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TESTE: GWM Haval H6 HEV

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A GWM (Great Wall Motors, onde Great Wall significa Grande Muralha da China) completou em abril último um ano de comercialização de seus carros no Brasil, com a promessa de que ainda neste ano de 2024 sejam oferecidos modelos fabricados no Brasil. A marca chinesa não brinca em serviço, e prova disso é que coloca no mercado veículos capazes de incomodar as marcas mais tradicionais (leia-se alemãs, suecas, sul-coreanas e japonesas, sem esquecer as norte-americanas), oferecendo qualidade e preços surpreendentes. Como a BYD, a fabricante busca seu espaço com uma série de SUVs que dão aos consumidores uma experiência inédita ao volante, verdadeiro banho de tecnologia e eficiência. Já guiou um carro desses? Se não, vá atrás dessa experiência para entender porque ela revolucionou o mercado brasileiro, junto com a BYD

por Ricardo Caruso

AUTO&TÉCNICA avaliou o Haval H6 HEV, o híbrido mais vendido do Brasil, que custa R$ 224 mil e chegou para tirar o sossego do  Jeep Compass, Toyota Corolla Cross Hybrid e Volkswagen Taos, entre tantos outros. O uso da plataforma LMN da marca, desenvolvida para veículos eletrificados, dá ao Haval H6 HEV as generosas dimensões de 4,683 metros de comprimento, 1,886 m de largura, 1,730 m de altura, com entre-eixos de 2,738 m e porta-malas de 560 litros. Essas medidas são superiores, por exemplo, às do Jeep Compass, com 4,404 m, 1,819 m, 1,625 m, 2,636 m e 410 l, respectivamente, para efeito de comparação. 


No caso do modelo e versão testada (existe ainda o H6 PHVE, mais caro), trata-se de um veículo híbrido auto-carregável, numa explicação simplista. O motor a combustão e um gerador, mais os momentos de desaceleração e frenagem do SUV, recarregam a bateria por meio do sistema de regeneração de energia. Pelos instrumentos e/ou central multimídia é possível acompanhar quando o veiculo está consumindo carga elétrica da bateria ou recuperando energia.

O motor a combustão é de quatro cilindros, 1.500 cm3, turbo e com injeção direta de gasolina, montado transversal na dianteira. Não há câmbio, na forma que estamos acostumados a utilizar, substituído por um sistema eletromecânico batizado de DHT (Dedicated Hybrid Technology, ou Tecnologia Híbrida Dedicada). O conjunto formado pelo motor a combustão mais o DHT fornece -para as rodas da frente- a potência máxima de 243 cv e 54 mkgf de torque máximo. A marca não divulga os dados combustão-elétrico em separado, sabe-se lá por qual motivo.

A troca de potência nas rodas entre os dois motores é quase imperceptível para os ocupantes. Mas os mais atentos irão perceber que, quando o H6 está em baixa velocidade em modo elétrico e o motor a combustão entra em ação para gerar eletricidade, uma leve vibração é notada no interior.

A troca entre os modos de condução (Normal, Eco, Sport e Neve) é algo que deveria ser revisto pela GWM, pois deve ser feito pela tela da central multimídia; para facilitar um pouco, dois botões no volante podem ser configurados como teclas de atalho, evitando ter que passear pelos menus para acessar às configurações necessárias. Um controle giratório no console facilitaria muito a operação.

A dirigibilidade do H6 é bem agradável. Você senta ao volante, olha no retrovisor e fica inicialmente intimidado com a sensação de que o carro é muito longo e pouco ágil. Mas é só impressão. Basta premir o botão de partida, colocar o seletor em “D” e acelerar para tudo mudar. Não há acelerações hesitantes, turbo lag ou falta de disposição; toda a parte de propulsão híbrida funciona muito bem.

A atuação da passagem do freio normal para o sistema regenerativo tem bom ajuste e logo você acostuma a modular o freio, passando de um para outro modo. A intensidade de regeneração -que atua como freio-motor também- pode ser ajustada, oferecendo inclusive a função one pedal, onde você pode dirigir usando apenas o pedal do acelerador, sem necessidade de usar o pedal do freio; basta tirar o pé do acelerador e o freio-motor entra em ação. Essa função é habilitada também pelo multimídia. As frenagens sempre eficientes são garantidas pelos discos ventilados dianteiros (com 328,5 mm) de diâmetro e traseiros sólidos (com 309 mm).

Em termos de desempenho, aceleração de zero a 100 km/h é feita em 7,9 segundos, boa para o porte do H6. As acelerações e retomadas são sempre muito eficientes. Não se sente aquela aceleração quase insana dos modelos elétricos, mas é sempre muito rápida. A velocidade máxima é de 175 km/h, limitada.

Continuando na exibição de tecnologia, a direção assistida eletricamente oferece três níveis de atuação (conforto, normal e esportiva), aumentando o “peso” do volante nas velocidades mais altas; em manobras e velocidades baixas não há necessidade de se mudar a carga da direção. Para ajudar o motorista, o modelo oferece sistema de alerta de saída involuntária da faixa e reposicionamento na via, o que significa maior segurança. Tudo alertado por estridentes avisos sonoros. O cruise control é adaptativo e atua também como recurso “para e anda” autônomo para acompanhar o trânsito. Outro detalhe interessante: no caso de ultrapassagens em vias de mão dupla, existe um sistema que poderia ser chamado de “desvio inteligente” para a esquerda, para garantir distância maior do veículo que está sendo ultrapassado.

Diante do motorista está o quadro de instrumentos digital, de 10,23 polegadas, enquanto o multimídia com tela de 12,3 polegadas tem interface simples e intuitiva de operar, mais a conectividade Android Auto e Apple CarPlay sem fio, 4G, Wi-Fi, atualizações “Over The Air” (OTA) e comandos de voz em português. No console estão, além do seletor de marchas, o freio de estacionamento elétrico, o botão da função Auto Hold (que mantém o carro parado sem a necessidade de pisar no pedal do freio), o carregador de smartphone por indução e as necessárias tomadas USB.

A suspensão é tipo McPherson na dianteira e com multi-braços na traseira. São confortáveis, mas a dianteira merecia um refino por parte da marca, pois acontecem batidas secas de final de curso, em especial em lombadas e valetas. Na verdade, a marca privilegiou o conforto. Todos os braços da suspensão dianteira visualmente já exibem robustez na sua construção. Na traseira são usados braços estampados e molas helicoidais, conjunto que também privilegia o conforto. Os dois eixos contam com barras estabilizadoras. As rodas são aro 19, com pintura preta, calçadas com pneus Hankook 225/55. A estabilidade é muito boa, mesmo considerando que o H6 pesa 1700 kg.

Com raras exceções, os SUVs atuais são cada vez menos jipes e mais hatches anabolizados. No H6, todo bom comportamento das suspensões, direção e pneus, mais a boa calibragem do powetrain acabam oferecendo mais conforto a bordo e cansando menos o o motorista, que assim pode se entreter com os recursos que ele oferece. A posição de dirigir é alta e a visibilidade dos instrumentos, telas e comandos é muito boa, sinal de ergonomia bem cuidada. Os bancos da frente são confortáveis e com ajustes elétricos nas duas posições, mais ajuste do apoio lombar para o motorista.

Na traseira o conforto se repete, com espaço para três ocupantes viajarem com tranquilidade. Dois engates Isofix estão disponíveis por ali para a colocação de duas cadeirinhas infantis; os 560 litros de capacidade do porta-malas é mais do que generoso. No assoalho do porta-malas, nada de estepe. Ali encontramos a bateria de 12 volts e o kit de reparo de pneus; a bateria de 1,6 kW·h da propulsão elétrica ocupa o espaço destinado ao estepe.

Conclusão

O Haval H6 HEV é a versão de entrada dos SUVs importados da GWM, e está perfeitamente pronto para enfrentar os concorrentes disponíveis no mercado nacional -inclusive importados- híbridos ou não, perfeitamente acomodado no segmento dos SUVs médios. Para você deixar seu cunhadio morrendo de inveja, o GWM Haval H6 HEV também inclui o Head-Up Display (HUD), que projeta no para-brisas -em uma área de nove polegadas- algumas informações úteis ao motorista, como velocidade, rotas do GPS, ligações e até informações do cruise control adaptativo (ACC). O SUV traz ainda teto solar panorâmico, ar-condicionado de duas zonas, tampa do porta-malas elétrica e seis airbags (dianteiros, laterais e de cortina).

O GWM Haval H6 Premium HEV é ofertado em versão única, que custa R$ 224 mil, e nos recursos de segurança oferece assistência à condução Nível 2+, incluindo frenagem automática de emergência com reconhecimento de pedestres, bicicletas e motocicletas ao redor (com atuação até 30 km/h); informação de velocidade máxima da via; frenagem automática de tráfego cruzado traseiro (funciona até 20 km/h), monitoramento de pontos cegos e outros itens.


Traz ainda alerta de perigo de abertura de portas, reconhecimento de placas de trânsito e sistema de desvio inteligente, o qual atua entre 60 e 140 km/h. O assistente de estacionamento manobra o SUV em vagas paralelas, a 45º ou 90º, enquanto o “Auto Reverse Assistance” refaz os últimos 50 metros em marcha à ré sem a intervenção humana. Ambos com funcionamento impecável.

O Haval H6 não deixa nada a desejar em termos de acabamento, materiais, tecnologia ou desempenho para ninguém. A garantia de cinco anos para o veículo e de oito anos para os sistemas elétricos de propulsão é um mimo para atrair mais clientes para a marca. Oferece ainda o pacote “Tranquilidade 2 Anos GWM”, pago a parte, com wifi 4G Claro, proteção para pneus contra furos/rasgos, serviço de assistência “GWM Roadside Assistance 24 Horas” e proteção total contra danos da bateria do sistema híbrido, além da garantia de fábrica.

Como argumento final, o consumo de gasolina é de 13,8 km/litro na cidade e 12 km/litro na estrada. Funcionando combinado com o motor elétrico, a autonomia é de 828 km na cidade e 720 km na estrada. Experimente e se surpreenda.


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