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Mais raro impossível: Panther Six 1977

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Quantas rodas deve ter um carro? A maioria concorda que quatro é um número razoável, mas sempre houve pessoas que pensaram de forma diferente. Nunca houve uma aplicação mais extrema dessa idéia do que o  Panther Six (Six, de seis rodas), o mais próximo de uma versão real da FAB1 de Lady Penelope  ou a versão de rua da Tyrrell P34 de Fórmula 1. 

O Panther Six merece toda admiração por sua audácia: é incrivelmente diferente e foi projetado exclusivamente para chamar a atenção, verdadeiro monumento aos excessos dos anos 1970. Por isso, é digno sonhar em ter um na “garagem dos sonhos”. No nosso caso, estacionado entre o Batmóvel, a Lotus 72D e o Copersucar-Fittipaldi FD01.

O carro é obra de Robert Jankel, que começado sua carreira como estilista. Entre as coisas estranhas e maravilhosas resultantes da sua empresa Panther Westwinds, o Panther Rio, um Triumph Dolomite com carroceria de alumínio, extremamente caro; o J72, um roadster V12 de estilo vintage, inspirado no Jaguar SS100, e o De Ville, enorme carro de luxo, com  portas de Austin Maxi. Mas o Six era diferente de tudo. 

Entre seus clientes, nomes como Elton John e Oliver Reed, em busca de extravagância. O Six foi concebido de olho no mercado do Oriente Médio.

A configuração de seis rodas foi inspirada pelo Tyrrell P34 . O P34 foi o modelo de Fórmula 1 da Tyrrell em parte da temporada de 1976 e em toda a temporada de 1977. Foi pilotado por Jody Scheckter, Patrick Depailler e Ronnie Peterson.

A inédita configuração de quatro rodas na dianteira, todas elas esterçantes, foi uma tentativa do engenheiro Derek Gardner de reduzir a área frontal do carro, com o uso de pneus menores, e assim obter melhor penetração aerodinâmica. A fábrica de pneus Goodyear teve que produzir, especialmente para o modelo, pneus com 10 polegadas de diâmetro.

O Tyrrell P34 foi um sucesso e conseguiu bons resultados, e estava em constante evolução: embora a área frontal realmente diminuísse, a aerodinâmica proporcionada pelo largo bico do carro não era das melhores e, principalmente, as rodas traseiras continuaram com as mesmas dimensões dos outros carros de Fórmula 1 da época, o que acabava deixando a área frontal praticamente igual.

Os mecanismos de suspensão e de direção necessários para fazer as quatro rodas esterçarem mostrou-se complexo e de difícil acerto e manutenção, e os pneus menores, apesar de não mostrarem piora perceptível de desempenho ou maior desgaste, tinham custo muito alto, devido à baixíssima escala de produção.

Para a temporada de 1978, a Tyrrell apresentou o modelo 008, que retomou a configuração convencional de quatro rodas. Algum tempo depois, quando algumas equipes também começaram a cogitar a possibilidade de usar quatro rodas motrizes na traseira, principalmente a Williams e a March, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) alterou o regulamento da Fórmula 1 para proibir a participação de carros com mais de quatro rodas na categoria.

Voltando ao Panther, ele usava um par de rodas traseiras com pneus 265/50-VR16, e dois pares de rodas dianteiras com pneus 205/40-VR13. Tinha carroceria em forma de cunha, teto rígido removível, painel digital, ar condicionado vindo de caminhão, extintor de incêndio automático, ajustes de bancos e vidros elétricos, telefone e televisão no painel, muito avançados para 1977. 

A velocidade máxima do Panther Six divulgada era de 200 mph (322 km/h), mas não se sabe se isso é verdade. A verdade é que o Six foi um carro genial, diferente, com estilo único. E raríssimo, por conta das duas unidades fabricadas.  O numero 1 é o branco, com direção do lado esquerdo, e o número 2 o preto, com volante na direita. Ambas ainda existem.

Robert Jankel faleceu em 2005, aos 67 anos, e sua empresa continua produzindo carros especiais e sob-encomenda.


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