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TESTE: Chevrolet Montana Premier 1.2 Turbo

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Lançada em fevereiro do ano passado (2023), a nova picape Chevrolet Montana tinha a pretensão de incomodar rapidamente a concorrência, mas passados 11 meses de sua apresentação, isso ainda não aconteceu. Qualidades e virtudes não faltam à Chevrolet, talvez a falha esteja em sua divulgação ou direcionamento do marketing da GM, algo que ainda pode ser revisto. No ano de 2023, a Fiat Strada reinou soberana no segmento das picapes pequenas e médias, com 120.600 unidades vendidas; a outra picape Fiat, Toro, fechou o ano com 51.503 vendas; a veterana VW Saveiro marcou 46.601, e só ai surge a Montana, com 30.018 emplacamentos. Fecha a lista a quase esquecida Renault Oroch, com 12.734 vendas. Verdade que a Montana não teve 12 meses de vendas no ano passado, mas isso não muda muito sua posição nesse ranking, o que deve acontecer neste ano de 2024.

por Ricardo Caruso

AUTO&TÉCNICA avaliou a Montana Premier 1.2 Turbo, que era versão mais completa no lançamento (agora a RS é a top de linha), que traz um equilibrado conjunto mecânico, suficiente para seu compromisso e que dá conta do recado, sem ser exatamente impressionante no desempenho. Afinal, é um utilitário, não um carro de corrida. O modelo agrada ainda pelo visual, itens de série e preço, que é alinhado com o da concorrência. Isso não significa necessariamente que ela seja barata, pois não existem mais carros baratos no Brasil.

A Chevrolet Montana é oferecida em cinco versões: a de entrada não tem nome, é a “MT” (R$ 125.260, câmbio manual), LT (R$ 131.450, câmbio manual), LTZ (R$144.300, automática), Premier (R$ 153.110, automática, que custava R$140.490 no lançamento) e RS (R$ 156.210, automática); a pintura metálica acrescenta R$ 1,950 ao preço). A Premier testada tem como concorrentes mais próximas a Oroch Outsider 1.3 flex turbo (R$ 149.400) e a Toro Endurance T270 flex (R$ 136.446).

Na prática, a Montana deixou de ser uma picape compacta e se aproximou um pouco das intermediárias, mercado onde estão a Fiat Toro e a Renault Oroch. Os números não mentem. A Montana tem 4,72 metros de comprimento e 2,80 m de distância entre-eixos, bem perto da Oroch (4,71 m de comprimento e 2,82 m de entre-eixos), enquanto a Toro é bem maior, com 4,94 m de comprimento e 2,99 m de entre-eixos.

A Fiat Strada, eterna referência do segmento, tem 4,48 m de comprimento e 2,73 m de entre-eixos. As demais dimensões da Montana são 1,80 m de largura, 1,66 m de altura e 19,2 cm de altura em relação ao solo. Pesa 1310 kg.

As picapes tem dois tipos distintos de compradores: os que usam o veículo para trabalho, e os que usam para passeio, como o carro do dia a dia. Como essencialmente é um modelo para trabalho, o interesse passa a ser a caçamba, pela necessidade, e quem usa para o dia a dia pode ainda dispor da caçamba como um generoso “porta-malas”. A nova Montana não decepciona nesse quesito, com seu volume de 874 litros e carga útil de 600 quilos.

Sua caçamba pode não ser a maior, mas na versão avaliada traz de série a revestimento de proteção, oito ganchos para fixação da carga, iluminação e “capota marítima”. Como acessório, a Chevrolet oferece divisórias multi-board, que servem para acomodar itens menores na caçamba, mas que são muito difíceis de montar e configurar. A ideia foi muito boa, a execução nem tanto. A tampa traseira tem sistema de amortecimento que alivia o peso na hora de abrir e fechar, enquanto o para-choque traz estribos que ajudam os baixinhos a acessarem a caçamba.

Na comparação com as Montana anteriores, tudo é diferente na nova picape; o estilo é bem mais atual e o visual moderno agrada. Mas fica clara a inspiração em detalhes da Toro, como o conjunto de iluminação dianteiro. Mas isso não prejudica o projeto, e a nova Montana tem estilo marcante, com sua grade frontal bem desenhada, linha laterais mais limpas, estilo “quadradinho”, rack no teto e lanternas traseiras diminutas e discretas.

Por dentro, a nova Montana Premier traz acabamento mais luxuoso, com revestimentos de boa qualidade e o tradicional exagero brasileiro de plásticos no painel e forros de portas, mas bem disfarçados pelas texturas dos materiais aplicados. Os bancos são revestidos em material sintético que imita couro (afinal, não existe “couro sintético” ou “couro ecológico”…), com os dianteiros bastante confortáveis mas com ajustes manuais; o banco traseiro é sempre o banco traseiro, ainda mais numa picape, com o encosto posicionado a quase 90 graus, normal nos utilitários menores. Ali, dois ocupantes adultos se acomodam de maneira apenas satisfatória.

A picape tem volante de boa “pega”, com a base plana e multifuncional, e conta com ajuste de inclinação e distância. O painel tem conta-giros e velocímetro analógicos, com uma tela digital ao centro que exibe as informações do computador de bordo. No mesmo quadro do painel onde ficam os instrumentos, a Chevrolet colocou a tela do multimídia (central, levemente voltado para o motorista, touchscreen e de oito polegadas), o que causa a boa impressão de ser um componente só. O resultado acabou sendo bastante positivo, mas poderia ser melhor se fosse adotado o painel de instrumentos da Tracker vendida na China, totalmente digital.

E por falar em multimídia e conectividade, conta com carregador de celular por indução e acesso sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, Bluetooth para dois celulares ao mesmo tempo, Wifi nativo e tomadas USB A e C na frente e atrás. Como outros modelos da marca, traz também o serviço On Star, mas que perdeu algumas das funcionalidades que tinha no seu lançamento. Quanto à segurança, a picape traz de série seis airbags, assistente de partida em aclive e sistemas Isofix e TopTheter para fixação de cadeirinhas infantis, entre outros recursos.

nova Chevrolet Montana

Comparada com as concorrentes –Oroch (170 cv e 27,5 mkgf) e Toro (185 cv e 27,5 mkgf), a nova Montana perde, e mesmo pesando 1.310 kg, a Renault (1.432 kg) e a Fiat (1.650 kg) ,perde na relação peso/potência: Montana, 9,84 kg/cv; 8,91 kg/cv, Toro e 8,42 kg/cv, Oroch.

Na prática, a nova Montana se mostra uma picape bem interessante, com boa dirigibilidade e desempenho satisfatório. O motor é de três cilindros, 1.2 turbo, com 133 cv de potência máxima a 5000 rpm e 21,4 mkgf de torque também máximo a 2000 rpm, quando abastecida com etanol. A Montana é bem agradável de ser acelerada, graças à boa calibragem do câmbio automático de seis velocidades, com trocas sempre de maneira suave (mas nada que se equipare aos Buick Dynaflow 1948, para quem tem alguma ideia sobre o que estamos falando. Essa era a referência do saudoso e eterno José Luis Vieira para câmbios automáticos…). A aceleração de zero a 100 km/h é realizada em 10,3 segundos e a velocidade máxima é de 162 km/h.

O desempenho não chega a ser esportivo, e nem teria razão de ser, mas é suficiente para garantir agilidade no trânsito e boas retomadas de velocidade. O consumo, de acordo com o Inmetro, é de 13,3 km/litro de gasolina na estrada e 9,3 km/l na cidade; com etanol é de 11,1 km/l na estrada e 7,7 km/l na cidade.

A picape tem direção por pinhão e cremalheira com assistência elétrica progressiva bem calibrada, relação correta e diâmetro de giro adequado, que facilita nas manobras. As suspensões foram muito bem ajustadas, mesclando bem a segurança e o conforto, com ou sem carga. A dianteira, independente, tipo McPherson, com barra estabilizadora, e a traseira usa eixo de torção. As rodas são de liga-leve, 7×17, calçadas com pneus 215/55. Um belíssimo conjunto de rodagem, que ajuda a garantir a boa estabilidade. O sistema de freios usa disco na frente e tambor atrás.

Em resumo, a avaliação desta nova Chevrolet Montana foi bastante positiva. A picape combina estilo, conforto e desempenho em um modelo basicamente urbano. Seu desenho e design (são coisas diferentes) são seus pontos fortes. O interior traz um ambiente moderno e até sofisticado, no mesmo nível do SUV Tracker, enquanto as tecnologias de conectividade agradam o consumidor de hoje.

Resumindo, a Montana Premier 1.2 Turbo é uma picape versátil, adequada para o uso familiar mas que não foge da vida dura de trabalho de um utilitário. E a combinação de desempenho, segurança e recursos tecnológicos a tornam uma opção competitiva no mercado. Vale a pena conhecer.


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