Classic Cars

50 anos da Maserati Boomerang, que foi desenhada com uma régua…

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Cada um de nós tem uma ideia sobre o carro de seus sonhos, mas quais são realmente os chamados “carros dos sonhos”? Vamos pensar que sonhar é livre –pelo menos por enquanto, até descobrirem uma forma de taxar nossos pensamentos…– então de imediato removemos tudo o que nos mantém ligados à racionalidade, funcionalidade e também politicamente corretos. Um “carro dos sonhos” não é apenas um supercarro, mas uma visão do futuro, tangível ou não.

por Ricardo Caruso

Muitas vezes são rotulados como “concept cars”, ou “carros conceituais” justamente porque atuam como uma prateleira de estudos para os fabricantes, ideal para avaliar as reações dos críticos e do público e, assim, permitir que os desenhistas e projetistas aparem as arestas e aperfeiçoem o que se tornará os modelos de produção, viabilizando custos, métodos de produção, engenharia etc.

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E falando de ângulos e soluções extremas, como não lembrar do lápis caprichoso do mestre Giorgetto Giugiaro, que em 1971 pegou uma Maserati Bora e o transformou em um modelo que era tudo menos racional, a Boomerang. Em primeiro lugar foi apenas um exercício de estilo, mas no ano seguinte foi exibida no Salão de Genebra como um carro real.

Na verdade, não havia intenção de produzi-la, afinal quem teria tido a coragem de viajar centenas de quilômetros ao volante mais louco da história do automóvel, mas que mesmo assim abrigava um airbag. Apenas uma foi produzida, mas entrou para a história. Junto com a Alfa Romeo Carabo, serviu de inspiração para o fora-de-série brasileiro Hofstetter, lançado em 1984 e que teve 18 unidades produzidas.

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O Boomerang ostentava a forma clássica de cunha tão comum a Giugiaro, vista por exemplo depois na Maserati Merak e Lotus Esprit, mas também no primeiro Lancia Delta e Volkswagen Golf, apenas para citar dois modelos produzidos em grande número e que obtiveram enorme sucesso.

Para definir as linhas do conceito da Maserati, projetado exclusivamente com o uso de uma régua, encontramos uma carroceria baixa e extremamente angulosa, com painéis de porta caracterizados por duas superfícies de vidro (como na McLaren Senna de 2018), faróis escamoteáveis e rodas específicas.

O motor emprestado do Bora, na verdade perfeitamente capaz de empurrar o Boomerang para velocidades respeitáveis, é montado na posição traseira central e é um 4.7V8 de 310 cv de potência, tração nas rodas traseiras e alegados 300 km/h de velocidade máxima.

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Voltando ao compartimento de passageiros, havia amplo espaço para motorista e passageiro, com uma cabine muito clara, graças à boa área envidraçada, com bancos de couro imensos e confortáveis, enquanto o painel podia desfrutar de uma área limpa, devido ao fato de que todos os mostradores estavam agrupados dentro do volante.

Eram tempos em que esquisitices desse tipo nem sempre eram compreendidas, mas olhando para ele 50 anos depois, percebe-se facilmente o papel e a importância que sistema de teste como são os concept cars tem desempenhado no desenvolvimento dos projetos automotivos em nível global, hoje certamente com linhas e soluções menos extremas, mas que logo são bem-vindas em inúmeros modelos, de carros esportivos a carros urbanos. Os elétricos mudam um pouco essa regra, pois devem ser diferentes e chamativos, para identificar a nova tecnologia.

Um “carro dos sonhos”, ou “carro conceito”, não deve ser simplesmente visto como um veículo, mas sim como uma folha de papel em que linhas foram desenhadas, um sonho que lentamente toma forma e está se preparando para definir a linguagem estilística de uma marca nos anos seguintes. Se depois de meio século um objeto como a Maserati Boomerang ainda é capaz de surpreender, imagine a sensação que causou naquele distante 1972, meio século atrás…

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