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TEST DRIVE: FUSCA 2013

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O que acontece quando uma empresa reinterpreta um desenho clássico, como o Fusca, garrafa da Coca-Cola, o óculos Ray Ban Aviator, a câmera Leica M9, o jeans Levi’s? Será possível reinventar algo tão forte e marcante? A resposta é sim, desde que se entenda o produto e a marca. Na área de automóveis, iss vem acontecendo a algum tempo, com o lançamento de carros retrôs, como o New Beetle, Camaro, Mustang, PT Cruiser e outros.

Pois agora a Volkswagen recriou mais uma vez o conceito do Fusca, que já havia sido explorado no New Beetle de 1998 e foi refinado agora no que se batizou no Brasil de Fusca, modelo que chegou por R$ 76.600 na versão com câmbio manual ou R$ 80.990 com transmissão DSG de dupla embreagem.

Nessa nova geração do Fusca, a Volkswagen acordou e deixou livre a escolha do nome do modelo, de acordo com o nome ou apelido carinhoso que o modelo recebeu em cada mercado ao longo da sua história. Na França, o Beetle é chamado de “Coccinelle”, nome já utilizado no passado naquele país. Na Itália, o modelo também resgatou o nome Maggiolino. No Brasil é Fusca, claro.

NA ORIGEM

Os projetistas da marca tinham que partir de um desenho icônico, de formas exclusivas. Eles sabiam que era preciso desenvolver melhor o perfil do Fusca original, um pouco diferente do que haviam feito com o New Beetle, algo como voltar às origens do carro. Segundo a montadora, vários membros da equipe de desenho do novo Fusca eram donos de Volkswagen originais, arrefecidos a ar. Mas estamos falando só do desenho, pois o primeiro Fusca era o “carro do povo”, o que não aconteceu com o New Beetle e muito menos com esse Fusca 2013. Claramente, o novo Fusca traz apenas referências de estilo do carro original, o que não deixa de ser agradável.

A comparação com o New Beetle 1998 mostra que nada ficou igual. Enquanto o velho New Beetle era definido por três semicírculos – dianteiro, traseiro e teto arredondado sobre o centro- o novo modelo fugiu dessa geometria. O perfil do teto é mais baixo e pode ser considerado uma continuação do conceito Ragster mostrado em Detroit em 2005, espécie de street rod baseado no New Beetle. O novo Fusca é mais ousado e mais robusto que o anterior New Beetle.

A Volkswagen definiu o motor 2.0 TSI para os Fusca, em quase todos os mercados onde vai ser vendido. Este motor oferece desempenho extremamente esportivo e eficiente. O TSI tem potência máxima de 200 cv a 5.100 e torque máximo de 28,5 mkgf a partir de 1.700 rpm. O Fusca 2.0 TSI tem velocidade máxima de 225 km/h (controlada eletronicamente) e acelera de zero a 100 km/h em 7,5 segundos. Maravilhas do turbocompressor e do câmbio de seis marchas manual, ou DSG de dupla embreagem.

BOM DE CURVA

O Fusca é equipado com suspensão dianteira tipo McPherson com molas helicoidais e amortecedores telescópicos. Na traseira, uma nova suspensão mais leve foi desenvolvida para garantir maior estabilidade, a four-link com barra estabilizadora. A estabilidade é inimaginável se compararmos com o Fusquinha original, que tinha justamente no comportamento em curvas seu ponto mais desfavorável.

Para garantir que a potência não atrapalhe as curvas fechadas, o modelo vem de série com o bloqueio eletrônico do diferencial XDS, extensão do conhecido sistema EDS. O XDS melhora a dirigibilidade em curvas e faz o carro comportar-se de forma mais segura. Para isso, utiliza os freios seletivamente para evitar que a roda interna na curva patine, aumentando também a tração.

O carro tem 1.808 mm de largura (mais 84 mm em comparação com o 1998), 1.486 mm de altura (12 mm menor) e 4.278 mm de comprimento (mais 152 mm). São proporções novas. O aumento no comprimento permitiu que o teto fosse mais estendido, o pára-brisa fosse deslocado para trás e a dianteira pudesse seguir o contorno mais parecido com o do Fusquinha original. Ao mesmo tempo, os engenheiros aumentaram as bitolas e a distância entre-eixos do carro, com ganho no comportamento e no conforto.

ESTILO

Apesar da exlusividade, o estilo do carro segue a identidade dos VW atuais, como podemos notar pela entrada de ar do pára-choque dianteiro, as linhas retas nas bordas do capô e o estilo das lanternas traseiras.

Várias características típicas de estilo do Fusca foram preservadas, como os pára-lamas salientes e o desenho limpo das lanternas traseiras, a forma do capô, as soleiras laterais e das portas, e sua capacidade de receber rodas maiores (até 19 ou 20 polegadas, mas de fábrica vai até o aro 18). Um item novo é o spoiler traseiro, que ajuda o modelo a atingir 225 km/h. A superfície superior do spoiler é sempre preta, enquanto a parte de baixo tem a cor da carroceria.

Outro aspecto típico dos Volkswagen é que o carro oferece ótima funcionalidade. As duas portas tem abertura ampla, facilitando a entrada e saída mesmo em vagas apertadas. O Fusca –junto com a Kombi- é o único Volkswagen atual com faróis redondos. Faróis bi-xenônio opcionais estão disponíveis, incluindo luzes diurnas, cada uma com 15 leds. Outro diferencial do Fusca é a inexistência dos arcos das portas, pois os vidros se conectam direto ao teto do veículo, dando aparência mais limpa ao visual.

Onde o Fusca original criado por Porsche e Hitler tinha o motor, agora fica a tampa do porta-malas, que se ergue junto com o vidro traseiro quando aberta, com capacidade de 310 a 905 litros. Nas extremiddades dos pára-lamas ficam as lanternas, com visual noturno em forma de “C”. E, como no Fusca e no New Beetle, suas formas básicas se integram ao desenho dos pára-lamas salientes. As lanternas são em vermelho escuro, com duas pequenas áreas brancas, do pisca e luz de ré.

DETALHES

No Fusca as rodas de liga-leve “Spin” têm 17 polegadas e cinco raios, exclusivas do carro, que ainda pode ser equipado com as rodas “Twister”, também de cinco raios, mas com a parte interna de alumínio claro e a externa em preto fosco. Há, ainda, a opção de equipar o modelo com rodas de liga-leve aro 18.

As cores do Fusca –em 11 diferentes tonalidades– combinam bem com o carro. As cores sólidas são “Branco Cristal”, “Preto Ninja”, “Amarelo Saturno”, “Vermelho Tornado” e “Azul Denim”. As cores metálicas são “Azul Reef”, “Marrom Toffee”, “Cinza Platinum”, “Prata Sargas” e “Prata Moon Rock”. E ainda há uma cor perolizada, a “Preto Mystic”.

Por dentro, tudo novo e atual, a começar do pára-brisa recuado e  painel de instrumentos que combina tecnologias recentes e comandos com as superfícies pintadas e porta-luvas no estilo do Fusca original. O formato do painel remete ao primeiro Fusca alemão, mas não é retrô. O painel conta com acabamento simulando fibra de carbono, e painéis das portas pretos e detalhes no volante pintados na cor “Dark Metal”.

COLORIDO

No novo Fusca, à esquerda do volante fica um dispositivo para regular a intensidade da iluminação dos instrumentos, mas também uma segunda chave, com escala mostrando “0”, “r”, “w” e “b”. Este comando serve para controlar as cores do novo sistema de iluminação ambiente da Volkswagen. Vermelho, branco e azul (red, white e blue, o “r”, “w” e “b”…). A iluminação indireta fica nos forros das portas, ao mesmo tempo em que a direta surge em forma de anéis luminosos ao redor dos alto-falantes das portas.

Diante do motorista, três instrumentos redondos (conta-giros, velocímetro e indicador do nível do tanque de gasolina). No velocímetro, ao centro, há um display com informações diversas. Da mesma forma, os sistemas de áudio e navegação estão dentro do campo de visão do motorista no painel, ladeados por duas saídas de ar. Logo abaixo fica o controle do ar-condicionado, também redesenhado, o interruptor das luzes de emergência e a alavanca de câmbio com o botão de partida do motor (opcional) à sua esquerda. No alto do painel, ao centro, ficam os instrumentos auxiliares: temperatura de óleo, relógio com cronômetro e medidor de pressão do turbo.

Na frente, o Fusca é um pouco mais baixo, pois o teto arredondado de seu antecessor foi eliminado. Ele agora tem 1.044 mm de altura interna (com o teto solar, 1.049), no lugar dos anteriores 1.082 mm. Enquanto isso, no banco traseiro, o teto mais longo resultou numa sensação de conforto maior que a do New Beetle. A distância até o teto, atrás, com ou sem o teto panorâmico, é 10 mm maior do que a do modelo anterior. O espaço para as pernas também cresceu na traseira, e agora é de 831 mm. O Fusca também aumentou muito na largura interna (dianteira de 1.459 mm e traseira de 1.308 mm).

O Fusca pode ser equipado com vários opcionais, como faróis bi-xenônio; teto solar panorâmico; som Fender; sistema de navegação; acesso e partida sem chave; instrumentos auxiliares; sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e bancos de couro, sendo o Native, de série, disponível em dois tons: preto ou bege, e o Vienna, em preto ou bege ou com as combinações bicolores de vermelho e preto ou preto e azul.

CONCLUSÃO

O apelo do novo Fusca é apenas emocional, pois na prática ele pouco tem do Fusca original ou do New Beetle. Mas é um carro interessantíssimo, com seu estilo único, interior confortável, mecânica bem ajustada e motor turbo de 200 cv. Diferente de outros projetos retrô, o Fusca pode ser usado tranquilamente no dia a dia, como um carro normal. E ainda vai chamar muita atenção. Pena que o preço está longo de sua vocação original de carro do povo…


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