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Koenigsegg detalha acidente do One:1 em Nurburgring

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No dia 18 deste mês, o Koenigsegg One:1 que estava sendo preparado para bater o recorde de volta em Nurburgring, na Alemanha, se envolveu num violento acidente. Quatro dias depois, a empresa sueca teve postura incomum e, na maior transparência possível, revelou os detalhes do acidente que o seu hiperesportivo One:1. O veículo acidentado foi levado para as instalações da marca, em Ängelholm, onde os engenheiros trabalharam rápido para detectar as causas do acidente.

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Assim, de acordo com a marca sueca, o acidente ocorreu em redor das 16h30m, depois de cerca de três horas e meia de testes, e segundo está registrado no sistema de telemetria do One:1, o carro sofreu bloqueio dos freios dianteiros a cerca de 170 km/h, na zona de Fuchsröhre, antes de bater no guard rail da Adnauer Forst à uma velocidade aproximada de 110 km/h. O impacto com a barreira fez com o que carro fosse arremessado cerca de 22 metros no ar, rodando 180 graus antes de cair apoiado na roda traseira esquerda e posicionar-se em paralelo com a proteção. Os airbags, o corte de alimentação de combustível e os demais sistemas de segurança funcionaram adequadamente.

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O fogo que se verificou na parte traseira do carro deveu-se ao contato dos painéis de fibra de carbono com o sistema de escapamento, embora tenha sido pequeno e rapidamente extinto pelo piloto com um extintor de incêndio portátil que vai no interior do carro.

Quanto à causa do acidente, mais concretamente, a Koenigsegg descobriu que aconteceu uma falha no sinal do sensor do ABS da roda dianteira esquerda, com a análise dos dados do veículo detectando que a luz do ABS se acendeu assim que o erro no funcionamento do sensor ocorreu. O piloto não teve tempo de observar a luz indicadora devido à utilização do capacete e pela concentração necessária para se enfrentar a fundo o “Inferno Verde”.

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A marca assume ainda que o piloto poderá não ter notado qualquer diferença no pedal do freio, uma vez que pode não ter chegado a necessitar frear durante os segundos anteriores, ou seja, frear o suficiente para que o sistema ABS tivesse sido ativado pela eletrônica do automóvel.

Aliás, os dados da marca revelam ainda que a frenagem em Fuchsröhre é a primeira a necessitar da aplicação dos freios na zona de ativação do ABS. Assim, foi a primeira oportunidade para que o piloto pudesse sentir a falha no sistema. Ao travar, as rodas dianteiras bloquearam e a batida foi inevitável.

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O sistema ABS da Koenigsegg, acrescentam, “como a maioria, inclui um sistema redundante de segurança em que as rodas traseiras continuam a rodar no caso de falha no ABS que resulte no bloqueio das rodas dianteiras. Deixar as rodas traseiras rodar em vez de as bloquear impede o carro de girar sobre si mesmo. Ao invés disso, o carro continua numa linha reta”. Isso pode ser visto pelas marcas de frenagem deixadas no asfalto.

Como qualquer análise a acidentes, a Koenigsegg tratou de explicar as causas e efeitos, e já no dia 20 os engenheiros passaram várias horas simulando a falha em ambiente controlado, sendo os resultados consistentes com o que se passou no circuito alemão.

Se uma falha no ABS acontecer num carro em condições normais, o motorista pode contar com a total segurança, já que o ABS apenas intervém em condições de frenagem extremas, podendo assim levá-lo à oficina mais próxima para resolver o problema. No caso do Koenigsegg, a falha ocorreu precisamente antes de uma primeira frenagem muito forte, num enorme azar para a marca sueca.

Apesar dos danos sofridos, o One:1 protegeu o piloto de forma correta, não existindo vazamentos de líquidos, tanto de combustível, como de fluidos hidráulicos, o que a Koenigsegg considera “positivamente reconfortante, dada a força do impacto”. O chassi em carbono foi avaliada na fábrica e, por estar intacto, permitirá a reconstrução do modelo. De forma mais impressionante, ambas as portas estavam operacionais e não apresentam desvios na abertura e no fechamento. O teto removível também está igualmente intacto e perfeitamente alinhado.

A marca garantiu ainda que vai implementar mudanças para melhorar a segurança no software dos veículos futuros. Os atuais Koenigsegg contam com um Alerta de Sistemas Ativos que supera os exigidos legalmente, alertando o piloto caso alguma falha se registre nos elementos de aerodinâmica ativa (os flaps dianteiros sob o para-choques, o sistema de amortecimento automático ou a asa traseira ajustável automaticamente), mas também o sistema ABS passará a estar abrangido no regime de alertas.

Quanto aos esforços de obtenção do recorde de modelo de produção mais rápido no traçado de Nürburgring, a marca garante que não vai desistir, mas que a busca do mesmo vai ter de ser adiada por tempo indefinido. O que é certo é que vão voltar com tudo para a pista alemã.


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