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TESTE EXCLUSIVO: Toyota Yaris Cross 2025

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Depois de uma longa temporada longe da redação de AUTO&TÉCNICA, fui brindado com uma missão pra lá de especial: avaliar, numa longa viagem pela França, o simpático carro que você vai conhecer neste teste. E não poderia haver retorno melhor às atividades jornalísticas, já que o modelo é um híbrido, modelo ao qual ainda não estou habituado a rodar exceto em pequenos trechos, na base do “só pra ter uma ideia”.

por Rubens Caruso Jr.

O ponto de partida dessa aventura foi a belíssima Toulouse, na afamada região da Occitânia, uma cidade milenar, quarta maior da França, polo de tecnologia aeroespacial daquele país. O destino eram os Pirineus, mais precisamente Andorra, pequeno país vizinho tido como o “Paraguai da Europa”, por conta do forte comércio e política fiscal de alíquotas agressivas, o que não necessariamente transforma o país num “paraíso das compras”, ainda mais para um jornalista que sobrevive em Reais…

BEST SELLER
Para começar: este SUV compacto recebeu o título de “Carro Urbano Mundial” em 2022, seu primeiro ano completo de vendas. O Yaris Cross é o carro mais vendido da sua categoria e tornou-se o Toyota mais vendido na Europa. Montado na Toyota Motor Manufacturing France, o Yaris Cross carrega a boa reputação da linha Yaris, lançada, acredite, há 25 anos. A Toyota considera que os veículos não elétricos representem cerca de 80% do segmento do Yaris Cross até 2026, o equivalente a cerca de quatro milhões de vendas anuais, isso, claro, na Europa. No Brasil? Bem, no Brasil até o passado é incerto.

Entre as opções de motores que não são 100% elétricos, o híbrido é hoje a escolha preferida dos clientes, de acordo com a Toyota. E seria a minha, aqui no Brasil, depois de quase 2 mil km rodados nessa avaliação. Fácil. Lançado em 2021, o Toyota Yaris Cross é referência em SUVs urbanos na Europa. Em 2024 teve mais de 200.000 unidades vendidas, devido ao tamanho compacto, agilidade na cidade e economia de combustível, fechando entre os 10 carros mais vendidos do ano passado na Europa.

MECÂNICA
O modelo só tem disponibilidade de motorizações híbridas, estratégia que a marca denomina “Dual Hybrid”, nome bonito que na prática se resume a duas opções, uma com 130 cv, outra com 116 cv (e 14.4 mkgf de torque), essa última nossa escolhida para a avaliação, já que pode ser a adotada no Brasil.

O sistema Hybrid 116 construiu a reputação de eficiência do Yaris Cross, com o modelo inclusive estabelecendo um novo recorde nos testes de consumo da revista britânica “What Car?”. O que mais surpreendeu a alguém —no caso eu— que andava distante dos híbridos foi exatamente a sensação de boa potência disponível deste pequeno SUV, que combina um motor 1,5 litros de três cilindros a gasolina com um motor elétrico, resultando em dirigibilidade impressionante na cidade e economia de combustível que, confesso, cheguei a duvidar, podendo bater números próximos dos 30 km/litro, dado capaz de desorientar o mais ferrenho defensor dos 100% elétricos! O baixo consumo explica o pequeno tanque de gasolina, de apenas 36 litros de capacidade.

Na ponta do lápis, o Yaris Cross, com câmbio CVT, é capaz de ir da imobilidade aos 100 km/h na casa dos 11 segundos, com velocidade máxima de 170 km/h. Esses números não deixam cair o queixo? Não, mas Ok, lembre-se que estamos falando de um SUV urbano e familiar, não de um carro de pretensões esportivas.

O Yaris Cross é fácil e divertido de dirigir, pois a configuração híbrida garante sensação de aceleração rápida na cidade: uma saída de farol (se você for paulistano, ou “semáforo” ou “sinaleiro” em outras regiões…), entrada em avenidas ou mesmo numa saída de pedágio, por exemplo. A motorização opcional de 130 cv pode ser acrescida de um sistema de tração nas quatro rodas, chamada AWD-i, que utiliza um motor elétrico adicional no eixo traseiro para proporcionar um pouco mais de aderência quando necessário.

Nas suspensões, o Yaris Cross segue a receita tradicional de McPherson na frente e eixo de torção atrás. Dado que o modelo testado tinha pneus 205-65/16 e o pior calçamento do interior da França bota no chinelo o asfalto de muito condomínio bacana no Brasil, a rodagem do carro resultou num comportamento firme, confortável e muito estável. Já nas excelentes rodovias do interior francês, um ou outro sobressalto em rajadas de vento muito fortes (e foram muitas!), em especial andando a 130 km/h, velocidade máxima permitida em boa parte das pistas locais. Nada capaz de despertar a esposa daquele bom cochilo, contribuindo para tanto o baixo nível de ruído interno, garantido pela adoção de vidros mais espessos e o bom revestimento acústico do compartimento do motor.

POR FORA E POR DENTRO
Externamente, o Yaris Cross tem desenho elegante, robusto, mas não é um divisor de águas, daqueles de impressionar pela beleza, apesar de muito equilibrado. Já o interior, se não é sofisticado, agrada bastante apesar da presença marcante de plásticos rígidos. É funcional, bem projetado e oferece (lá na Europa, lembrando sempre) duas opções de telas de info-entretenimento.

A tela central é eficiente, com software simples de usar, bem como o painel de instrumentos, com opções de personalização. Faltou um carregador de celular por indução, ao menos na versão testada. O sistema de ar condicionado é digital mas usa botões para ajuste de temperatura e velocidade, o que particularmente acho uma vantagem: ajustar o “AC” na tela não me anima.

Por se tratar de um carro com altura mais elevada, o interior passa a sensação de estar a bordo de um SUV maior, ao menos nos bancos dianteiros, inclusive para humanos do meu tamanho, com 1,90 m de altura e pouco mais de 90 kg. É bastante confortável, mas a traseira é mais justa, ideal para pessoas de menores dimensões —crianças vão muito bem ali, adultos até 1.80m devem tolerar trechos mais longos.

O porta-malas é adequado ao porte do carro, com 397 litros de capacidade, e durante nossa “expedição” carregou tranquilamente duas malas de mão (ou “de bordo”, mais uma invenção das companhias aéreas para arrancar dinheiro dos viajantes…), duas mochilas bem recheadas e algumas sacolas avulsas, nenhuma delas abastecida de compras no inviável “Paraguai europeu”. O espaço conta um uma “prateleira” removível que, de um lado garante acesso mais fácil àquela compra de mercado e de outro, se removida, amplia o espaço com ganho na altura da carga.

SEGURANÇA
No quesito segurança, o Yaris Cross é também referencial: conta com uma gama de tecnologias de segurança e assistência de série, como sistema de pré-colisão que detecta outros veículos, pedestres (durante o dia ou a noite) e ciclistas. Há também um sistema de alerta de saída de faixa, farol alto automático e controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, entre outros.

A Toyota decidiu fazer da geração atual do Yaris o carro pequeno mais seguro do mundo, equipando-o com vários sistemas de segurança ativa e passiva que podem eliminar grande parte do estresse ao dirigir. Para tanto, adotou o conjunto de sistemas chamado “T-Mate”, nome que acredito seja pouco provável a marca adotar no Brasil, pois o “ti-meite” vira “te mate”, e aí… já vira meme!

O Sistema de Pré-Colisão (PCS) pode identificar um possível impacto frontal e reconhecer uma gama maior de objetos e veículos no caminho do carro, incluindo pedestres, ciclistas e motocicletas. O Acceleration Control Assist intervém para moderar qualquer aceleração repentina quando detecta risco de colisão com um veículo à frente. Um recurso interessante é o Sistema de Parada de Emergência (EDSS), que auxilia o motorista em caso de doença ou incapacidade. Se o sistema detectar que o motorista não realizou nenhuma ação (direção, frenagem, aceleração) por um determinado período de tempo, ele emite um aviso. Se não houver reação do motorista, ele para o carro suavemente, aciona o pisca-alerta e destrava as portas. Um verdadeiro “salva-vidas”.

O T-Mate também oferece proteção quando o carro está parado, com o recurso Door Opening Cyclist and Vehicle Alert (SEA), sistema de alerta visual e sonoro que ajuda a evitar que uma porta seja aberta no caminho de veículos ou ciclista que se aproximem por trás.

Por fim, e não menos importante, a Toyota incluiu um sistema denominado AVAS (Acoustic Vehicle Aler System), que ajuda os pedestres a “ouvirem” o carro quando em baixa velocidade, próximo do silêncio no modo elétrico. O carro emite um som que lembra um coral de igreja em tom agudo até cerca de 15 km/h.

PLATAFORMA

O Yaris Cross usa a plataforma GA-B, que integra a nova geração de carros pequenos da Toyota, oferecendo baixo centro de gravidade, com os componentes mais pesados ​​localizados nas partes inferior e central do veículo, e uma estrutura muito rígida. Esta plataforma garante, de acordo com a Toyota, “um comportamento estável e sereno na estrada, com inclinação reduzida da carroceria, bem como resposta precisa e fiel do chassi aos comandos do condutor. A rigidez é alcançada sem aumentar o peso, por meio de técnicas de fabricação sofisticadas e do uso de materiais fortes, porém leves, em “áreas- chave”. O Yaris Cross mede 4.180 mm comprimento, 1.765 mm de largura e 1.595 mm de altura; pesa 1.280 kg.

CONCLUSÃO
Na França são cinco versões do Yaris Cross: Dynamic, Design, Business, Design Business e GR, com preços começando em € 26.300 até € 32.400 (equivalente a R$ 168.700 até R$ 207.800, convertidos na data de fechamento dessa avaliação, para simples referência). A versão que AUTO&TÉCNICA avaliou é a Dynamic, cuja pintura metálica agrega mais € 650 ao preço do carro (cerca de R$ 4 mil).

Se chegar ao Brasil com todas as boas características do modelo europeu, vai ser um bom acréscimo na seleção de dúvidas e escolhas do consumidor, que adotou há tempos os SUVs urbanos como meio de transporte. E se a Toyota ousar no preço, vai dar muito trabalho para a concorrência, “gente grande” do segmento como Honda HR-V, Nissan Kicks, Hyundai Creta ou Chevrolet Tracker, entre outros.

O Yaris Cross é (mais um) excelente produto da Toyota. Um ótimo carro híbrido compacto, confiável e “barato de usar”, de acordo com as avaliações de várias publicações especializadas europeias. A marca tem uma imagem de carros quase indestrutíveis no Brasil: “Toyota não dá oficina” é uma espécie de mantra entre os gearheads brasileiros.


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