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Primeiro semestre: Volkswagen tem forte queda nos lucros

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A volatilidade dos mercados emergentes -incluindo o Brasil- castiga a margem de lucro do grupo VW. Terminado o primeiro semestre de 2014, é hora de fazer contas. Na Volkswagen, as coisas continuam risonhas, mas o sorriso é amarelo, pois a margem de lucro operacional voltou a cair para cerca de US$ 4,4 bilhões, quando no mesmo período de 2013 foi de US$ 4,6 bilhões.

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O volume de negócios do grupo cresceu 2,2%, em US$ 60 bilhões, apesar de alguma turbulência e de taxas de câmbio nada favoráveis, nomeadamente, nos mercados emergentes, demasiado voláteis para que uma estratégia cambial possa ser conduzida de forma segura.

Felizmente para o grupo VW, Audi e Porsche tiveram ganhos significativos, que permitiram disfarçar a fraca rentabilidade da marca VW. Estas dificuldades têm atingido fortemente as marcas européias, que apesar de verem o seu mercado tradicional tentando finalmente emergir depois de seis anos de queda contínua.

As vendas do grupo VW caíram de maneira violenta (leia-se “acima de dois dígitos”) no Brasil, Rússia e Índia, que, junto com a China (o BRIC) contabilizam praticamente metade dos 9,73 milhões de veículos Volkswagen vendidos em 2013, um recorde para o grupo alemão.

Olhando para as marcas do grupo VW, a Volkswagen assistiu, no primeiro semestre, o lucro operacional cair 32%, indo para  para cerca de US$ 1,1 bilhão de euros. Os custos com o novo Passat e respetivo escoamento do atual modelo, e os US$ 900 milhões que vai investir na construção de um novo SUV na fábrica norte-americana do Tennessee para tentar recuperar mercado naquela região, são os responsáveis por este resultado.

Já na Audi, o crescimento do lucro operacional foi praticamente nulo, pois ficou em US$ 3,6 bilhões contra US$ 3,4 bilhões de 2013. Este resultado foi afetado pelo investimento em tecnologia e novas fábricas. Também por isso a margem operacional caiu de 10,5 para os 10%.

O lucro da Skoda melhorou consideravelmente nos primeiros seis meses de 2014: US$ 566 bilhões. O ano passado esse valor ficou em US$ 324 bilhões. O lançamento de novos modelos permitiu este resultado, que fez a margem operacional subir dos 4,9 para os 7,1%.

No lado da Seat, ainda não foi desta vez que chegaram os lucros, mas pelo menos diminuíram os prejuízos de US$ 53 bilhões dos primeiros seis meses de 2013 para US$ 49,3 bilhões em igual período deste ano. Na Bentley, o lucro operacional subiu e a Porsche registrou margem de lucro operacional de US$ 1,8 bilhão, praticamente o mesmo registo de 2013, com margem de lucro operacional de 18,4%

Como falamos antes, o grupo VW está mudando o foco da sua atividade. Ao invés de buscar de forma obsessiva os valores de produção que permitam ultrapassar a Toyota e se tornar a número 1 mundial, o grupo VW quer agora focar nas margens de lucro. Isso explica que a marca VW trabalhe para cortar custos e melhorar a produtividade em US$ 6,6 bilhões para 2017. Soube-se agora que a administração do grupo VW decidiu criar um grupo de trabalho com cerca de 60 gestores e engenheiros, que vão trabalhar exclusivamente a aceleração do desenvolvimento de novos veículos e tecnologias, tentando seguir exemplos como o da Apple na área da eletrônica.

Os bons níveis de vendas na China permitem, porém, que o grupo VW esteja na rota certa para ultrapassar, já este ano e pela primeira vez na sua história, as 10 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, quatro anos antes daquilo do que estava previsto. E para 2015, o grupo prevê o lançamento de 100 modelos novos ou revistos, como forma de pressionar a Toyota que, apesar de tudo, mantém a liderança mundial. Ou seja, o foco está nos ganhos de produtividade e na margem de lucro, mas sem desprezar o objetivo de ser a número 1!

Apesar de tudo isto, as ações do grupo VW continuam abaixo dos valores de 2013, com cada título valendo na Europa em torno de  US$ 236, colocando o valor do grupo em US$ 110 bilhões, menos 13% que em 2013. Ainda assim, o grupo continua firme na sua previsão de fechar o ano com uma margem de lucro operacional de 6,5% e margem de erro de 3%. No ano passado o valor foi de 5,9%.

No comunicado onde são anunciados os resultados do segundo trimestre, Martin Winterkorn, CEO do grupo VW, explicou que “à luz da continuada pressão competitiva do mercado, a tensa situação em certas economias e as mudanças tecnológicas fundamentais para ser bem sucedido que a indústria exige, estamos trabalhando forte para criar as condições, hoje, para assegurar o sucesso do futuro”.


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