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Como o Fiat 147 brasileiro quase foi um dos primeiros SUVs do planeta

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Além de vans e caminhões, a encarroçadora italiana Coriasco (1938 – 1986) também criava muitos automóveis de passageiros, praticamente todos os Fiat convertidos passavam pelas suas oficinas. Entre estes modelos estavam carros esportivos e Fiat de luxo melhorados, mas de longe os mais comuns eram conversões de carros da Fiat mais baratos, incluindo wagons. Um deles foi o Coriasco 127 Familiare. Isto transformou o Fiat 127 -que deu origem ao 147 nacional- numa “perua”, oferecendo muito mais espaço para bagagem do que o hatch e sedã normais.

por Ricardo Caruso

Lançado em 1973, ele ficou posicionado abaixo da wagon 128 da Fiat, que já estava no mercado há três anos. Embora com preço semelhante, o fato do 127 Familiare da Coriasco utilizar o motor de 900 cm3, de menor capacidade e mais econômico, tornou o Familiare atraente para as famílias italianas preocupadas com o orçamento. Infelizmente, a história de Coriasco era a de ter grandes ideias apenas para a Fiat esquece-las, introduzindo prontamente no mercado modelos próprios muito semelhantes. A Coriasco Farm 127 é um ótimo exemplo disso, mesmo sendo considerada uma avant-premiere do que anos depois viriam a ser os SUVs. A Farm 127 quase foi o primeiro SUV moderno da história.

Em 1977, a Matra-Simca criou o Rancho, uma ideia inteligente baseada na plataforma do Simca 1100, que combinava visual off-road com tração dianteira e marketing direcionado para o lazer. A Coriasco foi a primeira empresa a reconhecer que existia uma lacuna no mercado italiano para um veículo deste tipo.

Lançou assim a Farm 127 em 1978, apenas um ano após o Matra Rancho. Tal como o modelo francês, baseava-se num veículo comercial leve, no caso o Fiat 127 Fiorino (na verdade a picape 147 feita no Brasil). A encarroçadora habilmente pegou a picape Fiorino e criou uma carroceria traseira superior totalmente nova. Notavelmente, a linha do teto foi escalonada com uma seção traseira mais alta; o teto frontal também foi elevado e um rack de metal foi adicionado ali. As laterais traseiras da carroceria ganharam novas e amplas janelas, para dar ao interior uma sensação arejada. O vidro foi dividido com a parte inferior capaz de deslizar para frente e para trás para fornecer ventilação aos passageiros.

Na traseira havia uma nova tampa. No interior, capacidade para até cinco passageiros. A Farm foi comercializada como um verdadeiro veículo polivalente: wagon, carro de trabalho e automóvel de lazer. A literatura da empresa mostrava que se destinava a famílias jovens e preocupadas com as despesas, mas que também queriam algo mais divertido para dirigir. A picape Fiorino foi escolhida como base porque tinha capacidade de carga útil superior à do sedã 127 (450 kg), por conta da suspensão aprimorada. O motor Fiat de 903 cm3. Se você observar os utilitários brasileiros da Fiat na época, vai notar alguma semelhança com o projeto Farm…

Apesar das pretensões 4×4, o 127 Farm tinha apenas tração dianteira e nenhuma capacidade para o off-road, como suspensão elevada, ângulos de saída aumentados ou proteção inferior. O 127 Farm antecipou não apenas a chegada dos SUVs, mas também o setor de minivans. Então, por que não se fala mais disso? A resposta é que a Fiat efetivamente acabou com o projeto.

Fiat 127 Panorama, do Brasil para o mercado italiano.

Em 1979, a marca italiana lançou seu próprio crossover, o 127 Rustica, um hatch 127 que na verdade era o Fiat 147 brasileiro com protetores nos para-choques tubulares e outras mudanças (foto abaixo).

127 Rustica, versão do 147 brasileiro para a Itália.

E mais. A Fiat também lançou na Itália o 127 Fiorino Panorama em 1980, um modelo brasileiro para transporte de passageiros, e diversas versões da van Fiorino, com ou sem vidros laterais e até bancos traseiros longitudinais. Não é de surpreender que isso tenha soado a sentença de morte para a Farm, que rapidamente saiu da produção. A Coriasco encerrou a produção de veículos em 1991.


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