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CLASSIC CARS: O BATMÓVEL (1966)

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Quando os heróis mascarados –o milionário Bruce Wayne (“Batman”) e Dick Grayson (“Robin”)– invadiram as telas de TV em 1966, interpretados por Adam West e Burt Ward respectivamente, viraram de imediato sucesso entre as crianças de todo o mundo. Criada a partir do visual das histórias em quadrinhos, a série “Batman” preencheu com detalhes como o “cinto de utilidades” ou Bat-cordas a imaginação de milhões de crianças em todo o mundo, com versões em quase todas as línguas.

Mas, para a maioria, ficou a dúvida: afinal, o que era o Batmóvel? Nos quadrinhos dos anos 1940, o então sombrio Batman utilizava vários automóveis, mas nenhum modelo de série. Os carros eram sempre caricaturados e, por ocasião do início da produção dos novos episódios da “Dupla Dinâmica” nos anos 1960, surgiu a necessidade de criar um veículo permanente.

O Lincoln Futura.

Nasceu assim o lendário Batmóvel (Batmobile), encomendado a George Barris, famoso construtor de automóveis especiais, que inclusive assina alguns dos novos Batmóveis dos recentes longa-metragens do cinema. Conta a história que Barris havia adquirido da Ford o Lincoln Futura, um “dream car” que a montadora havia projetado na década de 1950 e que foi construído pelos estúdios Ghia, na Itália. O carro estava abandonado e quase foi para o ferro-velho.

UM DÓLAR

 O Futura nasceu de uma idéia de Bill Schmidt, estilista-chefe da Lincoln-Mercury de 1945 a 1955. Este carro fez muito sucesso nas apresentações em que participou durante os anos 1950 e, como não mais interessava à Ford, teria sido repassado a Barris por apenas um simbólico mísero dólar. Para a montadora era só mais uma sucata ocupando espaço.

O prazo dado pela Fox a Barris para entregar o Batmóvel pronto foi de três semanas. Mãos à obra e partindo do Futura, Barris gastou um dia redesenhando e pensando como melhorar os detalhes originais do carro e, na manhã seguinte, chamou os produtores do seriado para apresentar os desenhos. Aprovado, o carro foi totalmente construído em duas semanas.

Para criar o visual do Batmóvel, o desenho básico do Futura foi mantido, mas foram muitas (e radicais) as modificações. A frente e a traseira foram redesenhadas, e as laterais foram modificadas para tentar eliminar as semelhanças com o Futura. A frente seguiu o tema proposto, com a inclusão de um “scoop” semelhante a um focinho e faróis escondidos, que mais se pareciam com os olhos de um morcego. Afinal, estamos falando do Homem-Morcego… Na traseira, foram eliminadas as “asas” superiores que existiam no Futura, e foram instalados os três lançadores de Bat-mísseis.

Ainda na parte inferior traseira, a grade interna do parachoques foi modificada, e ali foram colocados os dois paraquedas e, o melhor de tudo, a saída da turbina. A idéia inicial era de que o Batmóvel tivesse uma turbina de emergência, que auxiliaria o motor original (Ford V8) como uma fonte de potência extra durante as perseguições, por exemplo, ao “Coringa”.

TURBINA

Mas na realidade, no filme (ou ficção?) a turbina era a fonte permanente de energia do carro. Basta lembrar dos nossos heróis descendo pelos Bat-postes da Mansão Wayne, entrando no Batmóvel e, na arrancada, a câmera sempre mostrava a turbina em close, entrando em funcionamento imediato (graças às baterias atômicas!), com direito a fogo e fumaça, além do inconfundível som.

Nas laterais, muito trabalho também: o estilo das rodas semi-encobertas do Futura foi eliminado. As “bolhas” de plexiglass, que no Futura faziam o papel da capota, foram mantidas, tendo sido eliminadas apenas as seções centrais. Considerando que Batman raramente agia em dias de chuva, nenhum problema com a falta de teto. Entre as bolhas, foi instalado um “santantonio”, com sirene e duas antenas especiais.

O interior foi remodelado e recebeu o “Bat-fone”, talvez o precursor dos celulares atuais. Foram instalados sistemas anti-furto, rádios, “Batscópio”, armas-laser e até um monitor de vídeo para a “Bat-câmera”, além de computador e diversos acionadores, como o da rede que era lançada de dentro do portamalas e aprisionava os vilões (estes, sempre “especialmente convidados”, inclusive alguns famosos astros de cinema, como Vincent Price, o “Cabeça de Ovo”; Burgess Meredith, o “Pinguim”; Cesar Romero, o “Coringa”, e muitos outros).

PRETO

Os “Bat-bancos” contavam com cintos de segurança e eram ejetáveis, para afastar de vez quem tentasse roubar o carro. Pergunta: quem roubaria o Batmóvel? Finalmente a pintura, preta com filetes e morcegos vermelhos nas laterais, que só tivemos o prazer de conhecer em detalhes nos anos 1970, com a chegada da TV em cores ao País.

Para completar o “pacote”, rodas Rader de liga-leve, enfeitadas por “Bat-calotinhas” vermelhas em forma de morcego. Barris cumpriu sua palavra e entregou o carro para a estreia da série na Rede ABC de Televisão, que literalmente “delirou” com o carro pronto, e imediatamente deu início à produção dos episódios, nos estúdios da 20th Century Fox, em Burbank, Califórnia.

Com poucas aparições, logo o Batmóvel se tornou um “cult”, alcançando o posto de “mais famoso e versátil custom car já produzido”, chegando a níveis de fama semelhantes aos do Fusca ou Ford T. Graças ao sucesso do carro, Barris construiu três réplicas a partir do original, que correram o mundo e puderam ser apreciadas por milhões de fãs  da série, e uma delas está exposta no “Motorama Cars of the Stars Museum”, na Califórnia.

Mas o tempo passa e, implacável, faz qualquer um perder a ingenuidade, e hoje nos perguntamos: como é que um carro movido a jato poderia “cantar pneus” nas arracadas?

INTEIROS

Existem cinco Batmóvel, numerados de um a cinco, sendo quatro originais e um “pirata”. O Batmóvel 1, o original do filme, era realmente o Lincoln Futura modificado, com carroceria de aço e o retrabalho feito por Barris, que inclui em seu currículo muitos carros para Elvis Presley e séries de TV, como  “Os Monstros”, além do protagonista do filme “Carro, a Máquina do Diabo”. Barris é o mais famoso “customizador” dos Estados Unidos e foi também responsável pela pintura do Porsche que matou James Dean.

O Batmóvel pesava nada menos que três toneladas. O motor original Lincoln foi substituído por um Ford 427V8, com dois compressores Paxton e injeção de nitro, e a transmissão era automática. As suspensões não foram alteradas, o que conferia ao Batmóvel indesejados movimentos de carroceria, especialmente nas freadas e curvas fortes.

As réplicas (2, 3 e 4), produzidas em fibra de vidro, utilizavam chassi de Ford LTD adaptados, pois o Futura era único e não existiam outros chassis na mesma medida. Uma delas, a 4, participou até de competições de “dragster”, mas acabou recebendo sua digna aposentadoria e hoje participa apenas de exposições. Uma aposentadoria bem menos arriscada. Já o Batmóvel 5 é elegantemente chamado de “não oficial”, e foi produzido por um particular a partir de um Ford Thunderbird, com motor 351V8.

Como o carro era usado em exposições mediante pagamento, sem autorização de Barris, após uma demanda judicial o “#5” também acabou nas mãos de Barris, que fez as modificações necessárias e o vendeu em 1988 por cerca de US$ 150 mil! Uma bagatela. Notícias não confirmadas dizem que este carro foi comprado na época pelo ator Burt Reynolds. Hoje existem fabricantes de réplicas licenciados, o que não é barato. Também as miniaturas do Batmóvel voltaram a ser fabricadas, em diversas escalas.

Na foto acima, o Batmóvel ocupado por dublês

O Batmóvel original está com Barris, e os demais modelos que não estão em museus, estão nas mãos de felizes colecionadores. Um sonho. Afinal, quem não queria ter um Batmóvel na garagem? Isso sem contar a Bat-lancha, a Bat-moto, o Bat-cóptero…


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