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Tela touchscreen, novidade no Buick Riviera. Em 1986…

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Praticamente desconhecido na Brasil, em 1986 o Buick Riviera entrou para a história como o primeiro automóvel a ser equipado com uma tela “touchscreen” (ou sensível ao toque), que ainda hoje causa admiração nos menos informados. E o recurso aplicado pela General Motors era bem mais completo do que se pode imaginar olhando para o passado.

por Ricardo Caruso

Buick Riviera ecrã

Numa era em que os videocassetes faziam muito sucesso e os celulares eram pouco mais do que um objeto de desejo muito distante, a última coisa que se esperava encontrar no interior de um automóvel era uma tela touchscreen. Mas era exatamente esse equipamento um dos principais destaques do Buick Riviera.

Mas como é que uma tela touchscreen foi parar no painel de um carro em plena década de 1980? Tudo começou em novembro de 1980 quando os executivos da Buick decidiram que, antes do final da década queriam oferecer um modelo equipado com o que de melhor a tecnologia pudesse oferecer.

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Ao mesmo tempo, numa fábrica da Delco Systems na Califórnia, estava sendo desenvolvida uma tela sensível ao toque, pensado especialmente no seu uso em automóveis. Sabendo das intenções da Buick, a Delco apresentou no início de 1981 um protótipo do sistema aos executivos da GM (a dona da Buick) e o resto é história.

Buick Riviera ecrã
De acordo com quem já a usou, a tela touchscreen do Buick Riviera era bastante responsiva, mais até do que alguns sistemas usados hoje nem dia.

Em 1983 as especificações definitivas do sistema estavam definidas, e em 1984 a GM instalou o equipamento em 100 unidades do Buick Riviera, que foram enviados para os concessionários da marca para conhecer as reações do público a uma tecnologia tão inovadora.

As reações foram muito positivas. Tão positivas que em 1986 a sexta geração do Buick Riviera trazia esta tecnologia, que na época parecia extraída direto de um filme de ficção científica.

Batizado de “Graphic Control Center” (ou GCC), o sistema que equipava o modelo norte-americano apresentava-se com uma pequena tela preta de 5 polegadas, com letras verdes, e recorria à tecnologia de raios catódicos. Com memória para 32 mil palavras, oferecia muitas das funções que podemos acessar numa tela moderna.

Climatização? Era controlada naquela tela. Rádio? Obviamente que era por lá que escolhíamos a música que ouvíamos. Computador de bordo? Era também naquela tela que o consultávamos.

O sistema era tão avançado para a época, que havia até uma espécie de embrião do sistema navegação. Não indicava o caminho, mas se inseríssemos no início da viagem a distância que íamos percorrer e o tempo estimado de viagem, o sistema informava-nos ao longo do percurso quanta distância e tempo faltavam até chegarmos ao destino.

Além disto, estavam disponíveis um alerta de excesso de velocidade e um completo conjunto de mostradores que nos informavam de diversos sistemas do carro. Com resposta muito rápida (em certos aspectos, melhor do que alguns sistemas atuais), aquela tela contava ainda com seis teclas de atalho, tudo para facilitar a sua utilização.

Buick Riviera 1986

Muito à frente do seu tempo, este sistema foi também adotado dois anos depois pelo Buick Reatta (produzido entre 1988 e 1989, foto abaixo) e conheceu ainda uma evolução —o “Visual Information Center”— que foi usada pelo Oldsmobile Toronado.

The 1988–91 Buick Reatta Is an Underappreciated Classic

Porém, o público não foi totalmente seduzido por esta tecnologia -que obviamente não era barata- e por isso a GM decidiu abandonar um sistema que, cerca de 30 anos mais tarde (e com as devidas evoluções), se tornou “obrigatório” em praticamente todos os automóveis.


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