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Os raros Porsche escondidos em Cuba

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Cuba é um país que se pode rotular de clássico no todo, praticamente uma viagem no tempo, pois ficou quase 50 anos praticamente fechado ao mundo, e como se sabe, muitos automóveis que por lá circulam parecem ter saído de um ferro-velho e, em raros casos, de um encontro de antigos. Por isso, é muito raro difícil encontrar um carro da Porsche por lá, mas eles existem.

Porsche 356 abandonado, depenado e que um dia teve lanternas de Lada. Na Ilha, um carro antigo salva outro…

Só para se ter uma ideia do tempo de isolamento imposto a Cuba, a última corrida internacional que aconteceu por lá foi em 24 de Junho de 1962 e dois Porsche 356 Speedster ficaram em primeiro e segundo lugares. Mesmo equipados com motor 1500, ficaram à frente dos automóveis americanos com motores de V8 de 5 litros.

Estavam ao volantes destes Porsche os pilotos Papi Martínez e Eduardo Delgado, respectivamente. Naqueles tempos, vários foram os pilotos famosos que participaram de provas em Cuba, como Huschke von Hanstein, diretor esportivo da Porsche, que participou no GP Libertad de 1960, com um 718 RSK.

Carroll Shelby também esteve pela ilha, ao volante de um Porsche 550. Outros pilotos que também competiram em Cuba foram, por exemplo Graf Berghe von Trips, Edgar Barth, Stirling Moss e, claro, Juan Manuel Fangio e o seu antológico sequestro.

Apesar do embargo já ter terminado, Cuba ainda vai demorar algum tempo para se modernizar, sendo que a grande maioria dos automóveis que circulam na capital Havana, são americanos e um ou outro Lada sobrevivente. O Porsche Club de Cuba só existe no nome, foi formado em 2003, e encontrar um modelo da marca alemã é quase tão difícil quanto encontrar o Mundial do Palmeiras.

O vermelho mostrado em foto mais acima, antes de ser abandonado. Os encontros são rápidos e clandestinos.

Orlando Morales, beirando os 80 anos, é uma espécie de arquivo automobilístico e automotivo de Cuba, guardando com ele várias fotos da era dourada das competições naquele país, além de saber onde alguns modelos Porsche ficaram ou continuam escondidos.

Ele próprio chegou a pilotar um Porsche 550 A Spyder, em 1961. Tem também um arquivo de todos os modelos legalmente importados para o país, onde consta, claro, os Porsche, reconhecendo que não devem ter chegado mais de 30 exemplares por lá, com uns 10 sobreviventes. Alguns deles eram de competição, e esses abandonaram o país faz muito tempo.

Por meio dele e outros aficcionados, sabe-se da existência de um Porsche 356 C, na cor vinho, parado há anos num quintal. Infelizmente, o seu motor boxer de quatro cilindros não está presente, sumiu a tampa traseira e as portas estão desmontadas. As lanternas traseiras foram substituídas por outras vindas de um Lada.

Mais um pouco e você é apresentado a outro 356, cinza, mas este, apesar de também parado há algum tempo, está no coberto (acima) e parece em melhor estado, tendo carroceria Reutter. No interior tem bancos Recaro, com uns 20 anos, vindos sabe-se lá de onde.

Adiante, são encontrados mais dois 356, mas estes, apesar de em estados diferentes de preservação, circulam. Um deles, na cor bege, é de 1957 e está impecável para os padrões automotivos da ilha, tendo sido restaurado. O outro, de 1953 e com o característico pára-brisas vincado ao centro, é azul e está em avançado estado de decomposição, pois foi encontrado abandonado há décadas debaixo de uma árvore, mas agora está circulando de novo. O seu motor não é o original, sendo proveniente de um Fusca.

Esta é apenas uma breve e curta história dos automóveis Porsche em Cuba, onde os próprios donos querem ficar no anonimato, para evitar chamar atenção.


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