OMEGA ERA O CHEVROLET MAIS CARO DO MUNDO?

Depois de 20 anos, o Chevrolet Omega deixou o mercado brasileiro. Sem nenhum comentário, a General Motors retirou de seu site as informações do modelo e as concessionárias pararam de receber o sedã de luxo, que era importado da Austrália desde 1998, quando a produção do Omega brasileiro foi encerrada.

Lançado em 1992 para substituir o Opala, o Omega na sua primeira geração foi oferecido como sedã e wagon (a Suprema) com motores de quatro cilindros 2.0 e 2.2 (os dois com 116 cv), e de seis cilindros em linha, 3.0 e 4.1 (165 e 168 cv, respectivamente).

HISTÓRIA

Na verdade, o Omega foi lançado em 1986 pela Opel, a subsidiária alemã da GM, e foi produzido na fábrica de Rüsselsheim até 2003, de onde era exportado para vários países, reebendo inclusive as marcas Vauxhall, Lotus e Cadillac. Em 1992 foi lançado no Brasil, produzido pela Chevrolet em São Caetano do Sul, SP.

1992

O carro surpreendeu o mercado, pois trazia muitas tecnologias e soluções até então inéditas, como a excelente aerodinâmica, bom desempenho, segurança, conforto e ótimo acabamento. Sua missão era ocupar o espaço deixado pelo Opala, que era um projeto antigo, feito a partir do Opel Rekord C 1966 e que teve longa vida por aqui, recebendo uma série de modificações com o passar dos anos.

A criação de um sucessor para os Opel Rekord e Senator na Alemanha começou em 1981. Foi o maior valor já investido pela Opel até aquele momento, e o Omega tinha o projeto batizado de “Carro V”, um veículo todo novo, com plataforma inédita, espaço para cinco ocupantes, motor dianteiro longitudinal e tração traseira, como comvém a um carro de qualidade. Seu desenho consumiu mais de 1400 horas de estudos em túneis de vento, com modelos em escala e protótipos em tamanho real, feitos na Opel Design Center, Universidade Técnica de Stuttgart e na Pininfarina, na Itália.

1994

NA EUROPA

O Opel Omega A, como é conhecido na Alemanha, foi apresentado ao mercado europeu em 1984, onde manteve-se em produção até 1994, quando foi substituído pelo Omega B. No Brasil, chegou em 1992, para substituir o Opala e enfrentar os importados que começavam a desembarcar por aqui. Aqui era o projeto 1700, baseado na Plataforma V utilizada pela Opel na Alemanha. O novo Chevrolet chegou às ruas brasileiras 25 meses depois do OK para sua fabricação. O Chevrolet Omega foi lançado em agosto de 1992, já como modelo 1993, nas versões sedã e station wagon (a Suprema).

Wagon Suprema

Tinha 4,74 metros de comprimento e 2,73 m de entre-eixos, e chegou ao mercado com duas opções de motores e acabamento: GLS (Gran Luxo Super) com motor 2.0 e a CD (Comfort Diamond), com o excelente motor 3.0 de seis cilindros em linha, Opel, importado da Alemanha.

O motor 2.0 era o mesmo da “Família 2″ usado no Monza, mas equipado com injeção eletrônica multiponto Bosch Motronic, de processamento digital e sensor de detonação na versão a álcool, mais sonda lambda no escapamento. Tinha 116 cv de potência máxima, permitindo ao carro chegar aos 190 km/h de velocidade máxima, com aceleração de zero a 100 km/h em 12,7 segundos (com gasolina).

2001

 

Ainda em 1993 a GM apresentou o Omega GLS 2.0 a álcool, oferecendo mais potência e desempenho ao modelo. A potência máxima divulgada era de 130 cv e o Omega acelerava de zero a 100 km/h em 11 segundos e beirava os 200 km/h de velocidade final.

MOTOR OPEL

Mas interessante mesmo era o seis cilindros 3.0, que tinha comando de válvulas no cabeçote, cabeçote com fluxo reverso, e bloco e cabeçote de ferro fundido. Tinha 165 cv de potência e com ele o Omega acelerava de zero a 100 km/h em 9,5 segundos, alcançando os 212 km/h.

O acabamento e conforto eram bem cuidados. Havia espaço para cinco ocupantes, bancos de couro (opcional a partir de 1995), porta-malas generoso, ar-condicionado e teto-solar elétrico, além de detalhes como o computador de bordo, painel de instrumentos digital, freios ABS, câmbio manual de cinco marchas ou –opcional- automático de quatro marchas (com três programas de funcionamento: normal, esporte e antipatinagem).

2003

Tinha ainda cruise control, vidros elétricos com função “one touch”, retrovisores elétricos com desembaçador e retrovisor interno fotocrômico. O Omega também oferecia um sistema de som exclente, com CD Player e toca-fitas separados.

A preocupação com a aerodinâmica e o desenho estavam presentes em cada detalhe. Frente longa e em cunha, grade reduzida, palhetas do limpador de pára-brisa escondidas pelo capô, janelas laterais rentes à carroceria, maçanetas embutidas e teto sem calhas. Tudo isso fez o carro ter um coeficiente de penetração aerodinâmica (Cx) de apenas 0,30 (era de 0,28 na Europa, mas aqui o carro ficou com as suspensões mais altas, o que piora um pouco a aerodinâmica).

A SUPREMA

Por falar em suspensão, um novo conjunto traseiro independente, de diferencial fixo e braços semi-arrastados, foi desenvolvido pela Opel para a plataforma do Omega, diferente das suspensões de eixo rígido comuns até hoje. Na dianteira, suspensão McPherson, com amortecedores pressurizados à gás nas versões de seis cilindros.

2008

A wagon  Suprema foi lançada em abril de 1993. Podia levar 540 litros de bagagem com o banco traseiro em posição normal, e a suspensão traseira contava com um sistema de nivelamento pneumático constante, que deixava a carroceria sempre na altura correta, independente da quantidade de carga transportada.

Em 1994 foi lançada a série limitada Diamond, com acabamento do GLS e motor 3.0. Surgiu ainda a versão GL, mais despojada e com acabamento mais simples, a maioria com motor a álcool, para atender frotistas e taxistas. Neste mesmo ano o Omega sofreu uma extensa reestilização na Europa.

No ano seguinte, em 1995, a linha recebeu novos motores: 2.2 quatro cilindros e 4.1 de seis cilindros em linha, no lugar dos 2.0 e 3.0 originais. O motor 4.1 era o mesmo do Opala, mas com algum aperfeiçoamento, o que melhorou seu rendimento, com maior suavidade e menor consumo, em comparação ao motor que equipou o último Opala Diplomata SE 4.1.

NA LOTUS

O retrabalho do motor foi encomendado para a Lotus, que de imediato apresentou um cabeçote de alumínio com 24 válvulas e 200 cv de potência. Mas a GM optou por menos. Assim, algumas peças tiveram o peso reduzido, o cabeçote recebeu dutos de admissão e escapamento individuais e o carburador deu lugar à injeção eletrônica. Com isso, a potência passou para 168 cv e o torque ficou em 29,1 mkgf a 3.500 rpm. Equipava a versão CD, mas logo os GLS também receberam esse motor.

Esse não veio para o Brasil: Omega Lotus. Só duas unidades desembarcaram aqui, trazidas por particulares.

A substituição do motor de quatro cilindros foi necessária pela falta de torque do 2.0 em baixas rotações, pois o carro pesava 1.350 kg. O motor passou para 2.2 litros com o aumento do curso dos pistões. O torque que era de 17,3 mkgfm foi para 20,1 mkgf a 2.800 rpm, e a potência continuou inalterada. Já o 4.1 foi adotado devido ao final da produção do motor 3.0 pela Opel, na Alemanha. Por lá, o Omega B passou a usar o Ecotec MV6, 3.0 24 válvulas de 210 cv e 27,4 mkgf de torque.

Também para o ano de 1995, o acabamento da versão CD foi melhorado em alguns detalhes: apliques imitando madeira nas portas e no console, bancos de couro, rodas Powertech, lanternas traseiras fumê e um discreto spoiler na tampa traseira.

O ano de 1996 foi o último em que a Suprema foi fabricada. Para 1998, último ano de produção do Omega no Brasil, a Chevrolet preparou uma série especial de despedida, com itens exclusivos, como rodas esportivas, novos logos e emblemas, painel com outro grafismo e iluminação em verde, tecla para travamento central das portas e pequenos ajustes no motor para reduzir o consumo.

OMEGA B

Em 1999, a GM iniciou a importação do Omega direto da Austrália, em versão única, sedã de quatro portas. O modelo vendido aqui como Omega CD, mas na verdade era o Holden Commodore VT australiano, desenvolvido com a mesma plataforma do Omega B alemão. Mas o desenho era diferente e o carro tinha suspensão melhorada e o motor Buick 3.8V6.

Inicialmente, o modelo vinha equipado com esse motor 3.8V6 de 200 cv e 30 mkgf de torque, mas em 2005 recebeu um novo motor, o moderno motor Alloytec 3.6V6 24V de 254 cv e 35 mkgf de torque. Esta segunda geração manteve-se no mercado com vários aprimoramentos até 2007, correspondendo aos Holden VX, VY e VZ australianos.

 OMEGA C

Lançado na Austrália em 2006, o Holden Commodore VE foi o primeiro Commodore todo projetado na Austrália, ao invés de usar plataforma Opel. Logo em 2007, a GM voltou a importar o Holden para o mercado brasileiro.

A nova plataforma, batizada de Zeta, era maior e mais espaçosa que a anterior, com distância entre-eixos de 2,91 m. Tinha suspensão traseira independente tipo multilink, mais sofisticada, e distribuição de peso de 50%/50%, melhorando a dirigibilidade. O motor e transmissão foram mantidos os mesmos do anterior VZ, equivalente ao Chevrolet Omega B de 2005, mas com nova calibração para melhor rendimento.

O desenho deste novo modelo levou em conta características para minimizar os custos de exportação, como por exemplo, um console central simétrico, permitindo o freio de mão numa posição mais adequada para os países que não fossem de mão inglesa. O anterior tinha o freio de estacionamento e botão de volume do rádio do lado direito do console.

Essa plataforma Zeta do Omega é tão avançada aque foi usada em outros carros da GM, como Camaro, Pontiac G8, Vauxhall VXR8, Lumina e Caprice. A General Motors optou por trazer para o Brasil apenas o sedã quatro portas com motor V6. A versão que era vendida no Brasil mantinha o motor Alloytech 3.6V6 24V com câmbio automático de cinco marchas, controle de tração e de estabilidade, tração traseira, suspensão traseira independente multi-link e freios a disco com ABSe EBD.

FITTIPALDI

 Desde seu lançamento, o Holden Commodore VE -ou Chevrolet Omega C- recebereu muitos elogios e estavam entre os melhores carros da categoria no mundo. Em 2011, a Chevrolet reintroduziu o carro no Brasil com uma série especial, chamada de Omega Fittipaldi, em homenagem ao piloto Emerson Fittipaldi, trazendo como principal novidade o sistema de injeção direta de combustível no motor Alloytec 3.6 24v SIDI, elevando sua potência para 292 cv e o torque para 36,7 mkgf.

Fittipaldi: caro e bom.

Os pára-choques ganharam novo desenho, possibilitando Cx de apenas 0,33. Equipado com transmissão automática de seis marchas com trocas sequenciais, o sedã acelerava de zero a 100 km/h em 6,8 segundos e ia aos 235 km/h de velocidade máxima, limitada eletronicamente. As novidades para 2012 foram poucas, mantendo o sistema multimídia, com navegação por GPS e conexão com iPod/USB e tela central touch screen. O acabamento interno era em couro, com revestimento dos bancos em bege.

Saiu de linha custando cerca de US$ 80 mil aqui no Brasil, ou seja, em dólar era um dos Chevrolet mais caros do mundo. Um Corvette 2013 começa em US$ 49,6 mil, e um Camaro zero parte de US$ 24.080. Culpa dos impostos, da mportação e outros custos.

O Omega nacional, de 1992: revolucionário.

 

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