O que é, o que é: tem motor Ferrari, mas não é Ferrari?

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Os motores da Ferrari não foram aplicados apenas em modelos da marca. Com o passar dos anos, puderam ser encontrados em outros carros. Confira nesta lista de AUTO&TÉCNICA diversos modelos de outras marcas, equipados com motor Ferrari.

por Ricardo Caruso

Lancia Thema 8.32

Não é comum vermos motores da Ferrari sendo usados em modelos que não ostentem o seu clássico emblema, mas a verdade é que isso já aconteceu, mais vezes do que você pode imaginar.

Alguns desses casos são bem recentes e conhecidos, como é o caso do V6 biturbo usado pelos Alfa Romeo Giulia e Stelvio Quadrifoglio, mas há outros casos que nos obrigaram a revirar a história automóvel, como é o caso do desconhecido ASA 1000 GT.

Uma curiosidade: em comum, todos os modelos que encontramos tinham uma característica em comum, a nacionalidade italiana.

ASA 1000 GT

Se atualmente a presença de motores V8 —e agora até os V6— na linha Ferrari é algo normal, nas décadas de 1950 e 1960, a marca de Maranello era bem mais “exigente”. Debaixo do capô dos seus carros de rua nunca deixávamos de encontrar um impressionante V12, que também se refletia na exclusividade e justificava o preço dos seus modelos.

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Desenhado por um jovem iniciante chamado Giugiaro, o ASA 1000 GT parecia uma Ferrari em miniatura.

Como alternativa mais acessível aos seus motores V12, Enzo Ferrari colocou aos seus engenheiros a possibilidade de desenvolver um novo modelo para preencher a lacuna dos esportivos mais acessíveis. E assim surgiu o ASA 1000 GT, pequeno esportivo desenvolvido pela Ferrari, equipado com um também pequeno motor de quatro cilindros e -acredite- motor, que nada mais era que um 1/3 do motor 3.0V12 de alumínio da Ferrari.

Agora você perguntou: “Por que é que o ASA 1000 GT não se chamou Ferrari”? Se Enzo Ferrari estava relutante em equipar um modelo com o símbolo da Ferrari com outro motor que não fosse um V12, também não pretendia expandir as suas instalações para acomodar a produção prevista de mais de 3000 unidades anuais do modelo.

ASA 1000 GT
Com quatro cilindros em linha e 1 litro, o motor do ASA 1000 GT era 1/3 do 3.0V12 da Ferrari.

Por isso, o comendador recorreu à sua boa relação com a família de industriais Nora para produzir o pequeno esportivo, criando assim a ASA (Autocostruzioni Società per Azioni).

Apresentado no Salão de Turim de 1961, o ASA 1000 GT só começou a ser produzido em 1964. As suas linhas eram da autoria de Giorgetto Giugiaro (que então estava trabalhando na Bertone) enquanto o seu chassi foi desenvolvido por outro grande nome da indústria automotiva italiana: Giotto Bizzarrini.

Produzido até 1967, o ASA 1000 GT rapidamente ficou conhecido como “Ferrarina” (pequena Ferrari) evidenciando a ligação com a marca.

Apesar das intenções de ser acessível, o ASA 1000 GT chegou ao mercado com preço elevado —também puderas, contava com mimos como os quatro discos de freio ou motor Ferrari —, pelo que ficou muito longe do sucesso de vendas esperado. Das 3000 unidades anuais previstas, apenas 90 foram produzidas.

Dino V6

Desenvolvido em conjunto por Alfredo “Alfredino” Ferrari e o criador do primeiro V6 de produção da Lancia, Vittorio Jano, o primeiro motor V6 da Ferrari (batizado de Dino V6) nasceu com um só objetivo: ser usado na Fórmula 2.

Contudo, os regulamentos exigiam que, para efeitos de homologação, o motor teria que equipar carros de rua e ter pelo menos 500 unidades produzidas num período de 12 meses.

Fiat Dino Spyder
O Fiat Dino Spyder…

Sem capacidade para produzir tantos carros em Maranello naquele período curto de tempo, a Ferrari recorrer à Fiat, que assim recebeu um belo motor V6 para criar um dos seus modelos mais especiais da sua história: o Fiat Dino.

O Fiat Dino estava disponível como Dino Spyder (desenhado por Pininfarina) ou Coupé (de autoria de Bertone), tinha tração traseira e estava equipado com o mesmo 2.0V6 que equipava o Dino 206 GT (uma Ferrari onde faltava apenas o logotipo); oferecia 160 cv, e vinha acompanhado por uma caixa de câmbio manual de cinco velocidades.

Fiat Dino
… e o Fiat Dino Coupé.

Em 1969 o motor Dino V6 evoluiu, passando dos 2.0 litros originais e do bloco de alumínio, para 2.4 litros de capacidade e bloco em ferro forjado, com a potência subindo para 180 cv.

Além de ter continuado presente no Fiat Dino e nos Dino 246 GT e GTS, este motor chegou igualmente a um dos mais fantásticos modelos da indústria automotriva: o Lancia Stratos, lançado em 1973. Ainda hoje em dia futurista, o Stratos quebrou todas as barreiras sobre o que seria um carro de rali na sua época.

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Lancia Stratos: sem comentários…

O resto é história. O Stratos foi o primeiro carro a ser concebido especificamente para os ralis, e o seu motor V6, colocado em posição central traseira —com 190 cv—  ajudou a Lancia a conquistar três títulos mundiais consecutivos de ralo como fabricante.

Outra Lancia

Entre 1975 (o último ano de produção do Stratos) e 1986, os motores Ferrari voltaram a equipar apenas outros Ferrari. Contudo, o Lancia Thema 8.32 veio ao mundo para mudar isso.

Equipado com um motor 3.0V8 (2927 cm3) da Ferrari, o Thema 8.32 marcou o regresso dos motores Ferrari à Lancia.

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Compartilhado com o Ferrari 308 Quattrovalvole, este motor tinha -na versão sem catalisador- 215 cv, que permitiam ao modelo executivo da Lancia acelerar de zero a 100 km/h em 6,8s e alcançar os 240 km/h de velocidade máxima.

Quanto à designação 8.32, essa devia-se aos números do motor V8: “8”, de V8, e “32”,m de 32 válvulas.

Na Maserati

Quando, nos anos 1990, Luca di Montezemolo ficou à frente dos destinos da Ferrari e, algum tempo depois, também da Maserati, era questão de tempo até os motores Ferrari ficarem disponíveis na “marca do tridente”.

Isso se tornou realidade em 2002, quando os Maserati Coupe e Spyder (também conhecidos como 4200 GT) receberam o mesmo motor V8 aspirado do Ferrari F430, o F136.

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Maserati 4200 GT

Para melhor se adaptar às características dos modelos da Maserati, o 4.2V8 (4244 cm3) apresentava-se com arranjo cruzado das bielas (o que permitia funcionamento mais suave e foco no torque) ao invés da biela plana (mais leve, equilibrada e capaz permitir mais rotação) dos Ferrari

Além do Coupe e Spyder, o V8 equipou também o Quattoporte e evoluiria para uma versão com 4,7 litros, equipando outros modelos como o GranSport e mais tarde, os GranTurismo e GranCabrio, com estes dois se aposentando em 2019.

Alfa Romeo 8C Competizione
Alfa Romeo 8C Competizione

Além dos Maserati, o 4.7 V8 aspirado encontrou lugar ainda debaixo do capô dos belíssimos Alfa 8C Competizione (imagem acima) e 8C Spider.

Alfa Romeo segue a tradição

O 8C foi o primeiro, mas foi com os Alfa Romeo Giulia e Stelvio Quadrifoglio que a ligação entre a Alfa Romeo e a Ferrari se estreitou.

Culpa do 2.9V6 biturbo, Ferrari claro, capaz de entregar 510 cv de potência e 60 mkgf de torque. Por fim, nos Giulia GTA e GTAm, a potência subiu para impressionantes 540 cv, valor que faz destes modelos os Alfa Romeo mais potentes de todos os tempos.

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Stelvio Quadrifoglio

Assim, fica a dúvida: qual será o próximo carro “não-Ferrari” a merecer um motor Ferrari?


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