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TEST DRIVE: VW CrossFox 2015, o evoluido

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Dizem que carro é como vinho, quanto mais velho, melhor. Com a sagrada bebida não é bem assim, mas com nossos amigos de quatro rodas, invariavelmente isso é verdade. Quer uma prova? O veterano Volkswagen CrossFox, que chegou à sua terceira geração. Além de ser um importante membro do segmento de “carrinhos aventureiros de butique”, o modelo entrou em 2015 com novidades no visual, na parte interna, na tecnologia e na mecânica.

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Isso mesmo, o simpático carrinho está equipado com o motor MSI 1.6 16V flex, o mesmo que já conhecemos na Saveiro Cross e no Gol Rallye. Quando abastecido com etanol, são interessantes 120 cv de potência máxima e 16,8 mkgf de torque máximo, o que torna dirigi-lo bastante divertido. Sem contar o câmbio manual de seis marchas, que permite aproveitar melhor o que o motor oferece e ainda ajuda na redução do consumo de combustível. Tudo isso num modelo que permite leves incursões no fora de estrada.

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AUTO&TÉCNICA avaliou o CrossFox com todos opcionais –sem câmbio automatizado mas com teto solar- com preço na faixa dos R$ 70 mil. Não existe tecnologia ou novidades de graça, e essa combinação é explosiva na hora de se compor o preço de um carro: alguém tem que pagar a conta, e não é a montadora. A curiosidade era sobre como a VW conseguiu combinar tecnologia e alguma sofisticação mecânica num carro –teoricamente- para uso on off road. Se compensa ou não é o que queríamos descobrir no dia a dia.

TUPI

O Fox foi lançado em 2003, e seu nome de projeto era Tupi (não foi usado, pois em inglês soaria como “to pee”, algo como urinar…). A primeira geração foi de 2003 a 2009; a segunda de 2009 a 2014; e a terceira de 2014 até os dias de hoje. O CrossFox data de 2005, ou seja, há 10 anos. Da mesma forma que aconteceu nas duas gerações anteriores, o CrossFox não parece muito com o Fox “normal”. Muitos detalhes são diferentes, incluindo a altura, que é 4,8 cm maior no aventureiro, por conta de outra calibragem e configuração da suspensão e dos pneus de perfil diferente. Parece outro carro.

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Outra diferença do CrossFox para o Fox são os novos para-choques dianteiros, de desenho mais parrudo e robusto. Todas as mudanças de estilo aplicadas no Fox, é claro, chegaram ao CrossFox. Os interessantes faróis auxiliares redondos desapareceram, vitimados pelos estilo dos novos faróis e lanternas de desenho menos arredondado dessa terceira geração do hatch: tudo agora é mais quadrado, com linhas mais retas e atuais, dentro da tendência de estilo que a Volkswagen vem trabalhando desde o lançamento do novo Golf.

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Na traseira, o estepe externo incomoda menos que em outros carros e garante o ar “selvagem” ao VW. O conjunto de rodagem tem rodas aro 15 calçadas com pneus 205/60-15. Os desenhistas da empresa aumentaram o aplique plástico que fica abaixo do estepe, na tampa do porta-malas, recobrindo sua articulação, o que contribui para reforçar o visual do modelo. Por sua vez, as molduras dos para-lamas são unidas por um aplique abaixo das portas, cromado, chamado de “Chrome Effect”, que dá uma aparência sofisticada ao carrinho.

TECNOLOGIA

Muitos motoristas reclamam do preço dos carros, sem considerar alguns componentes que não são visíveis, mas de grande importância. No caso do CrossFox, pela primeira vez o carro tem controle eletrônico de estabilidade (ESC), importantíssimo recurso de segurança, que entre outras reconhece as situação críticas de aderência ou mesmo as reações do motorista para reduzir o torque do motor e aplicar os freios até que a trajetória volte ao normal. Esse controle eletrônico de estabilidade tem ainda a função “Off-Road”, que pode ser acionada por meio de uma tecla no painel. Para quem vai abusar um pouco do carro na terra, é útil, pois quando ativado, envia informações ao controle de estabilidade e ao ABS do freio, que fazem o bloqueio –eletrônico- do diferencial. Para quem vai mesmo se aventurar no fora de estrada, não dá para viver sem ele.

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E não é só. No preço alto do VW CrossFox estão incluídos o sistema de partida em rampas, a direção elétrica Easy Drive e o controle de tração, entre outros recursos “escondidos”. Nos itens de conforto e ajuda ao motorista, mais perceptíveis, temos o Park Pilot –conjunto de sensores de estacionamento na dianteira e traseira– volante multifuncional revestido em couro, sistema multimídia com I-System, Eco-Comfort e tela de 5,5 polegadas touchscreen e GPS (opcional).

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Bem diferente das gerações anteriores, onde se sucederam apenas mudanças estéticas (com poucas exceções), o CrossFox de 2015 é um outro carro. A  sensação ao primeiro contato é totalmente satisfatória e logo surge a vontade de sair acelerando o carrinho. É bem diferente dos anteriores, mais maduro, com personalidade e agradável. Isso prova que os 10 anos de idade fizeram muito bem ao CrossFox. Chave virada, avaliamos o modelo em trânsito urbano, em estradas e em terrenos ruins. O novo motor é um diferencial do CrossFox. No uso urbano, está mais ágil e agradável, e a maior altura do solo é um alento para enfrentar o piso ruim, valetas e lombadas. Em todas as situações, ele se saiu muito bem. A estabilidade muda quase nada em relação ao Fox, e o “rolling” ligeiramente maior pouca diferença faz para o motorista comum. A direção –com assistência elétrica– merece elogios, pois deixa as manobras mais fáceis em baixa velocidade e transmite segurança em velocidades mais altas, quando fica mais firme de maneira progressiva. Levamos o carro para um fora de estrada leve, que é seu compromisso, e ele não decepcionou. Claro que não é um jipe ou um 4×4, mas seu conjunto eletrônico evita que o motorista fique em situação arriscada. Os anteriores não passam por onde ele passa.

CARO

Normalmente os carros a 100 km/h estão a 3.000 rpm. No CrossFox, em sexta marcha, o motor trabalha a 2.600 rpm, o que se reflete na maior economia de combustível. Na cidade ficamos na faixa dos 8 km/litro de etanol, e na estrada em torno dos 11,5 km/litro com etanol.

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O resultado de tudo isso é que, depois de 10 anos, o CrossFox melhorou e muito, pois a Volkswagen criou um carrinho aventureiro capaz de enfrentar seus concorrentes, com a maior desenvoltura e sem fazer feio. Pelo contrário. O CrossFox 2015 atende quem precisa de um carro para o dia a dia e que não se importa de enfrentar piso ruim quando necessário. Só o preço atrapalha.

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O volante é de Golf, revestido de couro; a central multimídia com GPS e tela touchscreen lembra a do Jetta; motor de boa potência e câmbio de seis marchas típico dos Volkswagen (engates suaves e precisos). Na terra, tem bloqueio eletrônico do diferencial, pneus de uso misto, ABS com modo “off-road”… Por dentro, bancos exclusivos, espelho retrovisor eletrocrômico, acendimento automático dos faróis ao escurecer, sensor de chuva, som de qualidade. O CrossFox é um show de tecnologia da marca entre os hatchs pequenos, o melhor dos Fox. Do lançamento, só sobrou o nome e a plataforma PQ24.

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Claro que o preço acompanhou a evolução: o modelo testado custa quase R$ 70 mil. A questão é que concorrentes como o Renault Sandero Stepway ou Hyundai HB20X custam menos, e ele acaba disputando mercado com modelos como Honda HR-V e Jeep Renegade, entre outros, que são de uma categoria acima. Os preços começam em R$ 61.450 para a versão manual e R$ 68.810 para o I-Motion, mais opcionais.

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Resumindo, o CrossFox atingiu sua plenitude. Está melhor, mais sofisticado, mais agradável, mas muito caro. Com certeza logo a Volkswagen vai rever seu preço. Afinal, é só esse seu ponto negativo.


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