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O primeiro híbrido da história: Porsche Semper Vivus.

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Sempre que é lançado um novo modelo híbrido ou 100% elétrico -e isso acontece toda semana- os mais puristas torcem o nariz. Importante lembrar que os automóveis eram, em sua maioria, elétricos, no final dos anos 1800 e começo dos 1900. Com o descobrimento de petróleo no Texas, nos anos 1920, tudo foi habilmente direcionado para que os carros se tornassem movidos a combustível fóssil. Por isto, esta tecnologia não é uma novidade, e o Porsche Semper Vivus é a maior prova disso mesmo.

Apresentado em 1900, o Porsche Semper Vivus estreou muitas das soluções que a indústria automóvel continua a perseguir 118 anos depois. Isso mesmo, 118 anos depois. O petróleo atrasou o desenvolvimento dos carros elétricos exatamente por esse período.

O Porsche Semper Vivus —que pode ser traduzido por algo como “sempre vivo”— foi o sucessor do Egger-Lohner de 1898 (também conhecido por Porsche P1), automóvel 100% elétrico também de autoria de Ferdinand Porsche. O criador decidiu dar o nome de “Sempre Vivo”, por ter uma autonomia muito elevada.

 Ao contrário do Egger-Lohner, que recorria a baterias para alimentar o motor elétrico, o Porsche Semper Vivus usava motores de combustão interna como extensores de autonomia, responsáveis por alimentar os motores elétricos montados nas rodas.

Resumindo e traduzindo, o Porsche Semper Vivus foi o primeiro híbrido produzido em série do mundo: motor de combustão servindo de extensor de autonomia e motores elétricos montados nas rodas, responsáveis pela movimentação do veículo. Todas características que são hoje apontadas como o futuro do automóvel em médio prazo.

Dois anos mais tarde foi apresentada uma evolução do Porsche Semper Vivus, desenvolvida por Lohner, um funcionário austríaco da Porsche. Em homenagem ao modelo que o antecedeu,  este modelo foi batizado de Lohner Porsch.

O Lohner Porsche foi o primeiro automóvel de produção a ostentar o nome Porsche. Era uma versão mais potente e mais complexa do Semper Vivus. Nas versões mais potentes, no lugar de um motor de combustão, usava dois, e ao invés de dois motores elétricos, tinha quatro, assegurando assim tração integral, um luxo nos dias de hoje.

Cada motor de combustão desenvolvia cerca de 2,5 cv de potência, ligeiramente inferior à desenvolvida pelos motores elétricos fornecidos pela De Dion, que era de 2,8 cv.

Lohner Porsche
Lohner Porsche na sua versão mais potente (quatro motores elétricos).

A potência combinada dos quatro motores elétricos (um roda) era de 11,2 cv. A velocidade máxima era de 36 km/h e a autonomia máxima rondava os 190 km. Muito bom mesmo, ainda para mais considerando os 1700 kg de peso do conjunto.

No total, entre 1902 e 1906, foram produzidas cerca de 300 unidades do Lohner Porsche, com motores elétricos fornecidos não só pela De Dion, mas também pela Daimler e Panhard. A sua produção foi interrompida porque a complexidade do sistema e o custo da tecnologia era superior à dos veículos 100% a combustão. Hoje quase 120 anos depois, segue a história

Porsche Semper VivusEsta réplica do Porsche Semper Vivus foi construída pela Porsche em 2011, época do lançamento do Porsche Cayenne Hybrid.

 

 

 

 


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