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VW LANÇA SEU MOTOR DE TRÊS CILINDROS

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Sinal dos tempos? Pode ser. O primeiro motor de três cilindros nacional acabou de ser apresentado pela Volkswagen. Primeiro de quatro tempos, claro, pois o dos DKW-Vemag (produzido de 1956 a 1967) era de dois tempos. Mas, e o do Hyundai HB20? Esse é importado.

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A montadora entrou pelo caminho de reduzir número de cilndros para obter com isso menor atrito de peças móveis e, por consequência, reduzir consumo e emissões. Seja como for, é um avanço, já que se trata de um motor 1.0 de tecnologia bem atual, com 82 cv de potência máxima a 6.250 rpm (com álcool) –o mais potente do mercado nesse cilindrada- e de baixo consumo de combustível. Inicialmente irá equipar o Fox BlueMotion, chegando depois ao Up!, no comecinho do ano que vem.

Fora o novo motor, o Fox tem sistema de partida a frio sem injeção de gasolina, gerenciado pela Unidade Eletrônica de Controle (ECU) do motor. O combustível é aquecido em câmaras ao lado das válvulas injetoras e opera com temperatura ambiente abaixo de 17,5°C. Os pneus são 175/70-14 de baixo atrito de rolamento; curiosamente a calibragem recomendada é alta, de é 36/34 lb/pol² na dianteira e traseira (o Fox 1.0 usa 29/28 lb/pol²).

O Fox BlueMotion chega ao mercado custando R$ 32.590 (duas portas) e R$ 34.090 (quatro portas), apenas R$ 750 a mais que o Fox 1,0, que continua sendo produzido; desaparece o Fox BlueMotion 1.6.

ECONÔMICO

O consumo oficial com norma do Inmetro é de 12,7 km’litro/14,4 km/litro cidade/estrada (com gasolina) e 8,8 km/litro/9,9 km/litro (etanol). No geral, o consumo do novo Fox BlueMotion é em média 16,5% menor se comparado com o Fox 1.0.

Esse motor pertence à nova linha de motores Volkswagen, os EA211, já usada nos Golf VII, Audi A3 e Up!. Bloco e cabeçote são de alumínio e cárter, de aço. O EA211 R3 é 25 kg mais leve que 1.0 TEC de quatro cilindros.

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Produzido em São Carlos, SP, o motor EA211 tem 999 cm³, flex. Sua potência máxima é de 75 cv a 6.250 rpm, quando abastecido com gasolina, e de 82 cv à mesma rotação, com etanol. O torque máximo é de, respectivamente, 9,7 kgfm (gasolina) e 10,4 kgfm (etanol), e ocorre a partir de 3.000 rpm e se mantém por longa faixa de rotações; a partir de 2.000 rpm mais de 85% do torque máximo já está disponível.

Essa ampla faixa de distribuição do torque merece destaque por tratar-se de um motor sem sobrealimentação, o que melhora o desempenho em baixos regimes e dá fôlego para retomadas de velocidade. Além disso, combina perfeitamente com o câmbio de relações mais longas utilizado em modelos com o conceito BlueMotion.

MENOS ATRITO

A construção com três cilindros significa não apenas menor número de componentes –como biela, pistão e mancais– como também menor perda de calor, o que aumenta sua eficiência térmica quando comparado a um motor de quatro cilindros. Os cilindros têm maior diâmetro (são 74,5 mm, com 76,4 mm de curso), o que permite melhor enchimento da câmara de combustão. Combinada a essa característica está a vela de ignição colocada em posição central, entre as válvulas de admissão e escape, o que garante melhor frente de chama, maior velocidade e eficiência na queima da mistura ar-combustível e consequente maior eficiência térmica.

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As bielas foram melhoradas e possuem desenho inovador. Cerca de 20% mais leves do que as convencionais, têm menor seção transversal e são guiadas no virabrequim.

A otimização da construção do motor está presente também no virabrequim, que tem menor quantidade de contrapesos e o diâmetro de seus mancais principais reduzido. A massa total (peso) do componente foi reduzida, proporcionando menores inércia e atrito e aumentando a eficiência do conjunto.

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Com quatro válvulas por cilindro, duas de admissão e duas de escapamento, o cabeçote tem comando de admissão variável, com variação contínua, o que reduz consumo de combustível e emissões e melhora sensivelmente a resposta do motor em baixos regimes de rotação. A taxa de compressão é de 11,5:1. As válvulas são acionadas por balancins roletados (RSH, sigla para o termo alemão Rollenschlepphebel), recurso que minimiza o atrito entre os componentes e aprimora sua eficiência.

CABEÇOTE

O cabeçote do EA211 1.0l possui coletor de escapamento integrado, formando peça única, com arrefecimento a água. Isso permite ao motor atingir sua temperatura ideal de funcionamento mais rapidamente, melhorando sua eficiência térmica. O líquido de arrefecimento leva menos tempo para ser aquecido durante a fase fria do motor, porque recebe o calor dos gases de escapamento. Por outro lado, em alto regime de utilização, ocorre um controle da temperatura dos gases de escape na entrada do catalisador, permitindo que se opere mais tempo com a mistura ar/combustível ideal.

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A construção da tampa do cabeçote é novidade, em um processo que integra os eixos de comando de válvulas (admissão e escape) e os cames de acionamento das válvulas permanentemente, sem a necessidade de solda. Esse desenho permite a redução do diâmetro dos mancais dos eixos e, consequentemente, de atrito.

As polias de acionamento dos eixos de comando de válvulas têm desenho trioval, o que permite estabilização da força na correia dentada e de sua flutuação angular. Esse recurso, além de minimizar atrito e vibração, aumenta a durabilidade do sistema.

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O coletor de admissão é feito de material plástico de alta resistência e baixa rugosidade, garantindo fluxo de ar com baixa restrição. Como em todos os modelos Volkswagen, o conjunto de corpo de borboleta e acelerador é eletrônico. O motor EA211 1.0l utiliza sistema de ignição com uma bobina por cilindro, o que elimina os cabos de velas e as perdas elétricas, colaborando para maior eficácia na combustão.

DETALHES

Outra solução inovadora adotada no motor EA211 1.0 é o duplo circuito de arrefecimento, que permite temperaturas diferentes para o bloco e para o cabeçote; esse sistema utiliza duas válvulas termostáticas. Com esse recurso, é possível utilizar maior temperatura de funcionamento para o bloco, tornando o óleo mais fluido e garantindo menor atrito entre os componentes. A temperatura de arrefecimento do cabeçote, por sua vez, é menor, o que minimiza a possibilidade de detonação, melhorando o desempenho do veículo e diminuindo o consumo de combustível.

A direção, com assistência eletro-hidráulico (de série), por exemplo, reduz o consumo do modelo em 3% se comparado ao Fox 1.0 equipado com direção hidráulica. A transmissão MQ200 teve as relações alongadas em até 10% em comparação à do Fox 1.0. Isso foi possível graças à maior disposição de torque em baixas rotações, e faz com que o motor trabalhe em rotações mais baixas às mesmas velocidades, resultando em menor consumo de combustível e redução nas emissões.

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A aerodinâmica do Fox BlueMotion foi desenvolvida e certificada em túnel de vento. Cada detalhe, inclusive os desenhos das calotas, foi elaborado com o objetivo de minimizar o arrasto aerodinâmico. A grade tem formato diferenciado, com desenho exclusivo e aberturas mais estreitas, enquanto a grade inferior teve seu perfil nas laterais também alterado, permitindo maior fluidez do ar.

O modelo também recebeu melhorias no conforto acústico, com a utilização de maiores silenciadores no sistema de escapamento e de mantas de isolamento na carroceria. Ao todo, o Fox BlueMotion é 29 kg mais leve do que a versão 1.0.

BEM EQUIPADO

Os bancos do Fox BlueMotion tem forração exclusiva em tecido Fresh, na cor azul. O modelo está disponível em cinco opções de cores de carroceria: duas sólidas (Preto Ninja e Branco Cristal) e três metálicas (Azul Boreal, Prata Sargas e Cinza Quartzo).

Traz de série equipamentos como direção eletro-hidráulica, computador de bordo, freios ABS e airbags frontais, além de banco traseiro com encosto rebatível, banco do motorista com regulagem de altura, chave “canivete”, conta-giros, desembaçador do vidro traseiro, gaveta sob o banco do motorista, pára-sol com espelho de cortesia dos lados direito e esquerdo e tomada de 12 volts. O indicador digital de consumo instantâneo de combustível e o Indicador de troca de marchas também são equipamentos standard no Fox 1.0 BlueMotion.

Como era de se esperar, o Fox BlueMotion incorpora a nova arquitetura eletrônica da linha Volkswagen nacional, que começou no Gol e o Voyage há um ano, e traz de série também uma barra gráfica no painel que indica o consumo instantâneo. Há ainda o I-System, oferecido como opcional no I-Trend, que reúne no quadro de instrumentos várias informações, com estação de rádio sintonizada e dados do computador de bordo.

A Volkswagen estima vender entre 500 e 600 Fox BlueMotion por mês.


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