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Tragédia: a bizarra história do Ford Pinto Voador

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Quem conhece a história de Ícaro, filho de Dédalo, na mitologia grega, ao conhecer a aventura do Ford Pinto Voador, batizado de AVE Mizar, vai associar as duas, porque ambas foram muito curtas.

Jornal dos Clássicos - A trágica história do Ford Pinto voador

O americano Henry Smolinski, engenheiro aeronáutico, fundou em 1968 a AVE (Advanced Vehicle Engineers), sediada em Los Angeles, na Califórnia. Em julho de 1970, junto com seu sócio, Harold Blake, apresentou ao público o projeto de um “automóvel voador”, que nada mais seria do que o resultado da junção de um automóvel com a traseira de um avião Cessna 337 Skymaster.

Inicialmente, a ideia era utilizar um Pontiac Firebird (“pássaro de fogo”), cujo nome era mais apropriado para a pretensão de voar. O Pontiac serviria de cabine, e além disso, acomodaria com mais facilidade em sua carroceria a parte da aeronave, que poderia ser montada e desmontada numa operação relativamente fácil.

Mas como toda economia de peso era necessária, a escolha do automóvel acabou sendo direcionada para veículos mais leves, cujo peso máximo teria que ser inferior a 1.700 kg. As opções eram o Ford Pinto e o Chevrolet Vega, e a escolha recaiu no Ford.

Em 1971 foram constituídos dois protótipos, um laranja e outro branco, e um dos exemplares ficou exposto na concessionária Galpin Ford, em Los Angeles. O outro exemplar foi equipado com um motor Teledyne Continental, com 210 cv. O carro voador foi sendo preparado e aperfeiçoado para os primeiros testes, até ser finalmente apresentado.

Em maio de 1973, no aeroporto de Van Nuys, foi exibido o protótipo do carro voador (que era a cabine do Ford Pinto combinada com a traseira de um Cessna). Tinha 8,5 metros de comprimento e envergadura de 11,58 m.

O piloto de testes Lois McDonald foi o escolhido para realizar o primeiro voo de teste, em junho de 1973, em Point Mugu, Califórnia, conseguindo decolar, voar e aterrizar com sucesso. O piloto Charles Janisse também realizou alguns testes de voo.

Depois de alguns testes com resultados satisfatórios, decidiram substituir o motor Teledyne Continental de 210 cv por um motor com maior potência, um AVCO Lycoming 540 de 300 cv.

Henry Smolinski e o seu sócio Harold Blake, habilitados como pilotos, entusiasmados e ansiosos para avaliar o novo motor -e como o piloto de testes estava doente- resolveram levantar voo, do aeroporto de Oxnard, na California, com o AVE Mizar.

When Ford Pintos Fly: The Bizarre Story of Henry Smolinski and His ...

Mas a experiência não correu nada bem e, poucos minutos depois, a haste da asa direita desprendeu-se, originando a queda e explosão do aparelho, com um final trágico para os dois tripulantes, provocando a morte imediata de ambos. E com eles morreu o sonho do carro voador…

Segundo o relatório da FAA (Federal Aviation Administration), a causa do acidente foi mesmo o desprendimento da haste da asa direita, por conta de um desenho pouco adequado e com fixações inseguras. Mas o que levou ao acidente foi a maior altitude alcançada, permitida pelo motor mais potente que foi instalado. Desta forma, com a morte dos seus dois entusiastas, o projeto AVE Mizar terminou de forma trágica

Pin on The Mizar Flying Car or The Flying Ford Pinto.

A ideia do Ford Pinto Voador foi aproveitada num filme da famosa série do “007″ (“The Man with the Golden Gun”), em que o vilão Scaramanga, interpretado por Christopher Lee, foge num Ford Pinto Voador.


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