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CLASSIC CARS: O CORVETTE ALEMÃO

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A Opel foi fundada na Alemanha por Adam Opel em 1863, fez seu primeiro automóvel em 1899 e desde 1929 faz parte da General Motors. Nos anos 1960, em sua fábrica de Rüsselsheim, produzia automóveis robustos, não muito bonitos mas de preços acessíveis. Entre eles estava o Kadett (que evoluiu para o Chevette, bem conhecido por aqui) e o Rekord, que pouco depois daria origem ao Chevrolet Opala nacional. Os dois contavam com versões esportivas mas não eram automóveis de grande desempenho, sendo apenas equipados com motores um pouco mais animados e contavam com alguma decoração.

A General Motors controlava 80% da Opel desde 1929, e sua influência no estilo e projeto dos automóveis da marca não era muito evidente. A GM era conhecida pelas marcas e carros produzidos nos Estados Unidos, que nada tinham em comum com os pequenos carros europeus. Mas em 1965, no Salão de Frankfurt, quando foi exposto o carro-conceito Experimental GT, isso mudou um pouco. O carro tinha linhas esportivas, que lembravam um pouco o Corvette, e a reação do público foi boa. Era um modelo apenas para estudar a reação do mercado, que não seria produzido, e tinha o motor 1.9 de quatro cilindros em linha do Rekord. A Opel garantia que o modelo chegava aos 200 km/h.

EM LINHA

Como o projeto foi bem recebido pelo público, a GM decidiu fazer algumas mudanças no desenho, que o deixaram mais parecido ainda com um Corvette em miniatura, além de viabilizar economicamente sua produção. Era o Opel GT, que nasceu três anos depois (em 1968) da apresentação do conceito Experimental GT, exibido em 1965. Usava motor de 1.100 ou 1.900 cm3, de 60 e 90 cv respectivamente. Só tinha cara de mau, pois quem esperava desempenho esportivo acabou se decepcionando.

Mesmo assim, o primeiro esportivo moderno da Opel entusiasmou, em especial jovens de boa origem ou estudantes com conta bancária recheada. Com suas linhas, chamou muita atenção. Tinha 4,11 metros de comprimento, duas portas, dois lugares e reduzido espaço para bagagem.

Uma curiosidade: o Opel GT não tinha tampa de porta-malas na traseira, e sua carroceria ali era fechada; acesso à bagagem só pelo lado interno. No centro da traseira ficava o bocal do tanque, cromado, indicando que o reservatório estava ali. Acessar o estepe era pior ainda, pois ele ficava abaixo do espaço para bagagem. Por outro lado, a área envidraçada era boa para a época, a frente curta e curvada e a traseira tinha quatro lanternas redondas.

Na frente, as duas entradas de ar no capô e uma discreta “bolha” mais atrás, do lado direito, realçavam a aparência esportiva. Os faróis escamoteáveis giravam em um mecanismo fixado a um eixo longitudinal e, abaixo do delicado parachoques existiam mais dois faróis auxiliares redondos. A abertura dos faróis era feita por uma alavanca no console, logo à frente da alavanca de câmbio.

DOIS MOTORES

A versão básica era a GT 1100 SR, um conjunto mecânico era muito conservador: o motor era na dianteira, posicionado atrás do eixo para melhorar a distribuição de peso. Bloco e cabeçote eram feitos de ferro fundido, comando de válvulas no bloco e tração traseira. Com 1.078 cm3 e alimentado por dois carburadores Solex, tinha apenas 60 cv de potência máxima a 4.400 rpm, com peso de 860 kg e velocidade máxima de 155 km/h.

O top de linha era o 1900 S, um pouquinho mais interessante, mas nada muito especial. Tinha 1.867 cm3, 90 cv de potência e 14,9 mkgf de torque máximos. Ou seja, andava como um atual carro popular 1.0 brasileiro. O comando de válvulas era no cabeçote e usava um carburador Solex. Chegava aos 185 km/h e fazia de zero a 100 em 10,9 s, razoáveis para a época. Além do baixo peso, a velocidade máxima era boa por causa da aerodinâmica.

Por dentro, tinha volante esportivo de três raios (semelhante aos dos Opala SS daqui) e muitos instrumentos. Os bancos tinham encosto alto e desenho esportivo. Detalhe interessante é que as teclas de luzes e limpadores de parabrisa eram as mesmas usados no Opala aqui até 1973. Podia ter como opcional transmissão automática de três marchas, nos modelos exportados para os Estados Unidos.

Por causa de seu desenho e desempenho fraquinho, logo o Opel GT começou a ser chamado de “Corvette dos pobres”. E com razão. O comportamento em curvas era bom mas, por causa dos pneus da época, o GT não gostava muito de piso irregular ou chuva. O Opel não decepcionava em preço e robustez, mas em desempenho. Nos Estados Unidos era vendido nas concessionárias Buick, onde teve boa aceitação.

O FINAL

Em 1971 foi apresentada a versão GT/J (de Junior), mais barata e despojada. Não tinha mais cromados nas molduras de vidros, pára-choques e bocal do tanque; as rodas perderam as calotas e por dentro tinha dois instrumentos a menos. Na parte mecânica não aconteceram  mudanças.

No começo da década de 1970, o GT serviu de base para alguns concepts da Opel, justamente ele que nascera de um modelo desses. Foram o Elektro GT e o Aero GT, por exemplo. Em agosto de 1973, depois de 102.000 unidades produzidas, o pequeno esportivo deixou de ser fabricado.


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