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Conceito Atlantic 1995, a obra-prima da Chrysler

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Um dos desenhos automotivos mais populares e emocionantes apresentado durante a década de 1990 foi o conceito Chrysler Atlantic 1995, criado por Bob Hubbach. Desenhista talentoso, Hubbach se inspirou no cupê Bugatti Type 57 S Atlantique da década de 1930. A origem do veículo foi atribuída a um esboço desenhado em um guardanapo pelo então presidente da Chrysler, o legendário Bob Lutz, e o desenhista-chefe Tom Gale, que estiveram diretamente envolvidos com o modelo, desde a ideia do primeiro rabisco até o carro se tornar real. Muitos consideram o conceito Chrysler Atlantic era um dos melhores desenhos pós-Segunda Guerra Mundial de todos os tempos. Gale esperava que o modelo entrasse em produção, mas isso não aconteceu. Essa história completou 29 anos e merece ser relembrada.

por Ricardo Caruso

Ilustração colorida do conceito Chrysler Atlantic por Bob Hubbach RESIZED 3

Inspirado na Bugatti Type 57S Atlantique, o Chrysler era sensacional em todos os ângulos, como vemos nesse desenho assinado pelo próprio Hubbach.

Pode até não ser o “melhor dos melhores”, mas indiscutivelmente é um dos carros-conceito mais bonitos já concebidos. Quando foi revelado, o Atlantic tinha a mistura certa de emoção e realismo para fazer com que parecesse alcançável, mas para poucos. A sua carroceria era repleta de curvas, e estas curvas eram tão significavas que, de todos os ângulos, havia algo para provocar os olhos, com a mistura certa de retrô e moderno para parecer convincente, sem parecer uma cópia. Não importa que era um carro pouco prático; os conceitos não precisam se apegar a isso.

Bob Lutz apresenta o Atlantic, no Salão de Detroit de 1995

O conceito foi uma das atrações em Detroit, 1995.

Como o Atlantic nunca foi planejado para ser colocado em produção, não importava que fosse tão impraticável, embora o fato de ter sido construído em aço sugerisse que a Chrysler tivesse pensado pelo menos em uma produção limitada. A empresa chegou ao ponto de avaliar se o motor V10 do Viper caberia sob aquele capô longo e curvilíneo. Coisa do Bob Lutz, que por exemplo tinha dois caças Mig soviéticos. E os pilotava…

Quando você pensa que outros conceitos da Chrysler, como o Viper e o Prowler, entraram em produção, talvez o Atlantic até parecesse bastante contido em comparação com eles, e embora tenha sido constatado que o 8.8V10 do Viper caberia, infelizmente o conceito estava destinado a se tornar apenas uma peça de museu.

Dois motores 2.0 de quatro cilindros do Neon se transformaram no oito-em-linha do Atlantic.

O Atlantic foi inspirado -e recebeu o nome- do Bugatti Type 57S Atlantique da década de 1930. Isso apesar do fato de a Chrysler não ter nenhuma ligação com a Bugatti, que na época havia feito uma tentativa fracassada de retornar com seu supercarro EB110. O Bugatti Atlantic tinha linhas semelhantes às aplicadas no conceito da Chrysler de 1995 e, ao criar uma aparência muito mais suave e fluída do que o original da Bugatti, o conceito da Chrysler impressionou os jornalistas e visitantes no Salão de Detroit daquele ano.

Não era apenas o exterior do Atlantic que parecia incrível, já que o interior também apresentava tantas curvas, mesmo que parecesse um pouco mais discreto. O acabamento em madeira teria sido o caminho óbvio a seguir, por isso não foi escolhido. Em vez disso, o console central apresentava textura muito semelhante à fibra de carbono, enquanto os bancos e portas eram revestidos em couro bege. Imitando o vinco central que percorria toda a parte externa do carro (uma referência direta ao Bugatti anterior) havia um vinco semelhante ao longo do interior.

Como se tornou cada vez mais comum na década de 1990, o Atlantic era um conceito totalmente funcional, embora não tenha sido projetado para estar pronto para entrar em produção, pois nunca foi planejado para ser colocado à venda. Como o original francês, o conceito Atlantic apresentava um motor de oito cilindros em linha com 4.0 litros de capacidade. Isto foi conseguido de maneira simples, apenas juntando dois motores 2.0 do Chrysler Neon e, embora o resultado parecesse perfeito, seus 360 cv não eram suficientes para dar ao carro um desempenho particularmente ágil.

O Atlantic usava a transmissão  42LE da Chrysler, vinda do LHS montada num sub chassi auxiliar traseiro. A potência era enviada do motor para a transmissão por meio de um longo cardã escondido sob um grande túnel no interior. A distância entre-eixos era de 3.251 mm e as rodas dianteiras mediam 21 polegadas na frente e 22 polegadas na traseira, enormes para a época.

O Atlantic era montado em um chassi tubular, que utilizava suspensões e direção do Viper. Embora o carro fosse “dirigível”, ele não era mecanicamente aprimorado, e a menor provocação no volante resultava na flexão do chassi e torção da carroceria. Com uma folga mínima entre os pneus e a carroceria, mesmo a mais lenta curva poderia causar ruídos quando a borracha entrasse em contato com o metal. Tudo perdoável, afinal era apenas um carro para chamar atenção nos Salões.

Jack Crain liderou a equipe responsável por criar fisicamente a incrível forma do Atlantic. Na época, ele disse: “Inicialmente não tínhamos intenção de fazer outra coisa senão um show car, mas quando alguma coisa provoca a reação que ele causava, é considerada a viabilidade. Não sei com que seriedade, mas seríamos tolos se não o fizéssemos. Embora o motor de oito cilindros em linha não seja prático, não existem obstáculos intransponíveis para a produção do desenho do Atlantic. A essência do Viper foi mantida desde o show car até a produção do modelo, e acho que o mesmo pode ser verdade para o Atlantic. O objetivo de fazer um conceito em chapa metálica indicou que podíamos projetar outros componentes, como as dobradiças das portas, esse tipo de coisa. Nossos desenhistas não fazem nada que parecesse ridículo ou totalmente fora das possibilidades, pensando num carro de produção”. A montagem da carroceria foi confiada à Gaffoglio Family Metalcrafters, na Califórnia .

Quando o Atlantic foi revelado, as hipóteses de entrar em produção foram impulsionadas pelo fato de que dois dos seus maiores fãs eram Bob Lutz e Tom Gale. Quando o Atlantic foi exibido pela primeira vez, Lutz comentou: “É assim que um cupê de luxo deveria ser. Os cupês de luxo de hoje, sejam eles americanos, alemães ou japoneses, são apenas fingimentos do que não são. São apenas carros de duas portas glorificados, totalmente desprovidos de impacto ou drama”.

Mas Gale logo acabou com qualquer esperança de que o Atlantic chegasse às concessionárias quando respondeu que “o Atlantic redefine o cupê de duas portas como uma forma de arte, dos cupês incrivelmente elegantes, românticos e líderes de imagem. Mas o mercado de duas portas como o conhecíamos acabou, porque os sedãs de hoje podem fazer tudo o que o cupê costumava fazer. Eles são esportivos e agressivos, e você não precisa de um carro de duas portas para se expressar, e isso é uma pena porque estamos perdendo uma forma de arte automotiva, aquela afirmação que faz as pessoas dizerem que “agora sim, isso é um cupê'”!

Hoje o Atlantic é uma das atrações da coleção da Chysler.

Na década de 1990, a Chrysler estava criando novos modelos para o mercado consumidor e introduzindo carros conceituais de excelente aparência, que o público realmente admirava e apreciava. O conceito Atlantic com motor dianteiro e tração traseira foi um de seus modelos conceituais mais populares, e ainda é assim até hoje. Tem um apelo de desenho antológico e atemporal, tanto que também foi usado para publicidade e rótulos de embalagens de uma variedade de produtos de cuidados automotivos vendidos em todo o mundo, e recriado em incontáveis miniaturas.

Concluindo, o conceito Chrysler Atlantic, projetado por Bob Hubbach, hoje está bem guardado no “Walter Chrysler Museum”, em Auburn Hills. Hubbach tinha um portfólio automotivo com outros grandes desenhos, incluindo o Viper original, o Dodge Copperhead e a mundialmente famosa minivan Dodge Caravan 1994. Ele ingressou na equipe de desenho da Chrysler em 1967 e aposentou-se em fevereiro de 2001. Seus excelentes desenhos automotivos sempre farão parte da história do automóvel incluindo, com destaque, o conceito Chrysler Atlantic.

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