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TESTE: Porsche Macan 2.0 Turbo

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Um carro herege para muitos, mas que segue a tendência mundial de SUVs, pequenos ou grandes, asiáticos ou europeus, comportados ou esportivos. Invenção norte-americana, o mercado exige SUVs e as fabricantes tem que atender. O Porsche Macan é um exemplo disso, e está no Olimpo dos automóveis. Fez sua estréia mundial no Salão de Los Angeles de 2013 como modelo de 2014.

Era a quinta linha de produtos da Porsche e a primeira investida no segmento de veículos utilitários esportivos compactos. Logo se tornou o “best seller” da marca. E por que está no Olimpo dos SUVs? Simples. O Macan é visualmente impressionante, oferece ótima potência do motor 2.0 turbo, acelera rápido e freia melhor ainda, tem excelente dirigibilidade e a precisão ideal de direção. Todos esses atributos embalados em um nível de conforto e luxo, perfeitos para uso no dia a dia. A Porsche acertou em cheio ao lançar o Macan, uma espécie de “minicayenne”. O nome do projeto era Cajun, mistura das palavras Cayenne e Junior.  Em 2012 a marca alemã definiu o nome Macan, tigre em indonésio.

O primeiro SUV da Porsche foi o Cayenne, e muitos se perguntaram o motivo pelo qual a Porsche estava se aventurando fora de sua área de conforto, ou seja, carros esportivos, e ainda por cima num segmento oposto, o dos SUVs. Inicialmente, confesso que também engrossei a fileira dos céticos, que não conseguiam entender a investida num carro tão diferente para a Porsche como nova fonte de receita. A verdade é que sem a injeção de grana vinda do Cayenne, o desenvolvimento e produção de veículos de sonho -como o Carrera GT e  918 Spyder Hybrid- não teria sido possível.

O Macan está disponível em quatro níveis: básico, S, GTS e Turbo. AUTO&TÉCNICA avaliou o básico, que de básico não tem nada. É “alimentado” pelo novo motor de quatro cilindros turbo de 2.0 litros de 252 cv de potência máxima. Daí em diante o que já era ótimo fica ainda mais entusiasmante. O Macan S vem motor 3.0V6 biturbo de 340 cv, o Macan GTS também vem com o mesmo 3.0V6 mas com 360 cv e, ​​o top de linha, Macan Turbo tem motor 3.6V6 biturbo de 400 cavalos e 40 mkgf.

Este motor 2.0 é projeto do Grupo VW, o EA-888, turbo com injeção direta, 237 cv de 5.600 a 6.800 rpm e 35,7 mkgf de 1.500 a 4.500 rpm. O resumo de tudo isso é que este Macan continua sendo um Porsche em sua essência. Ninguém vai reclamar dele levar 6,9 segundos para ir da imobilidade aos 100 km/h ou do velocímetro estacionar quando chegar aos 229 km/h.

Em termos de câmbio, todos motores trabalham com a transmissão automatizada PDK (Porsche Dopelkupplung) de dupla embreagem e sistema de tração integral ativo totalmente variável. Os quatro modelos apresentam lanternas traseiras com LEDs, direção elétrica e novo volante multifunções, entre outros recursos.

O Macan é baseado na plataforma MLB da Volkswagen, a mesma usada no Audi Q5 SUV. Tanto o Macan como o Q5 são aproximadamente do mesmo tamanho (o Porsche tem 4,69 metros de comprimento, 1,92 m de altura e 1,62 m de largura), e ambos são alimentados por motores V6 posicionados à frente do eixo dianteiro, mas o Macan é bem diferente do Q5, a ponto de apenas 20% das peças serem intercambiáveis. Outra diferença notável entre o Macan e o Q5 reside nas transmissões. O Macan usa a PDK de sete velocidades (Porsche Dopelkupplung) e o Q5 vem com câmbio automático de oito velocidades.

Encerramos aqui as comparações e voltamos ao Macan. O exterior desse Porsche parece ter desenho próximo ao da Cayenne, mas em escala um pouco menor, o que o torna mais adequado a muitos consumidores. Uma característica interessante é o fato de que há recortes no capô para os acomodar os faróis. Assim, numa primeira análise, o Porsche Macan é a versão caçula de seu irmão maior. Apesar disso, o Macan é um esportivo altamente eficiente.

O interior é muito bem acabado e luxuoso, com console que se assemelha ao de um avião -lembra o do Porsche Panamera- talvez um pouco intimidante no primeiro contato, mas fácil de ser dominado em pouco tempo. Os bancos são muito confortáveis, com o centro de couro vermelho no modelo testado. Tomadas para conectividade e multimídia estão por toda parte, incluindo CD Player, dois slots SD Card e tomadas USB e auxiliares.

Uma característica da marca. A chave de partida fica na esquerda do volante (herança dos tempos de Le Mans, quando a partida era acionada de fora do carro) e é eletrônica, que deve ser encaixada numa fenda. Ou seja, a chave não é uma chave, e sim um comando que aloja ainda os transmissores de abertura/fechamento da portas e tampa traseira e do transponder do módulo de partida. Mais curioso ainda é seu formato, que lembra um Porsche estilizado.

O ar-condicionado é de duas zonas, com ajuste individual e saída para o banco traseiro. Estranhamente o carro ainda traz cinzeiro e acendedor de cigarros. Alguém fumaria e empestearia um Porsche? Lugar de quem insiste em ser fumante é fora de qualquer carro. O teto solar é panorâmico e cria um interessante ambiente interno. Ergue ou abre a primeira metade. Quando não quer entrada da luz, há revestimento (e não uma telinha vagabunda) que se desenrola de maneira elétrica e inibe a passagem de luz.

As suspensões merecem todos elogios, com triângulos superpostos na frente e multilink atrás, confortáveis enquanto o piso permite. O comportamento é de carro esporte dos bons, com a deliciosa tendência de sair de traseiro quando se anda acima do limite, estabilidade auxiliada pelos pneus 235/60-18.

Os freios são muito eficientes, com discos nas quatro rodas. Rodamos por alguns trechos de serra com curvas mais desafiadoras, sem nenhum susto. O Macan se comporta excepcionalmente bem. Lembrando que, em teoria, estamos ao volante de um jipinho esportivo e luxuoso, superdimensionado em tudo e com tração nas quatro rodas. É incrível a estabilidade e dirigibilidade.

O Macan traz um bom conjunto de auxílios ao motorista, como o controle de estabilidade e tração (que pode ser desligado para melhorar a brincadeira) e controle de descida. E se não tem câmera de ré, tem sensores de aproximação traseiro e dianteiro bem eficientes, que mostram o grau de aproximação na tela do multimídia e que pode ser desativado no console de teto.

CONCLUSÃO

Como afirmamos no início, a marca Porsche está no Olimpo dos automóveis, em pouca companhia e a tudo assistindo de cima para baixo.

O Macan tem preço razoável (custa na versão avaliada cerca de R$ 348 mil), especialmente considerando o conteúdo e o fato de ser um Porsche. Na verdade é o mais barato Porsche que você pode ter na garagem se não puder ter um 911. Como o visual sugere e como seria de se esperar, o desempenho do Porsche Macan é “Porsche”.

É uma delícia de guiar ou pilotar, acelerando de zero a 100 km/h em menos de sete segundos e chegando rápido aos 229 km/h. Gasto de combustível para quem tem um Porsche é algo desprezível, mas ele chega a impressionar pelo baixo consumo. Sem abusar do acelerador, marcamos 8,5 km/litro na cidade e 10,6 km/litro na estrada. Alguns sorumbáticos nacionais “populares” fazem isso, então num SUV todo aplauso nesse quesito é merecido.

Em última análise, o que o Macan faz é abrir a experiência de ter um Porsche a uma ampla gama de consumidores, que desejam não só um carro da marca, mas também um SUV menor e mais racional que o Cayenne. E com suas vendas em volume surpreendente, fica claro que a aposta da montadora alemã nos SUVs estava correta, e isso irá garantir novas safras de ótimos carros esportivos no futuro.


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