elementos de diferenciação dos dias de hoje, tais como a sonoridade do motor, deixarão de ser relevantes diante do desenho, que se tornará cada vez mais importante”. Também aqui percebemos como esta é mais uma peça que encaixa com perfeição na estratégia global do Grupo VW em direção às novas formas de mobilidade.

A plataforma MEB representa um trunfo nessa diferenciação, já que permite a implementação de nova linguagem de desenho, fruto da acomodação compacta das baterias e dos motores propulsores. “O mundo da mobilidade de amanhã dá aos desenhistas possibilidades criativas inteiramente novas. A condução elétrica e a condução autônoma removem muitos obstáculos e mudam o design de forma mais radical do que alguma vez assistimos nas últimas décadas”. O espaço e tempo vão assumir nova dimensão a bordo dos carros. E já não parece um delírio de designers aquela ideia de que uma viagem poder ser desfrutada como se estivéssemos num espaçoso lounge assistindo um filme.

5 – Desenvolvimento acelerado: Inteligência Artificial

Carros que se conduzem sozinhos, perfis de usuários que adaptam a veículo a cada motorista e a cada circunstância, interação com a internet: o que une tudo isto? A Inteligência Artificial. É toda uma nova forma de ver o automóvel, sem precedentes para um fabricante tradicional. Por isso mesmo, o Grupo Volkswagen está reunindo à sua volta um conjunto de competências ligadas à digitalização, e um exemplo mais recente disso é a Nvidia, conhecida empresa tecnológica de Silicon Valley que irá colaborar no desenvolvimento de aplicações de Inteligência Artificial, uma área na qual a Nvidia é altamente especializada.

O Grupo VW irá integrar tecnologias como a plataforma de computação para automóvel DRIVE AI, tendo ainda acesso ao super-computador Nvidia DGX-1, dedicado à Inteligência Artificial, para a criação de uma nova geração de cockpits virtuais. No ultimo Consumers Electronic Show, em Las Vegas, a Audi já deu mostras do quanto está desenvolvida nessta parceria ao mostrar um Q7 de condução autônoma, com capacidade para aprender padrões de condução distintos conforme o usuário, as condições da estrada ou mesmo meteorológicas. Este conceito de computação cognitiva, como é denominado, aplica-se também aos cockpits virtuais, cuja nova geração funcionará como um assistente digital capaz de reconhecer diferentes usuários, ajustando os parâmetros do carro às suas preferências, desde a iluminação ambiente e seleção musical até ao tipo de percurso favorito.

6 – User ID: o carro sob medida

 

Cada vez mais temos perfis de usuários em plataformas de serviços digitais. Seja em websites de música, de email ou de compras, o conforto de termos as nossas preferências memorizadas e disponíveis à distância de um clique é algo com que convivemos diariamente. E se isso fosse possível também no nosso carro? A Volkswagen demonstrou que já tem o sistema pronto –na última edição do CES apresentou um aplicativo (disponível para iOS e Android) que dá acesso a um User ID individual, por meio do qual o utilizador pode gerir todos as suas configurações do carro, bem como serviços de multimídia e mobilidade.

A interação é feita por meio de uma plataforma digital específica, na qual é fácil configurar os ajustes pessoais, integrar serviços de outros fornecedores e ter este “pacote” de preferências sempre disponível e imediatamente aplicável no automóvel. Independe do Volkswagen que se dirija (particular ou de aluguel), o carro tocará sempre a música favorita, manterá as configurações pré-selecionadas nos displays e até irá regular os bancos ao tamanho do motorista. Estamos, assim, diante de uma nova forma de interagir com o automóvel, experiência personalizada na era digital.

7 – Como numa start-up: os laboratórios do Grupo Volkswagen

O Grupo Volkswagen tem uma certeza em relação ao futuro do mundo automóvel: não será possível o sucesso sem a abertura a outras áreas de trabalho. Não haverá futuro para os fabricantes que ficarem fechados em si mesmos. Por isso mesmo, o Grupo VW criou e está incentivando o que chama de Laboratórios, centros de desenvolvimento de Tecnologias de Informação com uma dinâmica de start-up, proporcionando o ambiente certo para a experimentação de novas tecnologias fora da linha tradicional da companhia. Trabalhando em parceria estreita com universidades, instituições de pesquisa e parceiros tecnológicos, como é o caso da Pivotal ou da Nvidia, os laboratórios de Berlim, Munique, Wolfsburg, São Francisco (em plano Silicon Valley) e, em breve, Pequim, estão produzindo novas soluções para o mundo automóvel digital.

O chefão da Volkswage explica: “Queremos abraçar as oportunidades oferecidas pela digitalização e iremos surpreender os nossos clientes com soluções de mobilidade inteligente sob medida. Estamos transformando o Grupo Volkswagen numa empresa líder em nível global em mobilidade e as TI desempenham um papel-chave neste processo. Com estes laboratórios, criamos ‘think tanks’ regionais fora das estruturas e processos existentes. É neles que combinamos a competência e a experiência de uma grande empresa com o pragmatismo e a velocidade de uma startup”.

8 – Mentes brilhantes: mais de 1000 contratações no mundo das TI

O Grupo Volkswagen está reforçando sua equipe com especialistas altamente qualificados nas Tecnologias de Informação. Áreas como a Inteligência Artificial, Big Data, Realidade Virtual, Produção Inteligente e Conectividade são hoje incontornáveis para um construtor de automóvel, razão pela qual o Grupo está recrutando em campos tão distintos como a indústria de jogos e pesquisa de alta-tecnologia.

Nos próximos três anos, o Grupo Volkswagen irá contratar nada menos do que 1000 novos profissionais destas áreas das TI. Metade destes especialistas estará baseada em Wolfsburg, enquanto os restantes irão se espalhar pelos laboratórios de TI de Berlim e Munique. Estes centros de pesquisa e desenvolvimento digitais estão criando novas soluções nas áreas de Big Data, Indústria 4.0, Internet, Conectividade, Serviços de Mobilidade e Realidade Virtual. “Os profissionais que querem moldar o futuro da mobilidade estão vindo para a Volkswagen”, comentou Karlheinz Blessing, membro do Conselho de Administração do Grupo Volkswagen, durante o anúncio das 1000 novas contratações para este triênio.

9 – Novos modelos de negócio: o conceito Moia

Trata-se da 13ª marca do Grupo Volkswagen e com ela a empresa pretende ir além do clássico modelo de negócio de produção de automóveis. Tem o nome de MOIA e foi lançada em dezembro com o objetivo de redefinir a mobilidade nos centros urbanos. Esta unidade de negócio é independente de todas as outras marcas e encontra-se sediada em Berlim, onde está iniciando o desenvolvimento dos seus próprios serviços de mobilidade, seja da forma autônoma, seja em colaboração com cidades e sistemas de transporte já existentes.

A MOIA representa a mobilidade individual para todos, e o primeiro passo é o desenvolvimento de um aplicativo por meio da qual se possa acessar todos os seus serviços. Este aplicativo abrirá portas para a segunda fase, que consiste na criação dos serviços propriamente ditos: em primeiro lugar estarão centrados na mobilidade compartilhada, seguindo-se o “car pooling”, cujos primeiros projetos-piloto estão agendados já para este ano.

10 – Preparar o futuro: uma nova rede de carregadores

Condição fundamental para o sucesso dos carros elétricos: pontos de carregamento sempre à mão e de funcionamento rápido. Consciente desta necessidade, o Grupo Volkswagen, Grupo BMW, Daimler e Ford Motor Company firmaram uma joint venture inédita para criar aquela que será a maior e mais potente rede de carregadores rápidos na Europa. O acordo foi assinado em finais de 2016 e é já considerado como um dos maiores passos dados até hoje para a expansão dos automóveis elétricos no continente europeu.

Em projeto está uma rede de carregadores ultra-rápidos, com potências até 350 kw, nível significativamente mais elevado que o dos sistemas atuais. O inicio dos trabalhos está agendado para este ano, tendo como alvo inicial cerca de 400 locais na Europa. Até 2020, os motoristas deverão ter acesso a milhares destes carregadores. O objetivo é possibilitar trajetos de longas distâncias por meio do uso de uma rede de estações de carregamento em estradas e ruas, algo que atualmente ainda é visto como um fator limitante para os potenciais usuários de carros elétricos.

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