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O Mercedes-Benz Type 700 1938 de Salazar

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Durante algumas semanas, o Mercedes-Benz que pertenceu ao ditador Antônio de Oliveira Salazar esteve exposta em Lisboa, no Classic Center da Mercedes-Benz em Sintra.

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O Museu do Caramulo cedeu durante algumas semanas um Mercedes-Benz Type 700 (W07) muito especial ao Classic Center da Mercedes, em Sintra. Um modelo raro, mas que pode facilmente ser confundido com os outros carros que repousam naquele espaço.

Trata-se de um exemplar que mistura a sua própria história com a história de Portugal. Estamos falando do Mercedes-Benz Type 700 que pertenceu à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado e que se destinava a transportar António de Oliveira Salazar, estadista português.

Rejeitado por Salazar por ser demasiado luxuoso e chamativo, este Mercedes-Benz Type 700 andou nas mãos de sucateiros e de bombeiros até finalmente ter ido descansar no Museu do Caramulo.

Quando a Mercedes-Benz o apresentou em 1930 destacou claramente o seu principal objetivo: servir de carro oficial a chefes de estado. Imponente e luxuoso, o Type 700 era usava motor 7.7 de oito cilindros em linha com válvulas no cabeçote e pistões de alumínio, com 150 cv de potência a 2.800 rpm. Opcionalmente o cliente podia encomendar uma versão 700K, equipada com compressor tipo Roots, que elevava a potência para os 200 cv nas mesmas 2.800 rpm, possibilitando velocidade máxima de 160 km/h.

Trabalhando por encomenda, a linha de montagem dos Type 700 fabricava também versões exclusivas do modelo, como a limousine Pullman ou um blindado, destinado a quem precisava de proteção. Do maior e mais caro Mercedes, foram produzidas, de 1930 a 1938, 117 unidades, em Untertürkheim, das quais 42 blindadas na forma limousine pullmann. O Imperador do Japão, Hiroito, adquiriu três e para Portugal foram duas em 1938.

Além da blindagem, a carroceria Pullmansteel oferecia níveis de conforto e luxo inigualáveis na série W07. O amplo interior era montado a mão por trabalhadores especializados, para garantir que os ocupantes viajassem desfrutando do mais alto requinte. Disponível em várias configurações na parte traseira, a mais popular era a “vis-a-vis”, onde as duas filas de bancos estavam frente a frente e podiam acomodar até seis pessoas. A limousine Pullman era uma referência na época, destinada a rivalizar com modelos semelhantes da Rolls-Royce.

Em Portugal um dos Type 700 mais famosos pertenceu a Salazar, tendo sido um dos vários modelos blindados adquiridos para ele. A história dos blindados adquiridos em nome de Salazar, na época Presidente do Conselho de Ministros, tem na compra do Mercedes-Benz Type 700 Grosser (W07) um dos seus capítulos mais curiosos.

Após o atentado a bomba no dia 4 de julho de 1937, quando Salazar ia assistir uma, a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) correu para encomendar, dia 27 de outubro de 1937, dois modelos Type 770 Grosser com carroceria blindada Pullmansteel. A encomenda foi feita no revendedor da marca em Lisboa, a Sociedade Comercial Mattos Tavares, que tratou enviou o pedido para a Alemanha.

Dada à complexidade do modelo, a encomenda demorou para chegar, e por isso foi comprado um Chrysler Imperial, igualmente blindado, que entrou em serviço dia 22 de novembro de 1937. Foi usado não só como veículo de Salazar, mas também como meio de fuga de oito presos políticos da prisão de Caxias. E não é piada de português…

Segundo os arquivos da fábrica, a construção do chassis data de 18 de janeiro de 1938, e a das carrocerias Pullmansteel de 9 de março. Os dois carros foram expedidos para Lisboa em 12 de abril. Ambos foram registrados em junho de 1938 em nome da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, e colocados à disposição dos Presidentes da República e do Conselho: General Oscar Carmona (registro AL-1071, chassis 182.067) e Salazar (DA-1072, chassis 182.066).

Salazar, que não fora consultado sobre a aquisição destes automóveis, logo manifestou o seu descontentamento, recusando-se a utilizar o Mercedes que lhe fora designado. O Mercedes-Benz foi usado apenas uma vez, por ocasião da visita oficial do espanhol Generalíssimo Franco, em 1949.

Normalmente era usado pelo motorista Raul para transportar as visitas ao Palacete de S. Bento, e por isso tinha só 6.000 km rodados quando, 17 anos depois, foi leiloado pela direção-geral da Fazenda. Arrematado pelo sucateiro Alfredo Nunes, foi registrado em 9 de fevereiro de 1955 em seu nome, e pouco tempo depois vendido aos Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais, para ser usado como ambulância. Mas o custo de transformação  era elevado e decidiram vendê-lo, em 16 de junho de 1956, a João de Lacerda para integrar o acervo do Museu do Caramulo.

Atualmente marca apenas 12.949 km no odômetro, por ter circulado desde 1956 com alguma frequência para conservação da parte mecânica. Nunca houve necessidade de restaurar, por estar original desde a pintura aos cromados e revestimentos. Tudo impecável. Até os pneus são originais de fábrica, sendo mantidos a 40 libras de pressão. Não tem rachaduras ou ressecamento, talvez por terem sido fabricados com borracha sintética “tipo Buna”.

É assim o mais perfeito e bem conservado “Grosser” Mercedes-Benz do mundo.


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