Peugeot-Citroën está comprando a Opel e Vauxhall

O Grupo PSA está em negociações avançadas com a General Motors. O objetivo? A compra das marcas Opel e Vauxhall, como parte de uma iniciativa que visa melhorar a rentabilidade e eficiência operacional do grupo francês.

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A PSA afirmou estar discutindo “uma série de iniciativas estratégicas com a GM”, incluindo a possível aquisição da Opel. “Não há garantias de que um acordo seja alcançado”, diz o comunicado da PSA.

Já a GM afirmou, também em comunicado, que a sua aliança com o PSA gerou “sinergias substanciais” para ambas as empresas e que “neste quadro, ambas examinam regularmente outras possibilidades de expansão e cooperação”. “O Grupo PSA e a General Motors confirmam que estão estudando várias iniciativas estratégicas destinadas a melhorar a rentabilidade e a eficiência operacional, incluindo a potencial aquisição da Opel Vauxhall pela PSA. Não há garantias de que um acordo seja alcançado”, diz a GM.

A GM tem estado muito ativa nos últimos anos na busca de ampla cooperação com a Peugeot, numa tentativa de reduzir custos e melhorar os lucros da Opel e Vauxhall. Em 2013 chegou a se comentar a fusão entre a gigante norte-americana e a Peugeot, mas isso não aconteceu, pois a GM (contrariando todas as expectativas) vendeu a participação de 7% que tinha da fabricante francesa.

Caso a aquisição da Opel e Vauxhall por parte da PSA aconteça, o novo grupo automotivo passará a deter 16% de quota do mercado europeu, ultrapassando assim a Renault e tornando-se o segundo maior grupo depois da Volkswagen. Em conjunto, a PSA e a Opel teriam participação de 16,3% no mercado dos veículos europeus, em comparação com os 24,1% da Volkswagen (dados de 2016).

Segundo a imprensa européia, a aquisição da Opel/Vauxhall permitirá à PSA obter acesso à avançada engenharia da Opel e à tecnologia de veículos elétricos, assim como reduzir custos e melhorar lucros. Para a GM, isso significaria a saída da Europa, especialmente depois do Brexit; as operações europeias da GM registraram perda de US$ 257 milhões em 2016.

O Grupo PSA divulgou o seguinte esclarecimento: “Desde 2012 a General Motors e o Grupo PSA têm implementado uma Aliança, abrangendo, até hoje, três na Europa e gerando sinergias substanciais para ambos os grupos. Neste contexto, a General Motors e o Grupo PSA examinam regularmente possibilidades adicionais de expansão e de cooperação.

O Grupo PSA confirma que, em conjunto com a General Motors, está estudando inúmeras iniciativas estratégicas que visam melhorar a sua rentabilidade e eficiência operacional, incluindo a possível aquisição da Opel. Neste momento não existe qualquer garantia de que um acordo será alcançado”.

Negócios desse porte envolvem muitas questões, e as menos importantes são as sentimentais. Depois de confirmadas as negociações entre a GM e a PSA, as reações foram imediatas. A Alemanha considerou “inaceitável” que a GM pense em vender a Opel sem falar com a comissão de trabalhadores, sindicados e governo local, e o Reino Unido manifestou preocupações com a venda da Vauxhall.

Para acalmar os animos, a chefona da GM, Mary Barra, viajou para a sede da Opel em Ruesselsheim, perto de Frankfurt. Também Carlos Tavares, chefão do grupo PSA, deverá reunir-se em breve com  o governo alemão incluindo a chanceler Angela Merkel.

A Opel emprega cerca de 19 mil pessoas na Alemanha e conta com quase 19 mil outros trabalhadores espalhados pelas suas instalações na Áustria, Hungria, Polónia, Espanha e Grã-Bretanha (onde utiliza a marca Vauxhall).

Já esta quarta-feira o governo alemão, por meio do seu porta-voz Steffen Seibert, afirmou que acompanhará de perto as negociações entra PSA e GM: “O governo tem forte interesse num futuro bem sucedido para as negociações. É claro que são decisões corporativas e em nada nos dizem respeito, mas dadas as implicações e repercussões que podem atingir os trabalhadores de várias fábricas alemãs, o governo irá acompanhar o caso”.

Já a ministra alemã do trabalho, Andrea Nahles, revelou que existem conversas “em todos os níveis” com a Opel, GM e PSA, para garantir que as três fábricas da Opel na Alemanha permaneçam abertas no caso de uma venda. “O governo alemão já discutiu essa questão com a Opel”.

No Reino Unido, o gabinete governamental que cuida de Negócios na região afirmou que estava em contato com a GM sobre um possível acordo. As fábricas da Vauxhall empregam 4.500 funcionários em Ellesmere Port (noroeste da Inglaterra) e em Luton (norte de Londres).

“O governo permanece em contato direto com a GM enquanto acompanhamos de perto a situação”, afirmou um porta-voz governamental, acrescentando que o ministro Greg Clark já havia demonstrado e tornadas públicas suas preocupações ao presidente da GM, Dan Ammann.

A indústria automotiva da Grã-Bretanha -em grande parte estrangeira- tem prosperado nos últimos anos, mas a votação em junho passado do Brexit tem lançado dúvidas sobre o seu crescimento no futuro. Por isso o governo de Theresa May foi forçado a negociar um acordo para convencer a Nissan a continuar investindo por lá.

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